domingo, 11 de setembro de 2016

SEGURANÇA ENERGÉTICA DO BRASIL



SEGURANÇA ENERGÉTICA DO BRASIL

Quem se preocupa?

Wladmir Coelho

O controle das áreas com potencial ou produtoras de petróleo constitui uma antiga prática dos oligopólios internacionais. No Brasil, desde o final do século XIX até a criação da Petrobras em 1953, a Standard Oil impediu a exploração petrolífera nacional através da aquisição de extensas áreas com potencial produtivo.

Neste ponto recordamos que até o final da IIª Guerra Mundial os Estados Unidos encontravam-se na posição de maior produtor mundial de petróleo e suas empresas – Standard Oil à frente – controlavam a produção mundial.

Assim ao ocupar áreas com potencial produtivo – sem contar o controle exercido no setor de refino e distribuição - temos a política econômica de uma empresa privada estrangeira a controlar ou influir diretamente na segurança energética nacional.

O controle destas áreas representa não somente uma condição comercial ao modo do laissez-faire. Controlar, regulamentar a exploração petrolífera revela-se um aspecto fundamental à segurança energética nacional.

Estados Unidos e Reino Unido mostram exemplos da necessidade desta regulamentação. Estes estados transformaram em interesses nacionais o controle de áreas produtivas em todo o planeta através de suas empresas mantidas e criadas com elevados subsídios e protegidas internacionalmente através da diplomacia da corrupção e forças militares.

Contrariando o discurso neoliberal a indústria petrolífera não conhece a chamada autonomia em relação ao Estado. Em nossos dias o consumo estatal de petróleo nos Estados Unidos, representado nas forças armadas, constitui um exemplo do uso da guerra como forma de lucro. Guerras pelo controle do petróleo em sua maior parte. As forças armadas estadunidenses encontram-se na 34ª posição entre os maiores consumidores de petróleo do mundo.

Lembre-se: A indústria petrolífera recebe subsídios oficiais, encontra-se protegida militarmente e quando esbarra com uma fronteira fechada utiliza o canhão estatal movido, inclusive, pelo combustível vendido aos exércitos.

No Brasil a dinâmica repete-se por enquanto sem o uso dos canhões bastando para esse fim o discurso falso da incompetência estatal. Em 1957 o jornalista Epitácio Caó escreveu o livro “Eu vi o trust por dentro” no qual relatava o trabalho ideológico realizado através da imprensa, com farta distribuição de dinheiro para propaganda, através de artigos, reportagens, debates favoráveis aos oligopólios internacionais.

Passados 59 anos da denuncia de Epitácio Caó temos, ainda, um mundo movido a petróleo, todavia a existência do mineral em áreas de fácil acesso encontra-se extremamente reduzidas. Em 2015, por exemplo, ocorreram 191 descobertas de novas regiões para exploração contra a média de 430 até 2006. Em 2016 até o mês de julho foram apenas 60 descobertas.

A campanha contra a Petrobras é resultante da estratégia dos oligopólios internacionais do petróleo no sentido de controlar os poucos territórios que ainda permitem novas descobertas.

Estes oligopólios patrocinam o discurso da livre concorrência e competência empresarial nos meios de comunicação encontrando o apoio de ancoras, comentaristas e especialistas que ocultam da população o caráter financiador e protetor do Estado deste setor.


Escondem ainda em seus comentários, de falsa isenção, a política internacional de submissão do Brasil aos interesses da política econômica dos grupos internacionais. A segurança energética do Brasil encontra-se seriamente ameaçada diante da prática de entrega da Petrobras ás necessidades da política econômica do petróleo dos grupos estrangeiros.

domingo, 21 de agosto de 2016

PETROLÍFERAS NÃO PAGAM IMPOSTOS




PETROLÍFERAS NÃO PAGAM IMPOSTOS

Wladmir Coelho

Os seguidores da ideologia neoliberal defendem a entrega da Petrobras aos oligopólios internacionais em troca do recebimento de impostos. Essa proposta, apresentada como a salvação nacional, desconsidera uma característica fundamental da indústria petrolífera: a existência, em todo o planeta, de um pesado modelo de financiamento estatal os chamados subsídios.

