segunda-feira, 3 de junho de 2019

A NECESSÁRIA INTERVENÇÃO ESTATAL NA ECONOMIA Wladmir Coelho





A NECESSÁRIA INTERVENÇÃO ESTATAL NA ECONOMIA

Wladmir Coelho

Predominam nos chamados grandes veículos de comunicação do Brasil o apoio às políticas de destruição dos instrumentos necessários ao rompimento com o modelo econômico de base colonial.

Nas linhas que seguem vamos verificar o quanto os ataques violentos à Petrobras somados a ânsia de entrega do sistema de eletricidade aos oligopólios internacionais revelam um projeto de destruição da economia brasileira e sua submissão aos interesses do imperialismo estadunidense.

Vejamos, inicialmente, o caso da concentração mundial do mercado automobilístico e sua ligação com o desenvolvimento de novas tecnologias energéticas, inteligência artificial e o papel do Estado no processo de pesquisa e desenvolvimento.  
  
A indústria automobilística em Minas Gerais; a Fiat-Chrysler (FCA) anunciou o investimento de R$ 16 bilhões no Brasil até 2024 empregando a metade deste valor na unidade de Betim gerando, segundo informações governamentais, 16 mil empregos diretos e indiretos.

Em Minas Gerais o anúncio do futuro investimento foi acompanhado de ações fiscais apressando-se o Sr. Zema em assinar um decreto isentando do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) os veículos fabricados no estado e movidos a gás natural veicular somado ao tratamento diferenciado oferecido a FCA na cobrança do ICMS prometendo a empresa gerar 9200 empregos diretos e indiretos.

Nos Estados Unidos verificou-se situação semelhante na cidade de Detroit anunciando a FCA um investimento de US$ 4,5 bilhões com promessa de gerar 6400 empregos recebendo, como subsídio oficial, US$ 223 milhões ficando metade deste valor condicionado a manutenção dos empregos, sem redução de salário, por pelo menos 10 anos.

No Brasil as condições para efetivação dos incentivos não ficaram claras excetuando o citado decreto de renúncia fiscal do governo mineiro acompanhado, segundo a Agência Minas, de um termo de cooperação técnica envolvendo a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) e a FCA para incentivar o uso de combustíveis sustentáveis.

O governo de Minas incluiu no pacote de apoio aos investimentos a proposta de amparo a projetos de formação na área de engenharia automotiva através de programas de visitas técnicas e diferentes cursos denominando a iniciativa de parceria em educação, pesquisa e desenvolvimento.

Até aqui nenhuma novidade, afinal desde meados dos anos 50 as indústrias automobilísticas estrangeiras condicionam a instalação no Brasil aos mesmos benefícios oferecidos, em 2019, à FCA.

Todo este movimento da FCA apresenta em sua base a disputa pelo controle da tecnologia necessária à implantação definitiva dos veículos movidos a eletricidade, GNV, células de combustíveis sem esquecer os chamados veículos autônomos e a garantia de controle de mercados para o consumo de seus produtos.

Nesta disputa a China apresenta-se em vantagem empregando o governo daquele país, nos últimos 10 anos, aproximadamente US$ 60 bilhões somente no setor de carros elétricos.

O planejamento econômico e consequente investimento do governo chinês visando a autonomia tecnológica no setor de combustíveis possibilitou a transformação da cidade de Shenzhen em um polo mundial de tecnologia.

Shenzhen conta com 12 milhões de habitantes e possui toda sua frota de ônibus movidos à eletricidade e iniciou o processo de conversão do combustível do serviço de táxi de GNV para baterias elétricas sempre utilizando tecnologia resultante ou aprimoradas em função das pesquisas nacionais.

No setor de carros elétricos a China possui uma vantagem adicional; aproximadamente 40% do custo de fabricação de um carro elétrico encontra-se na bateria e a China controla mais de 60% do mercado de componentes incluindo o lítio.

Planejamento econômico, intervenção do Estado na economia, ao contrário do discurso oficial brasileiro, não constitui atividade exclusiva dos países comunistas. No início de 2019 o ministro da economia da Alemanha Peter Altmaier, um democrata cristão, apresentou um plano econômico denominado “Estratégia Industrial 2030”.

