terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Guerra pelo petróleo




Guerra pelo petróleo

Wladmir Coelho

A militarização do Atlântico Sul, efetivada pela 4ª Frota dos Estados Unidos, recebe um reforço da Armada Inglesa. Tudo para garantir o controle do petróleo da América do Sul.

A dupla Estados Unidos e Inglaterra movimentam suas tropas para garantir o controle colonial das áreas produtoras ou detentoras de grandes reservas petrolíferas ainda não exploradas em sua plenitude.   
O caso iraniano, em função da importância deste país para o fornecimento mundial de petróleo, recebe grande atenção da mídia e apesar dos esforços do oligopólio da informação em reduzir a ameaça de invasão do Irã ao fato combate as armas de destruição em massa não existe aquele ser humano, possuidor de inteligência mediana, que não associe ao petróleo os verdadeiros motivos do conflito.
O cerco ao Irã necessita de uma operação complexa envolvendo o controle político da Síria como forma de isolamento dos persas e enfraquecimento da presença militar russa no Mediterrâneo. Como sabemos no cenário de guerra previsto para o controle do Irã a Rússia é classificada como aliada deste país e possui, justamente na Síria, uma base militar naval cujo poder de fogo foi acrescido desde o final de 2011 com pelo menos um porta aviões, submarinos e mísseis balísticos.
Enquanto ao caso iraniano aplica-se o clássico conto das armas de destruição em massa – lembrai-vos do Iraque – no Atlântico Sul as forças coloniais apresentam-se menos sutis e revivendo os dias de glória a esquadra britânica envia de forma despudorada forças navais, incluindo a jóia da Armada, devidamente protegida por um submarino nuclear.
Nesta ocupação militar a monarquia inglesa (existiria um regime mais ridículo?) aproveita para promover o príncipe herdeiro que divide o seu tempo nesta missão entre divertir-se pilotando um avião e posar para fotos vestindo uniformes militares em tentativa patrioteira de levantar o moral da elite britânica fortemente abalada em função da crise econômica.
Apenas um questionamento. O leitor já imaginou que tipo de repercussão resultaria da imagem do filho do presidente da Venezuela, eu nem sei se ele tem um filho, usando uniforme militar pilotando um caça em qualquer região do planeta? Sabemos todos a resposta.
Retomando. Uma força militar inglesa sem justificativa aparente está ocupando o sul do nosso continente. O motivo oficial seria um exercício de rotina para proteger um enclave colonial - sim eles ainda existem ! - as Ilhas Malvinas.
A Argentina, que não possui bomba atômica, reivindica a soberania das Malvinas. Os ingleses para militarizar a região não podem, deste modo, usar a desculpa da arma de destruição em massa para proteger a sua colônia. Assim utilizam do aniversário de 30 anos da guerra contra os argentinos como justificativa.
Certamente, com seu apego a tradição supersticiosa dos magos, os ingleses consultaram os astros e receberam algum tipo de informação mágica dando conta da tomada da ilha a cada 30 anos pelos argentinos.
Independente da magia o potencial petrolífero das Malvinas merece nossa atenção. Estima-se um volume de 8,3 bilhões de barris existindo cálculos que elevam este número para 60 bilhões de barris.
Somente a empresa Rokhopper possui em seu bloco estimativas de 350 milhões de barris, mas ao buscar financiamento alega um potencial de 500 milhões. A Coroa, que encontra-se em apuros financeiros estima arrecadar nas Malvinas, somente em royalties, 180 bilhões de dólares.
A Inglaterra possui vasta experiência em controlar na marra áreas petrolíferas fora de seu território. A atual British Petroleum (BP) nasceu assim e por coincidência no Irã quando no início do século XX o Lorde do Almirantado, Winston Churchill, resolveu substituir o carvão por um óleo derivado do petróleo para movimentar os navios de guerra.
Mohamed Mossadegh 
Este controle durou até os anos 50 quando o governo de Mohamed Mossadegh nacionalizou pela primeira vez o petróleo iraniano. Depois desta nacionalização os Estados Unidos – ironicamente com apoio dos aiatolás – realizaram um golpe contra Mossadegh instituindo uma monarquia que entregou o petróleo às empresas estadunidenses.
Em nossos dias as duas potências realizam um acordo quanto a divisão das áreas produtoras reservando o petróleo iraniano, em sua maior parte, para os Estados Unidos enquanto os ingleses assumem, dentre outras regiões, as ilhas Malvinas.
Lembre-se: O Brasil, abençoado por Deus e bonito por natureza, também localiza-se no Atlântico Sul e possui petróleo em grande quantidade ainda não explorado. A legislação brasileira, ao contrário da iraniana ou venezuelana, permite a livre exploração por empresas estrangeiras que tornam-se proprietárias do petróleo retirado das profundezas do pré-sal ou dos blocos em terra. Ao que tudo indica para o Brasil não há necessidade de navios de guerra afinal possuímos um governo pacifico e cordial.