Ironicamente esse financiamento aparece, principalmente, na forma de isenção de impostos. Em 2015, somente nos chamados países do G20, o valor dos investimentos oficiais no setor atingiu a marca de 444 bilhões de dólares ficando a liderança do patrocínio publico, do competente setor privado, com os Estados Unidos.  

Naquele país a industria petrolífera privada recebe anualmente, de acordo com dados oficiais, um subsidio de 4 bilhões de dólares podendo chegar, segundo grupos que acompanham a questão, a 50 bilhões de dólares anuais.

Essa prática existente nos Estados Unidos, pelo menos desde a Iª Guerra Mundial, é adotada como forma de estimular a segurança energética nacional ou a exploração em áreas de difícil acesso a exemplo das águas profundas.

No Reino Unido a história também revela o Estado como financiador do setor privado do petróleo a partir do mesmo período, inicio do século XX, quando o então Lorde do Almirantado, Winston Churchill, determinou o uso de combustível derivado do petróleo nos navios de guerra da Marinha Real.

Para garantir o abastecimento da armada foi necessário transformar o Estado em sócio oculto da atual British Petroleum que explorava petróleo no Irã. Vejam: O Estado era sócio oculto de uma empresa integrante da política de segurança nacional em um território estrangeiro.

Apenas para comparar: Enquanto os Estados mais poderosos investiam, no inicio do século XX, no setor petrolífero, o Brasil abria suas fronteiras às empresas ditas privadas que apesar de afirmarem a inexistência de petróleo em nosso país não paravam de comprar áreas com potencial produtivo.

Somente em 1953, com a criação da Petrobras, o Brasil instituiu uma política econômica para o setor petrolífero.

A negativa do setor petrolífero em pagar impostos nos Estados Unidos (seria diferente no Brasil?) revela situações pouco comentadas nas rodas neoliberais. Os entreguistas ocultam situações como observadas no estado da Louisiana.

Naquele estado a elevação do nível do mar acarreta a inundação das áreas mais baixas nas quais encontram-se exatamente as empresas petrolíferas. Durante anos esse setor recebeu do governo da Louisiana e da União incentivos, isenções e patrocínios diversos.

E agora diante do infortúnio o que fazem os poderosos senhores do petróleo? Simplesmente cobram do governo ações de proteção. E o governo? Simplesmente não possui recursos que ultrapassam o valor de 100 bilhões de dólares. E os impostos? Desnecessário dizer que foram descontados como forma de incentivo.


O discurso neoliberal defende simplesmente a entrega do petróleo brasileiro ocultando a tradição de financiamento estatal do setor petrolífero. Ao acabar com a Petrobras prometem os entreguistas, o paraíso através do pagamento de impostos. Mentira: O setor petrolífero mundial não paga impostos e vive a sombra do financiamento público.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

A RESPEITO DA INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA



A RESPEITO DA INTERVENÇÃO

DO ESTADO NA ECONOMIA

Petróleo e militarismo

Wladmir Coelho

O discurso neoliberal demoniza a participação do Estado na economia. Essa máxima da seita tem na repetição do dogma da incompetência estatal o seu fundamento, contudo a hipocrisia destes fundamentalistas do dinheiro oculta a intima ligação entre o Estado e os grandes grupos econômicos.

Nos Estados Unidos, sempre citados pelos fundamentalistas neoliberais como exemplo de não intervenção estatal na economia, o Estado revela-se como grande patrão mantendo a seu serviço um gigantesco contingente de funcionários públicos fardados espalhados em 150 bases militares em todo o planeta.

Os gastos do Estado estadunidense com seus soldados supera os US$ 340 bilhões anuais (isso mesmo bilhões) encontrando-se muito acima dos US$ 48 bilhões gastos no Estado chinês. Os Estados Unidos empregam 1.414.000 funcionários públicos – sem concurso -  somente no setor militar. Acha inchaço da máquina pública!

