domingo, 21 de agosto de 2016

PETROLÍFERAS NÃO PAGAM IMPOSTOS




PETROLÍFERAS NÃO PAGAM IMPOSTOS

Wladmir Coelho

Os seguidores da ideologia neoliberal defendem a entrega da Petrobras aos oligopólios internacionais em troca do recebimento de impostos. Essa proposta, apresentada como a salvação nacional, desconsidera uma característica fundamental da indústria petrolífera: a existência, em todo o planeta, de um pesado modelo de financiamento estatal os chamados subsídios.

Ironicamente esse financiamento aparece, principalmente, na forma de isenção de impostos. Em 2015, somente nos chamados países do G20, o valor dos investimentos oficiais no setor atingiu a marca de 444 bilhões de dólares ficando a liderança do patrocínio publico, do competente setor privado, com os Estados Unidos.  

Naquele país a industria petrolífera privada recebe anualmente, de acordo com dados oficiais, um subsidio de 4 bilhões de dólares podendo chegar, segundo grupos que acompanham a questão, a 50 bilhões de dólares anuais.

Essa prática existente nos Estados Unidos, pelo menos desde a Iª Guerra Mundial, é adotada como forma de estimular a segurança energética nacional ou a exploração em áreas de difícil acesso a exemplo das águas profundas.

No Reino Unido a história também revela o Estado como financiador do setor privado do petróleo a partir do mesmo período, inicio do século XX, quando o então Lorde do Almirantado, Winston Churchill, determinou o uso de combustível derivado do petróleo nos navios de guerra da Marinha Real.

Para garantir o abastecimento da armada foi necessário transformar o Estado em sócio oculto da atual British Petroleum que explorava petróleo no Irã. Vejam: O Estado era sócio oculto de uma empresa integrante da política de segurança nacional em um território estrangeiro.

Apenas para comparar: Enquanto os Estados mais poderosos investiam, no inicio do século XX, no setor petrolífero, o Brasil abria suas fronteiras às empresas ditas privadas que apesar de afirmarem a inexistência de petróleo em nosso país não paravam de comprar áreas com potencial produtivo.

Somente em 1953, com a criação da Petrobras, o Brasil instituiu uma política econômica para o setor petrolífero.

A negativa do setor petrolífero em pagar impostos nos Estados Unidos (seria diferente no Brasil?) revela situações pouco comentadas nas rodas neoliberais. Os entreguistas ocultam situações como observadas no estado da Louisiana.

Naquele estado a elevação do nível do mar acarreta a inundação das áreas mais baixas nas quais encontram-se exatamente as empresas petrolíferas. Durante anos esse setor recebeu do governo da Louisiana e da União incentivos, isenções e patrocínios diversos.

E agora diante do infortúnio o que fazem os poderosos senhores do petróleo? Simplesmente cobram do governo ações de proteção. E o governo? Simplesmente não possui recursos que ultrapassam o valor de 100 bilhões de dólares. E os impostos? Desnecessário dizer que foram descontados como forma de incentivo.


O discurso neoliberal defende simplesmente a entrega do petróleo brasileiro ocultando a tradição de financiamento estatal do setor petrolífero. Ao acabar com a Petrobras prometem os entreguistas, o paraíso através do pagamento de impostos. Mentira: O setor petrolífero mundial não paga impostos e vive a sombra do financiamento público.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

A RESPEITO DA INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA



A RESPEITO DA INTERVENÇÃO

DO ESTADO NA ECONOMIA

Petróleo e militarismo

Wladmir Coelho

O discurso neoliberal demoniza a participação do Estado na economia. Essa máxima da seita tem na repetição do dogma da incompetência estatal o seu fundamento, contudo a hipocrisia destes fundamentalistas do dinheiro oculta a intima ligação entre o Estado e os grandes grupos econômicos.

Nos Estados Unidos, sempre citados pelos fundamentalistas neoliberais como exemplo de não intervenção estatal na economia, o Estado revela-se como grande patrão mantendo a seu serviço um gigantesco contingente de funcionários públicos fardados espalhados em 150 bases militares em todo o planeta.

Os gastos do Estado estadunidense com seus soldados supera os US$ 340 bilhões anuais (isso mesmo bilhões) encontrando-se muito acima dos US$ 48 bilhões gastos no Estado chinês. Os Estados Unidos empregam 1.414.000 funcionários públicos – sem concurso -  somente no setor militar. Acha inchaço da máquina pública!

A intervenção do Estado na economia nos Estados Unidos, por via da militarização, não limita-se ao pagamento dos salários dos soldados assim devemos considerar a poderosa indústria que sobrevive a sombra deste modelo mortífero criando e fabricando armamentos destinados as forças armadas. Em 2009 esse setor recebeu do Estado US$ 712 bilhões em pagamentos.

A indústria bélica dos Estados Unidos existe, basicamente, para atender as encomendas estatais de mísseis, satélites, aviões, embarcações, encontrando-se o setor submetido à fortíssima regulamentação que impede a livre negociação de seus produtos sem a prévia e seletiva autorização estatal.