Dentre as estratégias apresentadas no citado plano verifica-se o aumento do conteúdo nacional no setor industrial local e europeu, transformação da sobrevivência das grandes empresas alemãs - Siemens, Thysssen-Krupp, fabricantes alemães de automóveis e Deutsche Bank – em interesse político e econômico nacional.

Quanto a aquisição de empresas locais por grupos estrangeiros – em casos relevantes – o plano determina que o Estado deve participar como acionista criando um mecanismo de participação oficial direta, ou seja, os alemães pretendem estatizar. Esta estatização, segundo o plano, deve ocorrer necessariamente nos setores de células de baterias, inteligência artificial e veículos autônomos.   

A Constituição do Brasil oferece aos governantes as bases legais para a criação do planejamento econômico com essas mesmas bases para o desenvolvimento fundamentadas em um plano econômico voltado para o desenvolvimento nacional, contudo caminhamos no sentido contrário ao observado nas economias desenvolvidas.

A destruição do sistema de pesquisa brasileiro através do corte orçamentário recentemente determinados nas universidades públicas repetindo-se a prática na educação básica – responsável inclusive pelo ensino técnico - aprofunda a distância tecnológica entre o Brasil e os centros desenvolvidos.

Quando observamos a histeria contra a Petrobras (importante centro de fomentação para o desenvolvimento tecnológico no setor energético) somada a campanha alucinada pela    privatização, no caso de Minas Gerais, da CEMIG e GASMIG temos a clareza do projeto de destruição dos meios para a intervenção na economia nacional.

Em recente discurso na Federação das Indústrias o Sr. Zema classificou a CEMIG como “entrave” ao desenvolvimento de Minas Gerais apontando com clareza a prática econômica de seu governo, amparada na renúncia fiscal pura e simples, ignorando a preservação dos meios para criação de uma política econômica em condições de promoção do desenvolvimento da tecnologia nacional.

O governo de Minas, seguindo os passos do senhor Bolsonaro, promove profundos cortes na pesquisa inviabilizando o funcionamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) implantando o projeto do atraso.

A política de submissão econômica ao imperialismo constitui hoje a prática dos senhores Bolsonaro, General Mourão, Romeo Zema. A continuar a com este modelo em breve retornaremos as condições anteriores ao período Vargas cuja política de intervenção estatal na economia criou os instrumentos, incluindo a Petrobras, necessários para o rompimento com o modelo econômico de base colonial.      




domingo, 12 de maio de 2019

AS CONTRADIÇÕES DO MODELO UBER Wladmir Coelho




AS CONTRADIÇÕES DO MODELO UBER

Wladmir Coelho

A estreia da Companhia UBER no mercado de ações, no último dia 10, apresentou resultados bem abaixo das expectativas de seus controladores amargando, o valor dos papéis, uma queda de 8% ao longo do dia revelando um dos piores desempenhos de uma empresa estreante na bolsa.

O anúncio da oferta pública das ações da companhia UBER foi antecedido de vibrantes comentários e elogios à ideologia da organização cujo modelo de relação com os trabalhadores, eufemisticamente denominados de colaboradores, foi saudado pelos modernos de plantão como o “futuro do trabalho.”

A uberização do trabalho, fenômeno verificado a partir das plataformas digitais, vai criar os meios para extinguir definitivamente o emprego formal associado este a “burocracia” e ausência de liberdade empresarial em função de limites estabelecidos através das legislações trabalhistas; repetiam os neoliberais em palestras, livros, vídeos e noticiário em geral.

Regozijavam-se os escravocratas do Vale do Silício com o fim da assistência médica, salário mínimo e outros fatores de limitação da livre ação da mão invisível anunciando um novo significado para a organização do trabalho.

Enquanto isso a economia apresentava-se de forma cruel: segundo a revista In These Times a realidade não corresponde a expectativa ficando o setor de plataformas de serviço responsável por apenas 1% do total da mão de obra empregada nos Estados Unidos.

Tratando em termos práticos a ideologia neoliberal, com seu cada um por si, repete insistentemente o mantra da incompetência estatal clama por liberdade plena, contudo os capitalistas não conseguem sobreviver sem o apoio ou controle definitivo do Estado.