A intervenção do Estado na economia nos Estados Unidos, por via da militarização, não limita-se ao pagamento dos salários dos soldados assim devemos considerar a poderosa indústria que sobrevive a sombra deste modelo mortífero criando e fabricando armamentos destinados as forças armadas. Em 2009 esse setor recebeu do Estado US$ 712 bilhões em pagamentos.

A indústria bélica dos Estados Unidos existe, basicamente, para atender as encomendas estatais de mísseis, satélites, aviões, embarcações, encontrando-se o setor submetido à fortíssima regulamentação que impede a livre negociação de seus produtos sem a prévia e seletiva autorização estatal.

Neste ponto, a regulamentação da indústria bélica nos EUA, devemos observar a tendência do governo em liberar a venda de armamentos, preferencialmente, aos países localizados em áreas com potencial petrolífero.

Não é coincidência o recente aumento das vendas de armas estadunidenses aos países localizados no Mar do Sul da China. Essa região possui potencial petrolífero e seu controle é vital a política energética chinesa e seu controle é alvo de disputa internacional.

Na América do Sul não é diferente. O sociólogo Moniz Bandeira apresenta estudos reveladores a respeito da  disputa entre EUA e China que mobiliza a ampliação do número de bases militares do primeiro em  nosso subcontinente.

Recentemente foi anunciada a implantação na Argentina, próxima a chamada tríplice fronteira, de uma nova base militar estadunidense. Essa nova unidade militar, associada as existentes na Colômbia e no Peru, garantem o livre acesso dos militares estadunidenses ao Atlântico Sul e Pacifico. Não podemos esquecer do enclave colonial inglês localizado nas Ilhas Malvinas que servem de apoio ao controle do Atlântico região com ricas reservas petrolíferas.

Vejamos neste ponto a incrível associação entre controle das áreas produtoras de petróleo e intervenção estatal na economia. A política energética dos Estados Unidos – e naturalmente das demais potências econômicas – encontra-se muito distante dos dogmas da seita neoliberal notadamente aquele da livre iniciativa.

 O dito setor petrolífero privado executa uma política econômica associada ao poder do Estado (observe: existe o poder econômico estatal) tornando difícil ou impossível a separação entre os interesses de um e outro.

Considerando esse quadro devemos observar que neste momento histórico o controle da Petrobras torna-se um elemento importante para a política de segurança energética dos Estados Unidos.

Para concluir essa política temos, até esse momento, uma ação ideológica amparada na divulgação dos dogmas da seita neoliberal que associam empresa pública à ineficiência e corrupção. Os limites dessa tática, todavia, encontram-se no acumulo de informação do povo brasileiro em relação ao controle colonial, imperial dos Estados Unidos.


Não foi obra do acaso a incerteza política e insegurança administrativa instalados no Brasil. Temos uma ação milimetricamente orquestrada seguindo o roteiro observado em outras partes do planeta. O preocupante fica em relação aos passos seguintes cujo resultado apresenta opções da implantação de ditaduras até a guerra civil.

sábado, 13 de agosto de 2016

Nos tempos de El Rei



A ENTREGA DO PETRÓLEO BRASILEIRO

Nos tempos de El Rei

Wladmir Coelho

O chamado pré-sal brasileiro acumula, pelo menos, 40 bilhões de barris de petróleo reservando ao Brasil um papel destacado no setor energético internacional. Contudo a ausência de uma política para o desenvolvimento nacional somado ao furor exploratório imediatista, predatório de base colonial tratou de criar ou projetar um novo ciclo econômico: O ciclo do petróleo.

Petrobras operadora dos blocos, fundo de investimentos, royalties, conteúdo nacional foram aspectos considerados sem a necessária observação da necessidade de revisão constitucional. Neste caso devemos observar que o controle do petróleo brasileiro e os conceitos de empresa nacional em nossa Constituição sofreram, nos anos de 1990, alterações em obediência aos dogmas neoliberais.