  

   

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Lagarde e o petróleo da Nigéria e Brasil




Lagarde e o petróleo da 
Nigéria e Brasil

Wladmir Coelho


Em dezembro de 2011 a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde em visita oficial a Nigéria cobriu de elogios o modelo econômico adotado naquele país. As palavras de incentivo e reconhecimento da diretora do FMI foram amplamente reproduzidas afinal o país apresenta números importantes, a saber: O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou um crescimento de 7% em 2011, a produção de petróleo é a maior da África e quando falamos em PIB per capita o valor ultrapassa os 2 mil dólares.
Naturalmente, quando observamos o PIB per capita, devemos considerar que existem membros da elite local e internacional apropriando-se, individualmente, da quota-parte de pelo menos mil cidadãos pobres gerando um quadro real de pobreza absoluta ocupando o país africano o 158º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Madame Lagarde conhece perfeitamente estes problemas e antes de visitar a Nigéria mandou publicar no site oficial do FMI: “Um novo projeto de processamento de petróleo e urânio está pronto para impulsionar o crescimento econômico da Nigéria no próximo ano [2012]”
Mas qual seria este novo projeto? De modo concreto observou-se, três dias após a visita da diretora do FMI, um gigantesco derramamento da Shell poluindo 120 quilômetros do litoral nigeriano. Fato em nada novo na história daquele país.
O “novo projeto”, ao que parece, preservou a mesma fórmula de extração predatória procurando o maior lucro negando-se as mínimas condições de segurança.
 A preocupação de madame Lagarde certamente não está nas condições de vida do povo nigeriano. O FMI está de olho no crescimento da dívida externa do maior produtor de petróleo africano cujo volume não para de crescer ameaçando o fluxo de recursos para os bancos europeus e estadunidenses.  
            Para garantir o pagamento dos títulos aos bancos o governo, dentre outras medidas, cortou o subsídio dos combustíveis gerando um aumento absurdo nos preços dos alimentos e transportes. A reação da população não poderia ser outra a não ser a convocação de uma greve geral somada a revolta em diferentes pontos do país obrigando um tímido recuo do governo em seus atos anti-populares. 

Lagarde no Brasil

            A diretora do FMI esteve no Brasil no mesmo mês de dezembro de 2011 e seguiu rigorosamente o script. Elogiou o modelo econômico nacional e declarou que o país pode servir de exemplo para as potências em crise.
            Obediente o governo brasileiro não demorou em dar o exemplo. Somando-se aos cortes rotineiros à educação e saúde o ministro Edison Lobão anunciou a decisão da presidente Dilma Rousseff que autoriza os novos leilões para o setor petrolífero neste ano de 2012.
            A exploração predatória do petróleo no Brasil está em marcha e segue o modelo internacional no qual as normas de segurança tornam-se supérfluas conforme provam o vazamento da Chevron somados ao aumento de acidentes envolvendo os trabalhadores do setor.