Neste ponto, a regulamentação da indústria bélica nos EUA, devemos observar a tendência do governo em liberar a venda de armamentos, preferencialmente, aos países localizados em áreas com potencial petrolífero.

Não é coincidência o recente aumento das vendas de armas estadunidenses aos países localizados no Mar do Sul da China. Essa região possui potencial petrolífero e seu controle é vital a política energética chinesa e seu controle é alvo de disputa internacional.

Na América do Sul não é diferente. O sociólogo Moniz Bandeira apresenta estudos reveladores a respeito da  disputa entre EUA e China que mobiliza a ampliação do número de bases militares do primeiro em  nosso subcontinente.

Recentemente foi anunciada a implantação na Argentina, próxima a chamada tríplice fronteira, de uma nova base militar estadunidense. Essa nova unidade militar, associada as existentes na Colômbia e no Peru, garantem o livre acesso dos militares estadunidenses ao Atlântico Sul e Pacifico. Não podemos esquecer do enclave colonial inglês localizado nas Ilhas Malvinas que servem de apoio ao controle do Atlântico região com ricas reservas petrolíferas.

Vejamos neste ponto a incrível associação entre controle das áreas produtoras de petróleo e intervenção estatal na economia. A política energética dos Estados Unidos – e naturalmente das demais potências econômicas – encontra-se muito distante dos dogmas da seita neoliberal notadamente aquele da livre iniciativa.

 O dito setor petrolífero privado executa uma política econômica associada ao poder do Estado (observe: existe o poder econômico estatal) tornando difícil ou impossível a separação entre os interesses de um e outro.

Considerando esse quadro devemos observar que neste momento histórico o controle da Petrobras torna-se um elemento importante para a política de segurança energética dos Estados Unidos.

Para concluir essa política temos, até esse momento, uma ação ideológica amparada na divulgação dos dogmas da seita neoliberal que associam empresa pública à ineficiência e corrupção. Os limites dessa tática, todavia, encontram-se no acumulo de informação do povo brasileiro em relação ao controle colonial, imperial dos Estados Unidos.


Não foi obra do acaso a incerteza política e insegurança administrativa instalados no Brasil. Temos uma ação milimetricamente orquestrada seguindo o roteiro observado em outras partes do planeta. O preocupante fica em relação aos passos seguintes cujo resultado apresenta opções da implantação de ditaduras até a guerra civil.

sábado, 13 de agosto de 2016

Nos tempos de El Rei



A ENTREGA DO PETRÓLEO BRASILEIRO

Nos tempos de El Rei

Wladmir Coelho

O chamado pré-sal brasileiro acumula, pelo menos, 40 bilhões de barris de petróleo reservando ao Brasil um papel destacado no setor energético internacional. Contudo a ausência de uma política para o desenvolvimento nacional somado ao furor exploratório imediatista, predatório de base colonial tratou de criar ou projetar um novo ciclo econômico: O ciclo do petróleo.

Petrobras operadora dos blocos, fundo de investimentos, royalties, conteúdo nacional foram aspectos considerados sem a necessária observação da necessidade de revisão constitucional. Neste caso devemos observar que o controle do petróleo brasileiro e os conceitos de empresa nacional em nossa Constituição sofreram, nos anos de 1990, alterações em obediência aos dogmas neoliberais.

O resultado trágico revela-se na ausência de proteção à Petrobras fragilizada desde a queda do monopólio estatal durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

A consequência: o debate relativo ao pré-sal não apresentou, ou apresenta, espaço à discussão do uso do petróleo como elemento para criação de uma política energética nacional considerando à autossuficiência. Ficou a questão petrolífera nacional reduzida à condição ou expectativa da exportação futura.

Novidade? Nenhuma. O ouro, o diamante, o minério de ferro conheceram e conhecem semelhante trajetória. Pandiá Calógeras, ainda no inicio do século XX, pesquisou e calculou o gigantesco volume de ouro e diamante expropriados do subsolo nacional enquanto Washington Albino apontou a importância do ouro, saqueado do Brasil, para o financiamento da industrialização da Inglaterra no século XVIII.

Os fundamentos deste modelo exploratório permanecem: No passado El Rei distribuía autorizações para exploração aurífera pouco importando o poder econômico decorrente desta. Com o petróleo não é diferente.

Entregue por mais de cem anos, de meados do século XIX até 1953, à iniciativa privada o setor petrolífero no Brasil permaneceu estagnado impedindo, deste modo, a criação de uma política energética nacional.

Vejamos: ao contrário do discurso ideológico liberal o setor privado, apesar do monopólio que exerceu neste longo período, revelou-se totalmente incompetente para iniciar o processo de exploração petrolífera brasileiro.

A proposta dos oligopólios sempre foi preservar as áreas com potencial produtivo para posterior exploração mantendo, naturalmente, a condição de exportação predatória.