O resultado trágico revela-se na ausência de proteção à Petrobras fragilizada desde a queda do monopólio estatal durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

A consequência: o debate relativo ao pré-sal não apresentou, ou apresenta, espaço à discussão do uso do petróleo como elemento para criação de uma política energética nacional considerando à autossuficiência. Ficou a questão petrolífera nacional reduzida à condição ou expectativa da exportação futura.

Novidade? Nenhuma. O ouro, o diamante, o minério de ferro conheceram e conhecem semelhante trajetória. Pandiá Calógeras, ainda no inicio do século XX, pesquisou e calculou o gigantesco volume de ouro e diamante expropriados do subsolo nacional enquanto Washington Albino apontou a importância do ouro, saqueado do Brasil, para o financiamento da industrialização da Inglaterra no século XVIII.

Os fundamentos deste modelo exploratório permanecem: No passado El Rei distribuía autorizações para exploração aurífera pouco importando o poder econômico decorrente desta. Com o petróleo não é diferente.

Entregue por mais de cem anos, de meados do século XIX até 1953, à iniciativa privada o setor petrolífero no Brasil permaneceu estagnado impedindo, deste modo, a criação de uma política energética nacional.

Vejamos: ao contrário do discurso ideológico liberal o setor privado, apesar do monopólio que exerceu neste longo período, revelou-se totalmente incompetente para iniciar o processo de exploração petrolífera brasileiro.

A proposta dos oligopólios sempre foi preservar as áreas com potencial produtivo para posterior exploração mantendo, naturalmente, a condição de exportação predatória.

Criada a Petrobras temos, pela primeira vez, a possibilidade de controle da exploração petrolífera considerando-se uma política econômica nacional amparada no uso do poder econômico do petróleo. Neste ponto é preciso notar o controle nacional dos bens natural e econômico representados na reserva existente no subsolo sua industrialização e distribuição.

Estes aspectos não existem mais. A ideologia neoliberal quebrou esta cadeia entregando ao setor privado o controle do bem econômico. Este mesmo setor durante 100 anos cuidou de impedir a exploração petrolífera e hoje revela  sua “competência” através do controle das áreas produtivas desenvolvidas a partir do trabalho de pesquisa da Petrobras.

A legitimação do discurso oficial entreguista ocorre através do oligopólio de imprensa responsável pelo bombardeio ideológico antinacional e neoliberal criando a confusão conceitual do atual modelo de exploração petrolífera no Brasil.

A Petrobras continuou e continua apresentada no discurso oficial e meios de comunicação como “empresa estatal”. Este fato oculta a queda da lei 2004 de 1953 e consequente fim do monopólio da empresa mista.

Esta condição, empresa mista, revela outra fragilidade; desde a criação da Petrobras ficou evidente que a única forma de garantir a existência de uma empresa brasileira em condições de enfrentar o poder econômico dos oligopólios internacionais seria através do exercício do monopólio cuja finalidade foi a criação de uma política de autossuficiência.

O discurso oficial, neste caso a soma de governo e setores entreguistas da imprensa, oculta a necessidade da reformulação da constituição no aspecto relativo ao controle do bem econômico petróleo. Na prática o “moderno” discurso governamental de Temer, Parente e outros representa um retrocesso aos tempos de El Rei.


O discurso neoliberal apresenta-se como solução “moderna”, defendem seus seguidores a privatização da Petrobras. Esta prática, neoliberal, apara-se em dogmas e não resiste ao mínimo questionamento histórico. Durante 100 anos fracassaram as empresas privadas internacionais no Brasil e agora, após intenso trabalho da Petrobras, querem assumir os lucros. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

ESCANDALOSA ENTREVISTA DE PEDRO PARENTE




ESCANDALOSA ENTREVISTA DE PEDRO PARENTE

Os fundamentos do discurso dogmático contra a Petrobras


Wladmir Coelho

“Parente é como serpente: se bobear pica a gente”
                                                          Dito popular



Resposta ao presidente interino (!) da Petrobras

O presidente interino (!) da Petrobras, Sr. Pedro Parente, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo revela de forma despudorada o plano de transformação da Petrobras em simples gestora de contratos e ainda ofende o nosso povo ao classifica-lo de imaturo para discutir o “dogma” da privatização da empresa.