Vejamos o caso do emprego nos Estados Unidos; naquele país os grandes empregadores encontram-se associados ao Estado e claramente dependentes do setor militar existindo somente na indústria bélica - cujo funcionamento depende diretamente da contratação para fabricação de tanques, navios, aviões e outros - 2,4 milhões de trabalhadores. 

A presença do Estado no setor econômico agiganta-se quando verificamos os 3,2 milhões de funcionários civis e militares empregados no Departamento de Defesa que segundo a revista Forbes representa o maior empregador do mundo.

O Departamento de Estado apresenta-se ainda como o maior comprador individual de petróleo do mundo garantindo, de forma incontestável, o emprego para aproximadamente 5.6% da mão de obra ativa dos Estados Unidos segundo o American Petroleum Institute.

Estes números do setor petrolífero explicam, em grande parte, a obsessão estadunidense em impor o seu entendimento particular de democracia aos países produtores de petróleo estejam estes na América do Sul, na Ásia ou em qualquer outro ponto do planeta.

Retomando o fato UBER; a folha de São Paulo apontou como causa da frustração com as ações da companhia a dependência “de um influxo generoso de capital privado para bancar a expansão acelerada e a concorrência feroz em que estão envolvidas.”  

A clara tradução do fracasso, ao verificarmos a justificativa da Folha de São Paulo, encontra-se exatamente na diferença entre o discurso e a prática neoliberal cultuado e defendido nos grandes veículos de comunicação e repetido por governantes militares e civis do Brasil, ou seja, o capitalismo não tolera riscos, detesta a concorrência e precisa desesperadamente da presença do Estado para sobreviver.

O modelo UBER vai perdendo ainda mais de sua sedução neoliberal diante da insatisfação de seus “colaboradores” com a ausência de regras trabalhistas e devemos recordar que esta desregulamentação constitui a base para a continuidade da companhia.

Cisões no modelo verificam-se através da organização dos motoristas em sindicatos e associações para exigir a regulamentação trabalhista destacando-se a recente greve mundial dos motoristas de UBER somados a conquista de um rendimento mínimo (uma espécie de salário mínimo) em Nova York.

A reforma trabalhista no Brasil seguiu exatamente o modelo UBER e durante a campanha eleitoral seu aprofundamento foi claramente proposto pelo candidato direitista que defendeu abertamente o fim do que denominou de privilégios da classe trabalhadora apoiado por seu vice general um defensor radical da extinção do 13º salário.

As oligarquias capitalistas, o famoso 1%, revelam-se famintas pela ampliação do controle dos recursos estatais e para este fim atacam sem piedade os direitos sociais. O Brasil, neste momento, é atacado de forma violenta através de ações que incluem desde a extinção da educação pública a destruição dos serviços estatais de saúde.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO E DIREITOS SOCIAIS - Wladmir Coelho




INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO 

ECONÔMICO E DIREITOS SOCIAIS

Wladmir Coelho

Em 2017, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, existia um déficit de 7,78 milhões de moradias no Brasil atingindo, principalmente, aquelas famílias que sobrevivem com até 3 salários mínimos.

Os números assustam ainda mais quando verificamos uma pesquisa da Fundação João Pinheiro de 2015 revelando o comprometimento de 30% da renda de 3 milhões de famílias brasileiras com o pagamento de aluguel.

O desemprego de 13 milhões de brasileiros somados aos 28 milhões de subempregados, o aumento de 8,32% nos últimos 12 meses do Índice Geral de Preço Mercado (IGP-M), utilizado como referência nos reajustes dos aluguéis, revelam o quanto ainda pode aumentar o dito déficit habitacional no Brasil.

O Estado brasileiro, enquanto isso, é afastado definitivamente do processo para a solução do problema habitacional preferindo, o governo, radicalizar o discurso do livre mercado abandonando, inclusive, o principal programa de financiamento de moradias o Minha Casa Minha Vida.

Neste sentido devemos recordar a determinação constitucional que classifica como direitos sociais, dentre outros, a moradia e o emprego existindo neste caso a necessária execução de um planejamento e consequente plano econômico prevendo e criando os meios necessários para sua efetivação.

 Os atos governamentais, ao contrário, apresentam-se no sentido de total desrespeito aos princípios legais incluindo declarações e ações de fundo ideológico em total desacordo com a Constituição.