Criada a Petrobras temos, pela primeira vez, a possibilidade de controle da exploração petrolífera considerando-se uma política econômica nacional amparada no uso do poder econômico do petróleo. Neste ponto é preciso notar o controle nacional dos bens natural e econômico representados na reserva existente no subsolo sua industrialização e distribuição.

Estes aspectos não existem mais. A ideologia neoliberal quebrou esta cadeia entregando ao setor privado o controle do bem econômico. Este mesmo setor durante 100 anos cuidou de impedir a exploração petrolífera e hoje revela  sua “competência” através do controle das áreas produtivas desenvolvidas a partir do trabalho de pesquisa da Petrobras.

A legitimação do discurso oficial entreguista ocorre através do oligopólio de imprensa responsável pelo bombardeio ideológico antinacional e neoliberal criando a confusão conceitual do atual modelo de exploração petrolífera no Brasil.

A Petrobras continuou e continua apresentada no discurso oficial e meios de comunicação como “empresa estatal”. Este fato oculta a queda da lei 2004 de 1953 e consequente fim do monopólio da empresa mista.

Esta condição, empresa mista, revela outra fragilidade; desde a criação da Petrobras ficou evidente que a única forma de garantir a existência de uma empresa brasileira em condições de enfrentar o poder econômico dos oligopólios internacionais seria através do exercício do monopólio cuja finalidade foi a criação de uma política de autossuficiência.

O discurso oficial, neste caso a soma de governo e setores entreguistas da imprensa, oculta a necessidade da reformulação da constituição no aspecto relativo ao controle do bem econômico petróleo. Na prática o “moderno” discurso governamental de Temer, Parente e outros representa um retrocesso aos tempos de El Rei.


O discurso neoliberal apresenta-se como solução “moderna”, defendem seus seguidores a privatização da Petrobras. Esta prática, neoliberal, apara-se em dogmas e não resiste ao mínimo questionamento histórico. Durante 100 anos fracassaram as empresas privadas internacionais no Brasil e agora, após intenso trabalho da Petrobras, querem assumir os lucros. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

ESCANDALOSA ENTREVISTA DE PEDRO PARENTE




ESCANDALOSA ENTREVISTA DE PEDRO PARENTE

Os fundamentos do discurso dogmático contra a Petrobras


Wladmir Coelho

“Parente é como serpente: se bobear pica a gente”
                                                          Dito popular



Resposta ao presidente interino (!) da Petrobras

O presidente interino (!) da Petrobras, Sr. Pedro Parente, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo revela de forma despudorada o plano de transformação da Petrobras em simples gestora de contratos e ainda ofende o nosso povo ao classifica-lo de imaturo para discutir o “dogma” da privatização da empresa.

Parente considera dogma a reação contrária do povo brasileiro a entrega de seu potencial energético ao apetite voraz dos oligopólios internacionais. Observem a arrogância do dito presidente ao apresentar-se como possuidor de conhecimentos acima dos brasileiros entendidos em suas palavras como ignorantes seguidores de dogmas.

Sr. Parente; Dogmático é o seu discurso que desconsidera nossa história nos últimos 500 anos marcados pela usurpação colonial representada de forma evidente na exploração mineral.
Nosso povo ao defender a Petrobras o faz movido pelo patriotismo entendendo claramente a importância desta empresa que surgiu após mobilização dos trabalhadores em defesa do projeto de emancipação nacional.

A criação da Petrobras representou e representa a tentativa de superação do dogma liberal que condiciona o crescimento econômico de uma nação a etapas entendidas como naturais e necessárias assumindo estas o caráter de equilíbrio da economia mundial. Neste ponto os dogmáticos liberais justificam a negativa da existência do sistema econômico nacional.

A mistificação e mitificação da economia

Em termos práticos o predomínio do dogma liberal constitui a base da submissão dos países economicamente atrasados aos economicamente desenvolvidos visto a transformação das necessidades econômicas dos primeiros em políticas econômicas dos demais.

Podemos notar deste modo o caráter de proteção ou manutenção do modelo colonial ocultado no dogma liberal. Adam Smith, no século XVIII, sistematizou este principio e justificou, inclusive, a intervenção militar da nação mais desenvolvida naquela mais atrasada que ousasse romper o “rumo natural” da economia.

Smith, a partir deste principio, apresenta duas opções para o futuro das 13 colônias inglesas da América do Norte: respeitando a “natureza” da economia as citadas colônias alcançariam o pleno desenvolvimento. A tragédia destas colônias seria o rompimento do modelo colonial.

No inicio do século XIX Friedrich List observa, nas antigas colônias relatadas por Smith, exatamente o oposto das sentenças dogmáticas. List relata em seus textos o rápido crescimento econômico dos Estados Unidos associando este fato à quebra do modelo colonial a partir do reconhecimento da existência do sistema econômico nacional.

O crescimento econômico revela-se decorrente, desta forma, do necessário rompimento com os dogmas do liberalismo reconhecendo a existência do sistema econômico nacional.