Parente considera dogma a reação contrária do povo brasileiro a entrega de seu potencial energético ao apetite voraz dos oligopólios internacionais. Observem a arrogância do dito presidente ao apresentar-se como possuidor de conhecimentos acima dos brasileiros entendidos em suas palavras como ignorantes seguidores de dogmas.

Sr. Parente; Dogmático é o seu discurso que desconsidera nossa história nos últimos 500 anos marcados pela usurpação colonial representada de forma evidente na exploração mineral.
Nosso povo ao defender a Petrobras o faz movido pelo patriotismo entendendo claramente a importância desta empresa que surgiu após mobilização dos trabalhadores em defesa do projeto de emancipação nacional.

A criação da Petrobras representou e representa a tentativa de superação do dogma liberal que condiciona o crescimento econômico de uma nação a etapas entendidas como naturais e necessárias assumindo estas o caráter de equilíbrio da economia mundial. Neste ponto os dogmáticos liberais justificam a negativa da existência do sistema econômico nacional.

A mistificação e mitificação da economia

Em termos práticos o predomínio do dogma liberal constitui a base da submissão dos países economicamente atrasados aos economicamente desenvolvidos visto a transformação das necessidades econômicas dos primeiros em políticas econômicas dos demais.

Podemos notar deste modo o caráter de proteção ou manutenção do modelo colonial ocultado no dogma liberal. Adam Smith, no século XVIII, sistematizou este principio e justificou, inclusive, a intervenção militar da nação mais desenvolvida naquela mais atrasada que ousasse romper o “rumo natural” da economia.

Smith, a partir deste principio, apresenta duas opções para o futuro das 13 colônias inglesas da América do Norte: respeitando a “natureza” da economia as citadas colônias alcançariam o pleno desenvolvimento. A tragédia destas colônias seria o rompimento do modelo colonial.

No inicio do século XIX Friedrich List observa, nas antigas colônias relatadas por Smith, exatamente o oposto das sentenças dogmáticas. List relata em seus textos o rápido crescimento econômico dos Estados Unidos associando este fato à quebra do modelo colonial a partir do reconhecimento da existência do sistema econômico nacional.

O crescimento econômico revela-se decorrente, desta forma, do necessário rompimento com os dogmas do liberalismo reconhecendo a existência do sistema econômico nacional.

Estado e economia

Neste ponto deparamos com outro dogma do liberalismo clássico: “O Estado não deve intervir na economia”. Devemos entender inicialmente que a fórmula para separar Estado da economia ainda não foi praticada no capitalismo. Adam Smith defende, inclusive, o subsídio aos minerais energéticos. Afirmava, claramente, o pai do liberalismo a necessidade de criação de políticas econômicas de base nacionalista em sua Inglaterra do século XVIII que iniciava sua industrialização e dependia do carvão para suas máquinas.

Não era somente o carvão: A matéria prima encontrada fora do território nacional, os mercados além-fronteiras também seriam garantidos através das negociações estatais via diplomacia e do insucesso destas com intervenções militares.

A política econômica bélica inclui a contratação de mão de obra com elevada rotatividade – soldados – pesquisa e fabricação de armamentos. A guerra representa uma parcela considerável da economia dos países economicamente desenvolvidos.

A natureza econômica do dogma liberal representa, na prática, a supremacia do mais forte e seu “direito” de garantir – através dos equipamentos estatais – a implementação de políticas econômicas além de suas fronteiras.

A fragilidade do discurso dogmático resulta exatamente de sua mistificação e consequente afastamento da ciência.



O discurso dogmático contra a Petrobras

O senhor Pedro Parente não é o primeiro a insinuar a destruição da empresa por dentro. Diga-se de passagem, desde o primeiro presidente da petrolífera nacional, embaixador Juracy Magalhães, encontraremos os defensores da atuação desta como espécie de órgão regulador da produção petrolífera no Brasil. Neste aspecto devemos lembrar o celebre lema de Magalhães: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil!”.