Neste sentido o Sr. Jair Bolsonaro afirmou, durante a solenidade de assinatura da medida provisória da “Liberdade Econômica”, e o jornal Valor Econômico publicou, um trecho ilustrativo do momento esquizofrênico no qual encontra-se mergulhado o Brasil: “o linguajar meu, de tirar o Estado do cangote [do cidadão], foi traduzido agora por essa equipe econômica maravilhosa e a Casa Civil, que vai ajudar muita gente no Brasil.”

Esta história do Estado no “cangote” necessita de uma tradução; não existe nesta fala do Sr. Bolsonaro a mínima preocupação com o cumprimento das determinações constitucionais de garantia a plena efetivação dos direitos sociais, ao contrário, temos o discurso de favorecimento do capital em detrimento do social.

A negligência do governo transfere para as ditas leis do mercado as condições de acesso, por exemplo, a moradia restringindo ou mesmo proibindo aos trabalhadores um direito previsto na Constituição.

Em termos reais o “cangote” do capital será aliviado enquanto o “lombo” do trabalhador será surrado diante da proibição de qualquer restrição, por parte das autoridades econômicas, na liberdade de definição empresarial no preço de produtos e serviços, como consequência de alterações da oferta e da demanda no mercado não regulado, ressalvadas as situações de emergência ou calamidade pública conforme determinado no III do artigo 3º da medida provisória da “Liberdade Econômica.”

Neste ponto entendemos a aliança entre o neoliberalismo com o medievo fundamentalismo religioso, cujo resultado denomina-se bolsonarismo, no qual somente o armagedon justifica a intervenção do Estado no domínio econômico.

Este fanatismo neoliberal vai produzindo em nosso berço esplendido e mundo afora as terríveis consequências diariamente observadas nas ruas das cidades com visível aumento da população sem casa.

Nos Estados Unidos, pátria dos atuais governantes militares e civis do Brasil, os bairros considerados nobres observam um aumento de acampamentos de sem casa incluindo o uso dos jardins das mansões de Los Angeles enquanto os moradores de San Francisco reclamam da quantidade de fezes humanas nas ruas.

Meio milhão de sem casa encontram-se nas ruas da matriz segundo o site de informações para o mercado Zero Hedge revelando ainda o quanto as notícias de crescimento econômico dos Estados Unidos merecem uma verificação mais aprofundada.

A pequena – mental e estrutural – burguesia brasileira deveria atentar para estes números e fatos originários da matriz e perceber que os ricos de lá possuem condições de transferir suas nobres residências para pontos mais tranquilos enquanto a dita classe média de nosso torrão amado vai perdendo sua varanda gourmet em função do desemprego, atrasos nas prestações e juros elevadíssimos dos bancos contribuindo, deste modo, para o aumento no índice daqueles sem casa ou, na melhor das hipóteses, dependentes da casa de parentes ou do pagamento de aluguel.

O discurso neoliberal bolsonarista turvou, durante algum tempo, as condições de análise de muitos e proporcionou uma terrível campanha contra os direitos sociais e a necessária intervenção do Estado na economia para criar os meios necessários à sua aplicação.

A realidade vai revelando o quanto eram falsas as promessas neoliberais de um mundo maravilhoso após a entrega da Petrobras e mesmo do fim dos direitos trabalhistas como forma de superar o desemprego.

Na realidade a entrega da Petrobras a sanha do mercado comprometeu os meios para utilizar o poder econômico decorrente da exploração petrolífera para financiar políticas de habitação, educação e saúde.

Agora surgem estes mesmos farsantes neoliberais do governo prometendo o paraíso com a submissão total de nossa economia ao domínio sem regras do capital entregando ao povo um país de fome, ignorância e privilégios aos ricos.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

OURO PRETO: O DIA DE TIRADENTES Wladmir Coelho




OURO PRETO:

O DIA DE TIRADENTES

Wladmir Coelho

Nos anos 60 o deputado operário, Sinval Bambirra, preocupado com as ameaças de incêndio e consequente destruição do patrimônio histórico e cultural de Ouro Preto apresentou um projeto de lei criando uma unidade do Corpo de Bombeiros naquele município.