Estado e economia

Neste ponto deparamos com outro dogma do liberalismo clássico: “O Estado não deve intervir na economia”. Devemos entender inicialmente que a fórmula para separar Estado da economia ainda não foi praticada no capitalismo. Adam Smith defende, inclusive, o subsídio aos minerais energéticos. Afirmava, claramente, o pai do liberalismo a necessidade de criação de políticas econômicas de base nacionalista em sua Inglaterra do século XVIII que iniciava sua industrialização e dependia do carvão para suas máquinas.

Não era somente o carvão: A matéria prima encontrada fora do território nacional, os mercados além-fronteiras também seriam garantidos através das negociações estatais via diplomacia e do insucesso destas com intervenções militares.

A política econômica bélica inclui a contratação de mão de obra com elevada rotatividade – soldados – pesquisa e fabricação de armamentos. A guerra representa uma parcela considerável da economia dos países economicamente desenvolvidos.

A natureza econômica do dogma liberal representa, na prática, a supremacia do mais forte e seu “direito” de garantir – através dos equipamentos estatais – a implementação de políticas econômicas além de suas fronteiras.

A fragilidade do discurso dogmático resulta exatamente de sua mistificação e consequente afastamento da ciência.



O discurso dogmático contra a Petrobras

O senhor Pedro Parente não é o primeiro a insinuar a destruição da empresa por dentro. Diga-se de passagem, desde o primeiro presidente da petrolífera nacional, embaixador Juracy Magalhães, encontraremos os defensores da atuação desta como espécie de órgão regulador da produção petrolífera no Brasil. Neste aspecto devemos lembrar o celebre lema de Magalhães: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil!”.

Ao espírito de submissão colonial seguem-se as ações de adequação dos interesses brasileiros aos dogmas do liberalismo. Patrocinados pelos oligopólios e simulando um discurso de soberania nacional surgem a “proteção continental” do general Juarez Távora defensor de uma Petrobras como empresa responsável pelo refino enquanto os trustes dos Estados Unidos – essa era literalmente a proposta – seriam as responsáveis pela exploração e distribuição. O principio da livre iniciativa, informava o general, seria garantido através do leilão das áreas com potencial produtivo envolvendo a disputa entre os interessados. Lembre-se: As empresas petrolíferas constituem um setor extremamente concentrado inexistindo, na prática, a chamada livre concorrência.

A ditadura militar, com seu verde amarelismo, aplica a retomada da segurança continental ao limitar as atividades da Petrobras a plataforma continental. Em terra abria ao chamado “contrato de risco” quebrando o principio do monopólio e destinava ainda a empresa à exploração internacional associada aos oligopólios. 

Temos, deste modo, aplicado o dogma liberal fundado no equilíbrio econômico internacional (pode ser global também) negando o sistema econômico nacional. A farsa do discurso reside, neste caso, em dois pontos: o primeiro da suposta ameaça ao mundo civilizado e democrático pretensamente representado através da hegemonia dos Estados Unidos que necessitam dos recursos energéticos, inclusive os brasileiros, para manter em constante prontidão a sua máquina militar contra as ameaças soviéticas.

Vejam: O discurso do general Távora, nos anos 50, encontrava sua base na ameaça comunista entendida essa como forma de desequilíbrio da economia através de uma súbita ruptura dos países fornecedores de energia aos Estados Unidos.

Posteriormente o general Távora e outros participes dos governos da ditadura militar continuam a mesma defesa à qual devemos incluir o discurso da livre concorrência como impedimento do controle ou monopólio estatal do petróleo.

Seguindo esses fundamentos a ditadura através de outro antigo presidente da Petrobras, Schigeaki Ueki, implanta o principio que ainda hoje predomina na direção da empresa, ou seja, uma concorrente destinada a tornar-se a “oitava irmã”. Ueki, de forma literal, cunhou este termo.
Ocupava o plantão de presidentes da ditadura, no momento da aplicação desta política, um antigo presidente da Petrobras o general Ernesto Geisel. O contrato de risco da parceria Geisel com Ueki seria o responsável, diziam os governistas da época, por proporcionar a concorrência interna garantindo a autossuficiência nacional.

Autossuficiência, concorrência? Nada disso. A Petrobras foi transformada em empresa de importação petrolífera que ao mesmo tempo realizava pesquisa na plataforma continental.

Neste sentido, a pesquisa na plataforma continental, alcançou êxito reunindo, inclusive, informações relativas ao passo seguinte; o chamado pré-sal. O trabalho de pesquisa na plataforma continental financiado pelos brasileiros e realizado pela Petrobras acabou entregue, embasado no discurso dogmático liberal, nos anos do governo Fernando Henrique Cardoso aos oligopólios internacionais. Pedro Parente foi participe deste momento.

A disputa geopolítica

O discurso liberal legitimando a intervenção do mais forte contra qualquer atitude de emancipação do mais fraco economicamente recebe em nossos dias contornos bélicos decorrentes da crise global.
Considerando a inexistência da ameaça comunista soviética, presente nos discursos dos anos de 1950 e ditadura militar, temos hoje a clara disputa entre Estados Unidos e China pelo controle de áreas potenciais ou produtoras de petróleo.