Ao espírito de submissão colonial seguem-se as ações de adequação dos interesses brasileiros aos dogmas do liberalismo. Patrocinados pelos oligopólios e simulando um discurso de soberania nacional surgem a “proteção continental” do general Juarez Távora defensor de uma Petrobras como empresa responsável pelo refino enquanto os trustes dos Estados Unidos – essa era literalmente a proposta – seriam as responsáveis pela exploração e distribuição. O principio da livre iniciativa, informava o general, seria garantido através do leilão das áreas com potencial produtivo envolvendo a disputa entre os interessados. Lembre-se: As empresas petrolíferas constituem um setor extremamente concentrado inexistindo, na prática, a chamada livre concorrência.

A ditadura militar, com seu verde amarelismo, aplica a retomada da segurança continental ao limitar as atividades da Petrobras a plataforma continental. Em terra abria ao chamado “contrato de risco” quebrando o principio do monopólio e destinava ainda a empresa à exploração internacional associada aos oligopólios. 

Temos, deste modo, aplicado o dogma liberal fundado no equilíbrio econômico internacional (pode ser global também) negando o sistema econômico nacional. A farsa do discurso reside, neste caso, em dois pontos: o primeiro da suposta ameaça ao mundo civilizado e democrático pretensamente representado através da hegemonia dos Estados Unidos que necessitam dos recursos energéticos, inclusive os brasileiros, para manter em constante prontidão a sua máquina militar contra as ameaças soviéticas.

Vejam: O discurso do general Távora, nos anos 50, encontrava sua base na ameaça comunista entendida essa como forma de desequilíbrio da economia através de uma súbita ruptura dos países fornecedores de energia aos Estados Unidos.

Posteriormente o general Távora e outros participes dos governos da ditadura militar continuam a mesma defesa à qual devemos incluir o discurso da livre concorrência como impedimento do controle ou monopólio estatal do petróleo.

Seguindo esses fundamentos a ditadura através de outro antigo presidente da Petrobras, Schigeaki Ueki, implanta o principio que ainda hoje predomina na direção da empresa, ou seja, uma concorrente destinada a tornar-se a “oitava irmã”. Ueki, de forma literal, cunhou este termo.
Ocupava o plantão de presidentes da ditadura, no momento da aplicação desta política, um antigo presidente da Petrobras o general Ernesto Geisel. O contrato de risco da parceria Geisel com Ueki seria o responsável, diziam os governistas da época, por proporcionar a concorrência interna garantindo a autossuficiência nacional.

Autossuficiência, concorrência? Nada disso. A Petrobras foi transformada em empresa de importação petrolífera que ao mesmo tempo realizava pesquisa na plataforma continental.

Neste sentido, a pesquisa na plataforma continental, alcançou êxito reunindo, inclusive, informações relativas ao passo seguinte; o chamado pré-sal. O trabalho de pesquisa na plataforma continental financiado pelos brasileiros e realizado pela Petrobras acabou entregue, embasado no discurso dogmático liberal, nos anos do governo Fernando Henrique Cardoso aos oligopólios internacionais. Pedro Parente foi participe deste momento.

A disputa geopolítica

O discurso liberal legitimando a intervenção do mais forte contra qualquer atitude de emancipação do mais fraco economicamente recebe em nossos dias contornos bélicos decorrentes da crise global.
Considerando a inexistência da ameaça comunista soviética, presente nos discursos dos anos de 1950 e ditadura militar, temos hoje a clara disputa entre Estados Unidos e China pelo controle de áreas potenciais ou produtoras de petróleo.

Uma frase do presidente estadunidense Barack Obama, em seu discurso do Estado da União em 2014 revela o grau da disputa: “Os Estados Unidos não deixarão que a China escreva as regras para a Ásia.”

Esta promessa inclui ações no sentido de dificultar o controle de áreas com potencial petrolífero no Mar do Sul da China armando, reequipando os exércitos da região contra os chineses ou criar obstáculos aos fornecedores deste país como foi o caso do Irã.