Brasil, Nigéria e segurança energética

A política econômica do petróleo no Brasil segue os passos do entreguismo o mesmo ocorrendo na Nigéria. Existem grandes diferenças entre os dois países isso é evidente. Entretanto igualam-se na abdicação do uso do poder econômico do petróleo em beneficio do desenvolvimento nacional.
            O Brasil garante com seu modelo de exploração petrolífera a compra dos títulos das empresas européias e estadunidenses tudo isso intermediado pelos bancos internacionais. Este é o exemplo que madame Lagarde aponta e de forma patrioteira a grande imprensa alardeia com todo apoio do governo. Neste momento não existe PIG ?
            Somados a esta questão existe ainda a ameaça de uma guerra de proporções mundiais envolvendo as intenções dos Estados Unidos em controlar o petróleo do Irã principal fornecedor de petróleo ao governo da China.
            E o Brasil? Na hipótese, não muito remota, de uma crise de abastecimento em função do fechamento do Estreito de Ormuz e conseqüente elevação dos preços do petróleo continuará de mãos amarradas impedido de implantar uma política que atenda os interesses nacionais?
            Lembre-se a atual política econômica do petróleo retirou da Petrobrás o monopólio existindo inúmeros entraves, em função da abertura do mercado nacional, a fixação de preços desconsiderando-se o preço internacional. É exatamente isso que acontece na Nigéria. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A maldição do petróleo revisitada






A maldição do petróleo revisitada
José de Souza Castro 

Paulo Silva, em comentário ao meu artigo anterior neste blog, recomendou a leitura de uma entrevista de Wladmir Coelho, pesquisador da Fundação Brasileira de Direito Econômico (FBDE), para aprofundar o debate sobre o Pré-Sal. A entrevista pode ser lida aqui. “O modelo de exploração do petróleo brasileiro, infelizmente, segue a nossa terrível tradição colonial”, afirma o entrevistado.
Nem sempre foi assim, é óbvio. O professor Washington Albino, um dos 17 fundadores da FBDE, em 1972, e que faleceu em junho passado , foi um dos batalhadores para que o petróleo do Brasil fosse dos brasileiros, ao participar no início da década de 1950 da campanha “O Petróleo é nosso”. Uma campanha vitoriosa, que deu origem à Petrobras e ao monopólio estatal, quebrado na década de 1990, no governo Fernando Henrique Cardoso, e aprofundado na década seguinte, no governo Lula, com a legislação do Pré-Sal.
O que não mudou, infelizmente, foi o comportamento da imprensa brasileira em relação à exploração petrolífera. Nos anos 50, o mais ouvido programa noticioso no rádio e na televisão era o Repórter Esso. Ele ignorou aquela campanha e, sempre que pôde, caluniou os defensores da Petrobras, como afirma Wladmir Coelho, que se apresenta também como historiador, mestre em Direito e colunista do Diário Liberdade.
“O modelo Repórter Esso continua”, lamenta Wladmir Coelho, referindo-se à relutância de nossa imprensa em entrar no caso do derramamento de petróleo na área do Pré-Sal sob exploração da Chevron e de se aprofundar no assunto. A imprensa fez ainda pior, como reconhece o entrevistado: “O acidente aconteceu em um campo cuja operação de perfuração encontra-se sob responsabilidade da Chevron e os jornais ainda encontram meios de responsabilizar a Petrobras. Isso não é sério.”
Nada indica, também, um rompimento de nossa tradição colonial, e deveremos continuar sendo um país explorado. Raciocina Wladmir:
“A exploração predatória do Pré-Sal assume hoje um papel pouco debatido diante da crise financeira mundial. Trata-se da destinação dos eventuais recursos decorrentes da exploração, pagos ao Estado, à formação de um fundo para compra de títulos (públicos e privados), contribuindo deste modo para a retirada de circulação dos famosos ativos tóxicos encalhados nos cofres dos banqueiros.”
Estamos à mercê da chamada maldição do petróleo, como apontamos num artigo comemorativo da 300ª edição do Boletim de História. Maldição também lembrada por  Wladmir Coelho neste artigo.
De fato, o governo se rendeu à indústria petrolífera mundial e, entre elas, à mais funesta: Chevron, uma empresa com valor de mercado de 187 bilhões de dólares, apesar do desastre que uma empresa contratada por ela para trabalhar na costa brasileira provocou no Golfo do México e ela própria se lambuzou no Equador. No Brasil, a Chevron foi multada em pouco mais de 200 milhões de reais pelo governo federal. No Equador, “esta empresa envenenou a água da população amazônica derramando, conscientemente, refugo em rios”, diz Wladmir, naquela entrevista. “Ao ser denunciada, adulterou dados, subornou juízes e, sendo condenada, falsificou uma limpeza. Até hoje a multa de US$ 18 bilhões não foi paga.”
No Brasil, há também juízes subornáveis, e nada indica que a multinacional americana vai pagar as multas que lhe foram aplicadas pelo desastre na área do Pré-Sal, muito embora elas sejam irrisórias, tendo em vista o prejuízo causado e o valor de mercado da empresa. A Chevron fará qualquer coisa para não pagar, pois ela é orientada unicamente pelo lucro. E o governo Dilma pouco fará para receber, pois ele também se orienta, como os dois que o precederam, na máxima do fundamentalismo liberal de mínima regulação e na crença da autofiscalização e da gestão responsável das empresas.
 E temos que nos dar por satisfeito, se ficarmos apenas no prejuízo econômico e ambiental. Na África, nos anos 1990, como recorda Wladmir Coelho, a Chevron teria promovido um massacre de camponeses nigerianos que protestavam contra a morte do gado envenenado por derramamento de petróleo. “A Chevron contratou a polícia para matar os camponeses”, informa o historiador e mestre em Direito.
Por coincidência, terminei ontem a leitura de “O Dia da Caça”, escrito em 2008 por James Petterson. O escritor, um patriota americano que já vendeu 230 milhões de livros em mais de 100 países, segundo sua editora no Brasil (a Arqueiro), descreve o massacre de nigerianos e sudaneses, sob o olhar complacente da CIA e de multinacionais americanas, inglesas, holandesas, entre outros países colonizadores, mas não cita a Chevron. Os vilões da história são dois agentes vendidos da CIA e empresas petrolíferas da… China!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Governo brasileiro abriu mão do controle da política econômica do petróleo