Uma frase do presidente estadunidense Barack Obama, em seu discurso do Estado da União em 2014 revela o grau da disputa: “Os Estados Unidos não deixarão que a China escreva as regras para a Ásia.”

Esta promessa inclui ações no sentido de dificultar o controle de áreas com potencial petrolífero no Mar do Sul da China armando, reequipando os exércitos da região contra os chineses ou criar obstáculos aos fornecedores deste país como foi o caso do Irã.

Com relação ao oriente movimenta-se a diplomacia da intriga provocando o desequilíbrio no fornecimento petrolífero através da desestabilização interna de países responsáveis pelo fornecimento à Europa ocidental. O exemplo do Iraque e Síria somados a tragédia da Líbia no norte africano ilustram a questão.

Temos a justificativa do uso da força em nome da democracia e liberdade ocultando o modelo de intervenção econômico estatal adotado nos Estados Unidos amparado basicamente no destino da mão de obra juvenil ao exército de ação imperialista associado ao fortalecimento da indústria bélica.
Os princípios impostos aos povos submetidos encontram-se fundados nos dogmas liberais do “livre” comércio e concorrência cujo resultado encontra-se na ampliação do papel dos oligopólios no processo de exploração petrolífera nos países dominados.

Os dados mundiais apontam um crescimento da importância do Brasil para o fornecimento futuro do petróleo. Guardião, infelizmente o termo é esse, de uma grande quantidade deste mineral observa-se a radicalização do processo de entrega deste aos oligopólios.

Quando afirmo guardião, no caso do Estado brasileiro e a propriedade do petróleo, o faço com base nas modificações constitucionais promovidas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, lamentavelmente mantidas nos governos subsequentes, nas quais o bem natural petróleo foi garantido como propriedade da União enquanto a sua transformação em bem econômico, com base no dogma liberal, foi transferido à empresa responsável por sua exploração. A quebra total do monopólio da Petrobras apresenta a sua base no dogma liberal.

A Petrobras resistirá

O presidente Parente de forma arrogante coloca-se acima dos sentimentos e da história do povo brasileiro ao intitular-se como a única voz em condição de apontar o caminho. A fala do atual dirigente da Petrobras representa a fala dogmática dos defensores da continuidade ou aprofundamento do processo de submissão da economia brasileira aos ditames de uma crença cujos deuses encontram-se instalados em Wall Street.

Afirma o defensor da mistificação do mercado que a Petrobras não será privatizada. Oculta, todavia, que o projeto em marcha ignora esse detalhe considerando o enfraquecimento da empresa através do abandono de áreas de exploração e venda criminosa de ativos.

Este processo não apresenta novidade e foi implantado nos anos de 1990 na maioria dos países produtores de petróleo que ousaram um dia nacionalizar a produção. A fórmula é simples: Enfraquecer a empresa e permitir todo tipo de associação com os oligopólios, naturalmente usando o trabalho de pesquisa anteriormente realizado à custa do esforço do povo, para sua posterior transformação em espécie de agencia administradora de contratos. 

O interessante na entrevista de Mr. Parente revela-se no seu entendimento, portanto dos oligopólios, da postura patriótica de nosso povo que embora silenciado na grande mídia entenda perfeitamente a necessidade estratégica da Petrobras.

Desta forma as práticas antipatrióticas tentam confundir atos dos corruptos, com os quais a justiça vai se entendendo e punindo, com a empresa em si. Mostram a Petrobras, cujo controle de reservas a faz ocupar importante colocação mundial, em condições de mendicância sobrando como única alternativa a venda de seu patrimônio como solução para a sua salvação.

Uma empresa petrolífera apresenta o seu valor em função do tamanho das reservas de petróleo controladas diretamente. Vender este controle pode significar a sua salvação? O Brasil encontra-se em posição de finalmente estabelecer uma política econômica do petróleo voltada à autossuficiência.

Esta conquista representará a base de uma economia soberana na qual o poder econômico gerado através da exploração petrolífera apresenta-se como forma de financiamento de um projeto de educação, saúde, segurança, habitação em condições de atender as necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

Somente o fortalecimento da Petrobras através de sua estatização, ao contrário das afirmativas da Folha de São Paulo a empresa  não é estatal, o Brasil apresentará os elementos básicos para a garantia de uma política de desenvolvimento e consequente libertação das amarras imperialistas.


A Petrobras não representa um dogma Sr. Parente. Ao contrário; representa o rompimento do dogma de 500 anos que atrasa o desenvolvimento do Brasil. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Petróleo e poder econômico do Estado Islâmico A relação obscura entre terrorismo e o sistema financeiro internacional




Petróleo e poder econômico do Estado Islâmico
 A relação obscura entre terrorismo e o sistema financeiro internacional

 Wladmir Coelho

O chamado Estado Islâmico (EI) controla um território calculado em 210 mil quilômetros quadrados envolvendo parte da Síria e do Iraque. O domínio desta vasta região possibilitou o acesso e exploração econômica de campos petrolíferos, mineração, agricultura, estações de rádio e televisão.