Com relação ao oriente movimenta-se a diplomacia da intriga provocando o desequilíbrio no fornecimento petrolífero através da desestabilização interna de países responsáveis pelo fornecimento à Europa ocidental. O exemplo do Iraque e Síria somados a tragédia da Líbia no norte africano ilustram a questão.

Temos a justificativa do uso da força em nome da democracia e liberdade ocultando o modelo de intervenção econômico estatal adotado nos Estados Unidos amparado basicamente no destino da mão de obra juvenil ao exército de ação imperialista associado ao fortalecimento da indústria bélica.
Os princípios impostos aos povos submetidos encontram-se fundados nos dogmas liberais do “livre” comércio e concorrência cujo resultado encontra-se na ampliação do papel dos oligopólios no processo de exploração petrolífera nos países dominados.

Os dados mundiais apontam um crescimento da importância do Brasil para o fornecimento futuro do petróleo. Guardião, infelizmente o termo é esse, de uma grande quantidade deste mineral observa-se a radicalização do processo de entrega deste aos oligopólios.

Quando afirmo guardião, no caso do Estado brasileiro e a propriedade do petróleo, o faço com base nas modificações constitucionais promovidas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, lamentavelmente mantidas nos governos subsequentes, nas quais o bem natural petróleo foi garantido como propriedade da União enquanto a sua transformação em bem econômico, com base no dogma liberal, foi transferido à empresa responsável por sua exploração. A quebra total do monopólio da Petrobras apresenta a sua base no dogma liberal.

A Petrobras resistirá

O presidente Parente de forma arrogante coloca-se acima dos sentimentos e da história do povo brasileiro ao intitular-se como a única voz em condição de apontar o caminho. A fala do atual dirigente da Petrobras representa a fala dogmática dos defensores da continuidade ou aprofundamento do processo de submissão da economia brasileira aos ditames de uma crença cujos deuses encontram-se instalados em Wall Street.

Afirma o defensor da mistificação do mercado que a Petrobras não será privatizada. Oculta, todavia, que o projeto em marcha ignora esse detalhe considerando o enfraquecimento da empresa através do abandono de áreas de exploração e venda criminosa de ativos.

Este processo não apresenta novidade e foi implantado nos anos de 1990 na maioria dos países produtores de petróleo que ousaram um dia nacionalizar a produção. A fórmula é simples: Enfraquecer a empresa e permitir todo tipo de associação com os oligopólios, naturalmente usando o trabalho de pesquisa anteriormente realizado à custa do esforço do povo, para sua posterior transformação em espécie de agencia administradora de contratos. 

O interessante na entrevista de Mr. Parente revela-se no seu entendimento, portanto dos oligopólios, da postura patriótica de nosso povo que embora silenciado na grande mídia entenda perfeitamente a necessidade estratégica da Petrobras.

Desta forma as práticas antipatrióticas tentam confundir atos dos corruptos, com os quais a justiça vai se entendendo e punindo, com a empresa em si. Mostram a Petrobras, cujo controle de reservas a faz ocupar importante colocação mundial, em condições de mendicância sobrando como única alternativa a venda de seu patrimônio como solução para a sua salvação.

Uma empresa petrolífera apresenta o seu valor em função do tamanho das reservas de petróleo controladas diretamente. Vender este controle pode significar a sua salvação? O Brasil encontra-se em posição de finalmente estabelecer uma política econômica do petróleo voltada à autossuficiência.

Esta conquista representará a base de uma economia soberana na qual o poder econômico gerado através da exploração petrolífera apresenta-se como forma de financiamento de um projeto de educação, saúde, segurança, habitação em condições de atender as necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

Somente o fortalecimento da Petrobras através de sua estatização, ao contrário das afirmativas da Folha de São Paulo a empresa  não é estatal, o Brasil apresentará os elementos básicos para a garantia de uma política de desenvolvimento e consequente libertação das amarras imperialistas.


A Petrobras não representa um dogma Sr. Parente. Ao contrário; representa o rompimento do dogma de 500 anos que atrasa o desenvolvimento do Brasil. 

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