Os representantes das classes dominantes do Estado colocaram-se de forma contrária à iniciativa do parlamentar questionando estes desde as necessidades técnicas para instalação dos bombeiros em Ouro Preto, a capacidade de um tecelão propor formas de preservação do patrimônio histórico, o controle dos gastos públicos sem contar a desconfiança da interferência de Moscou no dito projeto. Afinal a cor dos Bombeiros é vermelha.

Iniciei este texto, recordando uma conversa com o líder operário Sinval Bambirra, para ilustrar a indisposição da classe dominante de Minas e do Brasil com a preservação do patrimônio histórico e por consequência com a cultura e educação.

Afinal os donos do poder apenas ocupam esta condição em função da submissão aos interesses imperialistas traduzindo estes em prática econômica de base colonial e aqui resgato mais um ensinamento; o professor Washington Albino explicando o que é colônia: trata-se de um lugar do qual retiram-se coisas.

Ao propor a proteção e preservação da cidade símbolo de um movimento político contrário a exploração colonial um deputado operário questionava o modelo econômico e mostrava aos trabalhadores as origens históricas do atraso.

Neste ponto amplia-se a associação do termo cultura e desta ao patrimônio histórico para além da condição material passando a incluir os meios para o entendimento dos modelos de organização social necessitando, para este objetivo, a formação de pesquisadores e financiamento de pesquisas.
A elite econômica nacional, diante desta situação, prefere o discurso do mecenas ao modo do império elegendo aqui e ali a sua arte oficial criando suas fantasias destruindo, ignorando, criminalizando ou marginalizando a cultura de nosso povo entendendo esta como ameaça ao modelo instituído.

Os recentes atos governamentais que retiram a Petrobras e o Sistema S do cenário cultural, o corte orçamentário na educação, nas pesquisas apresentam como objetivo criar os meios necessários para a preponderância de uma cultura oficial de base fundamentalista religiosa e econômica.

O dia de Tiradentes

Seguindo a linha colonialista os discursos oficiais do último dia 21 de abril apresentaram-se de forma vazia com vivas à liberdade e a democracia com repetição protocolar do nome do mártir da inconfidência.

O Sr. Jair Bolsonaro foi convidado, mas preferiu passear de motocicleta no Guarujá restando ao cerimonial improvisar o Sr. Romeo Zema como orador do evento para o qual não revelava nenhuma simpatia.

Durante a leitura do discurso o Sr. Zema não conseguiu pronunciar, sem embolar, o nome civil do herói homenageado e tropeçava seguidamente na palavra pátria. Freud explica? seria uma intervenção sobrenatural? não tenho respostas.

Concretamente temos no fato, tropeços na fala oficial, a dificuldade da conciliação entre defesa da soberania nacional, aspecto imediatamente associado ao movimento dos inconfidentes, aos princípios entreguistas presentes nas ações governamentais.

A contradição e a disputa entre o modelo cultural importado pelos governantes e aquele fruto de nossa formação histórica manifestou-se de forma clara, durante a celebração em Ouro Preto, a ponto da fala oficial ocorrer de forma quase escondida com um ato cuidadosamente esvaziado como preparando a segunda condenação de Tiradentes.

Esta tentativa de impor uma segunda condenação, todavia, ocorre em momento posterior a concretização da soberania política exigindo, por parte de seus defensores, uma profunda alteração cultural incluindo a transformação da estrutura jurídica.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

A MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA; BOLSONARO, NEOLIBERALISMO, PETROBRAS E O PREÇO DO ÓLEO DIESEL Wladmir Coelho




A MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA;

BOLSONARO, NEOLIBERALISMO, PETROBRAS

E O PREÇO DO ÓLEO DIESEL

Wladmir Coelho

O grupo governante, em sua composição civil e militar, apresenta-se claramente submisso aos interesses do imperialismo estadunidense possuindo, inclusive, um mentor ou guru residente naquele país.

As orientações do astrólogo estadunidense servem, como sabemos, para diversão do grande público enquanto os agentes do entreguismo realizam na prática as políticas de negação da soberania nacional e consequente destruição da economia nacional conforme os ditames da matriz.