Governo brasileiro abriu 
mão do controle da política econômica do petróleo



Escrito por Gabriel Brito, da Redação
Quarta, 07 de Dezembro de 2011
No último dia 7 de novembro, o Brasil finalmente teve uma dura lição sobre as conseqüências da entrega da soberania nacional a empresas estrangeiras. Operadora do campo de Frade, na Bacia de Campos, a empresa anglo-americana Chevron causou o maior desastre ambiental da história do país ao permitir vazamento de óleo do poço que perfurava. Após primárias investigações, já se notou enorme negligência da empresa e uso de equipamentos ultrapassados e envelhecidos – além de fiscalização nula.
Ainda não se pode medir a proporção do desastre, mas sim a leniência do governo brasileiro, que, através do Ibama e ANP (a Agência Nacional do Petróleo, dominada pelo PC do B), anunciou multas irrisórias e pareceu mais trabalhar como advogado da empresa. Esta, por sua vez, repetiu sua conduta criminosa já vista em outros países e tratou o tempo todo de mentir e dissimular sobre o tamanho do vazamento. Para isso, contou com prestimosa ajuda da mídia, velha associada dos cartéis de petróleo, de modo que o desastre da BP no Golfo do México tomou conta dos nossos noticiários com muito mais força e rapidez do que o vazamento ocorrido em nosso próprio país...
Diante de tamanho quadro de confusão do público, o Correio da Cidadania entrevistou o economista e estudioso da área petrolíferaWladmir Coelho. Dono de blog que publica artigos sobre o assunto, Wladmir denuncia o caráter depredador e imediatista da exploração do ouro negro.Para continuar a leitura clique AQUI 


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Em 1974 José Sarney – fortalecendo o coro contra a Petrobras –tentou quebrar o monopólio do petróleo.
A idéia não foi levada a sério restando ao então senador da ARENA retirar a iniciativa. Na verdade o governo militar – por incrível que pareça -  foi mais sutil e criou o chamado Contrato de Risco que na prática retirou a Petrobras das pesquisas em terra. Na foto o general Geisel, Sarney e o atual ministro das Minas e Energia Edison Lobão.

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