Os militantes do EI não convertem-se em operários, agricultores, funcionários públicos no momento da ocupação destas áreas preferindo estabelecer um sistema de tributação e no caso do petróleo aplicam a regra máxima do liberalismo garantindo à iniciativa privada a sua produção e comercialização.

As informações referentes ao volume de recursos a disposição do EI apresentam variações e os cálculos mais pessimistas mostravam, em dezembro de 2014, a existência de dois trilhões de dólares em ativos e um rendimento diário de três milhões de dólares somente com o contrabando de petróleo.

Naturalmente a movimentação destes valores financeiros necessita do apoio do sistema bancário internacional possibilitando, inclusive, o saque em caixas eletrônicos dos salários para os terroristas do grupo espalhados por diferentes pontos do planeta ou compra de armamentos e veículos, de luxo ou combate, da Toyota e outras marcas incluindo estadunidenses.

Como fonte de recursos financeiros o EI também atua em: tráfico de pessoas, venda de antiguidades, sequestro. Também recebem doações dos príncipes árabes e alguns pesquisadores ainda detectam a presença destes terroristas no mercado das drogas.

O poder econômico do EI fundamenta-se, principalmente, no controle de áreas produtoras de petróleo e nestas encontramos, inclusive, a existência e funcionamento de refinarias.

Apesar dos anunciados bombardeios às refinarias o EI revela a sua capacidade de sobrevivência ao importar as chamadas refinarias modulares ou mini refinarias que construídas em blocos e ligadas por tubos possuem a condição de transferência ou de rápido reparo das partes danificadas.

Para meditação: As fábricas destes modelos de refinarias encontram-se, em sua maior parte, nos Estados Unidos e na China. O pacote de venda inclui desde o estudo do tipo de petróleo a ser refinado a eventual manutenção.

Apesar de denominadas também de mini refinarias trata-se de uma estrutura de tamanho considerável percorrendo um longo caminho da fábrica até o seu comprador e não devemos esquecer que o negócio com os fabricantes dificilmente foi fechado em dinheiro vivo.

O Estado Islâmico e o petróleo roubado da Síria

Em fevereiro de 2015 o insuspeito The Washington Institute for Near East Policy informava que “o contrabando de petróleo bruto e derivados é fundamental a manutenção do Estado Islâmico”.

A este respeito torna-se necessário entender a importância do petróleo para economia da Síria. Sobre o tema o Congressional Research Service dos Estados Unidos em abril de 2015 comunicava aos senadores e deputados dos Estados Unidos que o petróleo até 2011, antes da guerra civil, representava para a Síria 25% de suas receitas e 45% de suas exportações.

Além do conflito armado, completava o informe oficial, as sansões dos Estados Unidos contra o governo Bashar al-Assad, contribuíram para a queda e impedimentos legais para a comercialização do petróleo sírio.

Assim não fica difícil concluir que o espaço comercial torna-se, inclusive em função do bloqueio comercial da Síria, aberto aos contrabandistas prontos para atender a qualquer interessado.

Retornando ao informe do Congresso dos Estados Unidos o controle das áreas produtoras de petróleo na Síria encontram-se controladas pelo EI enquanto as instalações de exportação continuam em poder do governo.

Ao que sabemos este fato não impediu o contrabando de petróleo por parte do EI considerando o conteúdo do citado informe do Congresso dos Estados Unidos: “O petróleo [controlado pelo EI] é enviado por caminhões à fronteira com a Turquia e vendido a corretores de petróleo”.

Neste sentido o informe do The Washington Institute for Near East Policy completa: “O contrabando de petróleo bruto e derivados é fundamental para a manutenção do Estado Islâmico (...) gerando entre dois e três milhões de dólares ao dia”.

As sanções econômicas na origem das redes de contrabando
A culpa é do Saddam

Os Estados Unidos apresentam de forma rotineira a punição comercial aos governantes que não atendem de forma satisfatória as suas determinações. A vitimas deste ato autoritário e imperialista constituem, via de regra, de países produtores de petróleo com limitado poder de defesa militar.

Não raramente segue-se ao bloqueio a formação de um “exército rebelde” que da noite para o dia apresenta-se bem armado dominando vastas áreas com potencial ou produtoras de petróleo.
Os casos mais recentes encontraremos na Líbia e Síria. No passado, não muito distante, O Iraque passou por um roteiro semelhante com consequências cruéis para a população civil.

Ao privar um país da comercialização de sua principal fonte de riqueza a consequência imediata foi a fome. Este fato escandalizou o mundo obrigando a criação pela ONU, como forma de “humanizar” o bloqueio dos Estados Unidos, o programa “petróleo por alimentos” permitindo o escambo do mineral por produtos alimentícios.

O resultado paralelo do bloqueio ao Iraque foi a criação de uma rede de contrabando base do atual modelo existente na fronteira com a Turquia conforme revela o anteriormente citado informe do The Washington Institute for Near East Policy: “A atual rede de contrabando de petróleo utilizada pelo Estado Islâmico é antiga e foi iniciada por Saddam Houssein em função do embargo comercial”.

