quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

 



* HOJE NO GOVERNO AMANHÃ NA CORPORAÇÃO A PROMISCUIDADE DO CAPITAL

* OLIGOPÓLIO DAS PLATAFORMAS E DESTRUIÇÃO DO PEQUENO E MÉDIO EMPRESÁRIO

* TRABALHADORES DE APLICATIVOS E A ILUSÃO EMPREENDEDORA

* ESTADO FRACO PARA O POVO E FORTE PARA O CAPITAL

Por Wladmir Coelho

1 – Em 2019 o governo da Índia estabeleceu alguns limites ao capital estrangeiro aspecto que desagradou, dentre outros, a AMAZON responsável pelo controle naquele país da plataforma de vendas com mais de 400 mil comerciantes dos quais apenas 33 controlam um terço das vendas segundo documentos da própria multinacional estadunidense. A situação fica ainda mais assustadora quando acrescentados ao número inicial duas empresas associadas a própria AMAZON como responsáveis por 35% das transações revelando em termos práticos 35 empresas dentre 400 mil a controlar dois terços das vendas no segundo país mais populoso da Terra.

2 – Para resolver a questão a AMAZON colocou em ação o ex-secretário de imprensa durante o governo de mr. Barack Obama, Jay Carney, atual executivo da multinacional, a mexer os pauzinhos cobrando aqui e ali os favores, utilizando as informações de todos os tipos reunidas e conhecidas durante o período em que esteve no governo em defesa da corporação revelando o quanto a balela do livre mercado encontra-se ancorada na liberdade de circulação dos representantes dos interesses do capital nos diferentes segmentos da administração pública ilustrando, no caso brasileiro, os interesses presentes na dita reforma administrativa caracterizada pela extinção do concurso público liberando aos chefes de executivo, do prefeito ao presidente da república, a livre nomeação de apadrinhados e dependendo do cargo com a necessária benção dos banqueiros como ocorre com o Banco Central independente, precisamos reforçar, de qualquer compromisso com os interesses nacionais.

3 – Em 2020 a AMAZON apresentou lucro de US$ 21,3 bilhões um crescimento de 84% em relação ao ano anterior um poder econômico fantástico a serviço da destruição do pequeno em beneficio dos oligopólios comerciais passando o fato concentração despercebido dos pequenos comerciantes sustentando estes a sua própria eliminação muito bem conduzida a partir de campanhas publicitárias sofisticadas reforçando a ideologia do momento, a saber, a liberdade empreendedora entendida esta em sua dimensão individualista ocultando uma espécie de darwinismo econômico.

4 – Quando um pequeno ou médio empresário, aquele nosso vizinho de classe média, aceita participar do esquema AMAZON enquadra-se, sem perceber, aos interesses medidos em bilhões, trilhões de dólares  a divulgar de forma privilegiada outras tantas empresas controladas de forma direta ou indireta pelo proprietário da plataforma a exemplo de supermercados, industrias e revendas de vestuário, sapatos, automóveis e ainda paga, o nosso vizinho, para aumentar os valores das ações dos muito ricos tornando-se mais um explorado acreditando possuir autonomia de “empresário” igualzinho acontece aos trabalhadores da 99, Uber e demais membros do oligopólio das plataformas comerciais.

5 – O oligopólio das plataformas comerciais utiliza-se da ideologia da dita liberdade empreendedora fundada na crença das oportunidades ocultando o quanto impedem a concretização da promessa de liberdade a partir do controle das pesquisas no setor e não  resultando estas em patentes eternas – aquelas do Vale do Silício -  acrescidas do poder de escala resultante da concentração efetivada a partir das incorporações, fusões ou eliminação física de eventuais concorrentes. Neste sentido aplicam desde a redução dos preços para eliminação de potenciais rivais para em seguida utilizar valores de monopólio privado incluindo a elevação das taxas daqueles iludidos com as promessas do liberalismo ou neoliberalismo econômico.

6 – O controle oligopolizado de vastos setores do mercados interligados a partir dos fundos de investimentos internacionais não será derrotado a não ser que o Estado, notadamente nos países de economia de base colonial, assuma a função de planejar controlando diretamente os setores estratégicos – energia, alimentação, pesquisa e inovação tecnológica – aspectos ainda presentes na Constituição de 1988 enfraquecidos ou ameaçados a partir do festival de reformas a favor dos muito ricos.

7 – O Brasil, neste contexto, segue aceleradamente a transformação de seus trabalhadores – incluindo aqueles iludidos com as promessas empreendedoras – em sujeitos superexplorados  em favor dos interesses do capital e aqui devemos recordar que neste processo não há espaço para todos aspecto, quem sabe, a explicar a opção pela morte e fragilidade sanitária observada em nossos dias.    


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