O problema desta docilidade governamental ao imperialismo encontra-se exatamente no fato “sistema econômico nacional” princípio negado, em função do fundamentalismo ideológico, pelos seguidores do ministro Paulo Guedes e defendido, o fundamentalismo, ao extremo nos editoriais e colunas dos jornais de maior circulação nacional como verificou-se no episódio do cancelamento do aumento no valor do óleo diesel.

A glória destes fundamentalistas oficiais encontra-se na recente viagem do chefe de Estado aos Estados Unidos oferecendo, deslumbradamente, bases militares, atacando os imigrantes e até loteando a região amazônica.

Nenhum destes atos escandalizou ou revoltou a burguesia nacional aquela do coronel high tech da monocultura envenenada ou mesmo seus subordinados a chamada classe média cuja maior preocupação é criar fábulas para justificar ou associar aos princípios cristãos às políticas de extermínio dos pobres e preconceitos em geral.

A realidade, todavia, não perdoa e cobra o seu preço. A política econômica amparada na radicalização neoliberal apresentou um preço elevado aos senhores do campo a ponto destes perceberem a pouca validade de uma prática escravista sem o necessário subsídio ao combustível venha este a movimentar suas máquinas ou caminhões para o transporte da produção.

Este fato, controle de preços ou subsídio dos combustíveis, vai revelar um segundo problema, ou seja, a inexistência de uma política de preços para o setor voltado ao atendimento das necessidades econômicas nacionais decorrentes, esta ausência de uma política de preços dos combustíveis, das práticas neoliberais amparadas estas na privatização da Petrobras.

O Palácio do Planalto, embora repleto de adoradores do imperialismo estadunidense, não está localizado geograficamente em um subúrbio qualquer de Washington e recebe, diariamente, as pressões dos segmentos econômicos nacionais.

Neste ponto temos o fato sobrevivência política do chefe do governo associado este, vejam a ironia, a necessidade de reconhecimento do sistema econômico nacional ou simplesmente, no caso dos combustíveis, a indispensável existência dos meios necessários ao controle estatal dos preços traduzidos na existência de uma política econômica do petróleo.

Os Estados Unidos possuem uma política econômica do petróleo associada à segurança nacional oferecendo uma série de subsídios aos produtores locais e entendem como parte desta política a garantia de atuação no exterior, livre de qualquer amarra regulatória desrespeitando, como sabemos, os princípios da soberania nacional em nome de seus interesses comerciais.

Temos neste ponto mais um problema para o governo brasileiro e seu fundamentalismo econômico, ou seja, não existe conciliação entre o princípio ideológico neoliberal e soberania econômica fato representado neste episódio, vejam a nova ironia, na manutenção das atribuições originais da Petrobras.

A burguesia nacional começou a sentir o peso da subordinação imperialista, do radicalismo neoliberal e desesperada aponta a necessidade de repensar o modelo. O governante de plantão lança mão do recurso intervencionista que ainda resta para controlar o preço do óleo diesel e deste ato apresenta a primeira contradição com os fundamentos ideológicos radicais de seu governo.
Continua, o senhor Bolsonaro, agradando o império oferecendo a desregulamentação econômica simbolizada no fim da aposentadoria, capitalização das pensões, carteira de trabalho verde e amarela.

O problema, destes agrados, encontra-se no aprofundamento do desemprego e consequente asfixia do mercado interno apresentando como resultado sinais de descontentamentos da dita classe média e dos trabalhadores gerando os primeiros problemas no modelo de distração e controle social amparado no discurso moralista, no fundamentalismo religioso e no infantilizante verdeamarelismo.

O bolsonarismo, para sobreviver, apresenta claramente a necessidade de rever a sua associação ao neoliberalismo e subordinação canina ao imperialismo. Resta saber como seria um eventual rompimento deste nível a esta altura dos acontecimentos.
O governo vai compensando a burguesia nacional e isso ainda é pouco, pois existem milhões de desempregados e uma juventude com poucas expectativas somado, estes problemas, a crescente repressão aos trabalhadores simbolizadas nos assassinatos realizados através dos aparatos de repressão oficiais.

A necessária política de reconhecimento do sistema econômico nacional vai além da redução dos valores do óleo diesel, contudo o fato revela uma importante contradição no interior do governo.  

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