O EI um inimigo dos Estados Unidos?

Desde julho de 2014 os Estados Unidos, detentor de um poderoso complexo de guerra, combatem diretamente o EI apresentando resultados pífios no campo militar e econômico.

A este respeito David S. Cohen, ex subsecretário para o terrorismo e inteligência financeira dos Estados Unidos, revelava em outubro de 2014: “Do mesmo modo como acontece com o resto da campanha [militar] contra o Estado Islâmico, nossos esforços para combater o seu financiamento vai levar tempo. Nós não temos nenhuma bala de prata, nenhuma arma secreta para esvaziar os cofres do Estado Islâmico da noite para o dia.”

Vejamos: O Estado mais poderoso do mundo do ponto de vista militar e inteligência que consegue espionar os dirigentes de países como a Alemanha, segundo um membro de seu governo, não possui informações suficientes para barrar no campo militar e econômico um grupo de terroristas constituído, em sua base, por adolescentes?

O EI não brotou de um poço de petróleo no Iraque em 2014 o grupo terrorista articula-se com outras forças desde 2004 existindo grande dificuldade para uma pessoa normal acreditar no desconhecimento dos Estados Unidos dos objetivos e atividades de seus membros.

A este respeito o professor Gunter Meyer – diretor do Centro de Pesquisa para o Mundo Árabe da Universidade de Mainz – apresenta uma interessante afirmativa publicada em junho de 2014 no site do Deutsche Welle: “A fonte inicial do financiamento do Estado Islâmico tem origem nos países do Golfo [Pérsico] principalmente a Arábia Saudita, Qatar, Kuwait e os Emirados Árabes Unidos”.

E continua o professor Meyer ao explicar o apoio destes aliados de primeira hora dos Estados Unidos ao EI: “A motivação deste apoio é a luta contra o regime do presidente Bashar al Assad na Síria”.
Quanto a convivência ou conivência entre os Estados Unidos e EI o professor Meyer apresenta uma constatação demolidora: “Durante a conquista de Mosul [Iraque] os membros do Estado Islâmico ostentavam grande quantidade de armas e veículos estadunidenses”.

O controle de áreas produtoras de petróleo no Iraque desde 2013 possibilitou ao EI a produção de pelo menos 10 mil barris ao dia.
Armas e acesso facilitado ao sistema financeiro internacional constituem poderosos insumos ao fortalecimento do Estado Islâmico. A origem apresenta-se de forma cristalina.

Sistema financeiro internacional e terrorismo

Enquanto o governo dos Estados Unidos revela a sua “surpresa” e “perplexidade” diante do poderio econômico e militar do EI um grupo de antigos combatentes feridos no Iraque após um ataque terrorista resolve processar os bancos Credit Suisse AG, HSBC, Standard Chatered, Royal Bank of Scotaland e Barclays PLC.

Estes veteranos de guerra e familiares dos militares mortos exigem, desde novembro de 2014, uma indenização de 150 milhões de dólares dos bancos, que segundo eles, possibilitaram a movimentação dos recursos financeiros do grupo terrorista responsável pelo atentado.

Observe: Uma associação de ex-combatentes conseguiu rastrear o movimento financeiro de um grupo terrorista envolvendo, pelo menos, cinco bancos internacionais. Enquanto isso o governo do país que controla um gigantesco sistema de espionagem afirma não possuir uma “bala de prata” para colocar fim no poder econômico do IE.

Talvez a arma secreta sonhada pelo antigo subsecretário David S. Cohen não seja tão secreta assim.

O The Financial Action Task Force (FATF), entidade intergovernamental responsável pelo combate a lavagem internacional de capitais financeiros, apresentou em seu relatório de fevereiro de 2015 um roteiro básico da movimentação financeira do EI.

Apesar de resaltar que “uma parcela significativa dos dados relacionados a este assunto é de natureza sensível tornando-se por isso restritos ao conhecimento público” o relatório da FATF confirma o petróleo como principal fonte de recursos do IE e revela a existência de um sistema bancário próprio deste grupo associado aos órgãos financeiros internacionais e foram detectados depósitos em numerário excessivos em contas nos Estados Unidos transferidos em seguida para áreas próximas daquelas controladas pelo EI.

Como forma de facilitar esta integração financeira somente no território iraquiano controlado pelo EI, principalmente em Mosul, existem 90 sucursais de bancos internacionais que continuam operando inclusive com serviço de caixas eletrônicos cuja estrutura parece imune aos bombardeios.

O EI quando o assunto é respeito a propriedade privada dos bancos atua de forma curiosa segundo o relatório do FAFT “o dinheiro existente em bancos estatais passa a ser propriedade do Estado Islâmico” enquanto aqueles encontrados nos bancos privados são religiosamente respeitados aplicando-se ao correntista “uma tributação no momento do saque”.

Com relação ao banco estatal do Iraque, continua o relatório do FAFT: “Estima-se que o Estado Islâmico passou a controlar meio bilhão de dólares de bancos estatais no Iraque”. O documento não apresenta com clareza como este recurso seria utilizado em transações internacionais considerando a necessidade de sua conversão em moeda estadunidense cuja abundancia na região do Golfo Pérsico é bastante conhecida. 

A resposta para a forma de conversão dos dinares em dólares talvez encontremos a partir da liberação da “parte sensível” do relatório.
O escritório de advocacia Duhaime especializado em análise para grandes empresas, governos e corporações a respeito de atividades financeiras dos grupos terroristas é responsável pela elaboração de um documento muito acessado por interessados em compreender a movimentação dos recursos financeiros do EI.

Neste documento intitulado White Paper on Islamic State, lançado em maio de 2015, estranha-se que “Até a data do lançamento deste documento os setores públicos ou privados pouco realizaram para detectar ou prevenir o financiamento do Estado Islâmico” e completa com relação a movimentação dos recursos decorrentes da principal fonte de renda do EI: “Não é possível um comércio de petróleo sem o envolvimento e apoio de instituições financeiras de forma voluntária ou não”.

 

Vejam que a autora é delicada e oferece o beneficio da dúvida ao sistema financeiro internacional que é conhecido e reconhecido, desde a renascença, pela inocência e bondade de seus dirigentes.

 

Continuando: O documento ora em análise informa que o Banco Mosul continua operando, com gestores do EI, realizando normalmente suas operações de pagamento e transferências e portanto, ligado ao sistema financeiro mundial.

 

O mesmo, o funcionamento dos bancos, ocorre na região da Síria controlada pelo Estado Islâmico observando-se, reafirma-se, a manutenção dos caixas eletrônicos.

 

Turquia a sede econômica do ISIS?

 

 

Neste ponto resgatamos o Sr. David S. Cohen, ex subsecretário para o terrorismo e inteligência financeira dos Estados Unidos que revela em documento citado anteriormente neste texto: “Quem em última análise está comprando esse petróleo [comercializado pelo Estado Islâmico]? De acordo com nossas informações, desde o mês passado [setembro de 2014] o Estado Islâmico vende a baixo preço a uma variedade de intermediários incluindo alguns da Turquia (...) parece também que parte do petróleo foi vendido a curdos no Iraque e depois revendidos a Turquia.”.

 

As informações até aqui apresentadas em sua maioria originadas de instituições oficiais dos Estados Unidos revelam que a Turquia – um importante aliado dos Estados Unidos – apresenta um papel fundamental na comercialização da principal fonte financeira do Estado Islâmico.

 

Neste ponto o anteriormente citado White Paper on Islamic State aprofunda a questão revelando que: “Segundo informações da imprensa turca o Estado Islâmico possui um consulado em Ancara – de forma ostensiva – que emite vistos oficiais e administra grandes residências e automóveis blindados para seus líderes.”

 

Prossegue o documento afirmando que o uso do sistema bancário, neste caso, é facilitado através da criação de empresas na Turquia e utilização do sistema bancário internacional a partir deste país.

 

E oferecendo o beneficio da dúvida completa: “Empresas de serviços financeiros dos Estados Unidos também fornecem serviços aos membros do Estado Islâmico no Iraque, na Síria e também na Turquia e no Líbano sem dúvida de forma inconsciente”.

 

No território de um outro aliado dos Estados Unidos o beneficio da dúvida perde força e informa a autora em análise: “No Katar os terroristas do Estado Islâmico tornam-se clientes preferenciais ou VIPs e através dos bancos locais aplicam em qualquer parte do mundo incluindo em fundos internacionais”

 

O sistema financeiro internacional condena 

a humanidade às trevas

 

A associação do poder econômico gerado a partir da exploração petrolífera aos totalmente desregulamentados bancos internacionais revela a crueldade de um sistema cujo único objetivo encontra-se no lucro.

 

Esta tenebrosa associação não ocorre apenas entre o EI e bancos revela-se de forma cristalina inclusive entre os detentores do oligopólio do petróleo cujo papel no modelo de sustentação econômica do EI necessita de uma análise cuidadosa.

 

Afinal quem garante o fornecimento de equipamentos de exploração, treinamento de mão de obra para o funcionamento dos campos petrolíferos controlados pelo EI?

 

Devemos ainda considerar que a queda na produção de petróleo no Iraque e a venda, através da Turquia, de petróleo contrabandeado a preços inferiores aos praticados no mercado, contribuem efetivamente para a manutenção da política deliberada que prejudica as economias de países como Venezuela, Rússia e Irã.

 

Esta prática também favorece a reserva de grandes quantidades de petróleo em áreas de fácil exploração enquanto os Estados Unidos utilizam-se do petróleo derivado do xisto reservando para o futuro o petróleo fruto destas regiões em conflito.

 


O capital mata para garantir a sua reprodução enquanto isso os detentores do monopólio da informação enganam os trabalhadores apresentando a farsa do noticiário no qual homens bons combatem homens maus. Na realidade associam-se de forma subterrânea aos assassinos. 

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