quarta-feira, 30 de setembro de 2009



Petróleo como combustível do golpe
Pedro Porfírio
A consulta que o presidente Zelaya pretendia fazer destinava-se perguntar ao povo se concordava com a instalação de uma “quarta urna”, no dia da eleição, na qual os eleitores se manifestariam sobre a convocação de uma assembléia constituinte. E não há em nenhum artigo da Constituição hondurenha de 1982 qualquer cláusula que considere crime a possibilidade de sua revisão, através de um congresso convocado para este fim.
Ao contrário do que alegam os defensores do golpe, inclusive um coronel brasileiro que está prestando sua “colaboração” aos militares de lá, certamente recebendo em dólares com todas as mordomias desse tipo de “missão”, o cerne do conflito não é o desejo de reeleição, muito em voga no continente. Mas a mudança do quadro econômico, com a descoberta de petróleo em Honduras, a partir de prospecções feitas por uma empresa norueguesa.
Zelaya encarou as petrolíferas estrangeiras, que vendiam aos seus cidadãos o combustível mais caro da América Central (Honduras não tem mais refinaria) e queria garantir numa nova Constituição a soberania do país sobre as jazidas descobertas em seu mar territorial.
Foi a decisão de tomar posse temporariamente de terminais de armazenamento de petróleo de companhias estrangeiras, como parte de um programa de importação do governo destinado a reduzir os preços do produto, que abriu caminho à conspiração que resultou no golpe de 28 de junho passado.
Essa decisão foi anunciada em 15 de janeiro de 2007, depois de o governo enfrentar duas greves de taxistas, cuja atividade vinha sendo inviabilizada pelo preço da gasolina vendida pela Shell, Exxon Mobil e Chevron. Com a medida, o governo retirou o controle das importações do reduzido grupo de companhias petrolíferas que opera os postos de abastecimento no país.
À época, uma comissão do Congresso formada para estudar o novo sistema concluiu que ele geraria uma economia para o país de cerca de 66 milhões de dólares por ano.
Foi o desdobramento dessa decisão, com a abertura de negociações com a Petrobras e a adesão à Petrocaribe, liderada pela Venezuela, que ensejou a conspiração, da qual participaram, como articuladores e arrecadadores de fundos, o cubano-norte-americano Otto Reich com sua “fundação” Arcádia, e o embaixador estadunidense em Honduras, Hugo Llores, nomeado pelo governo de Bush.
Mas nada disso, como disse no início, justifica a degeneração do quadro, no qual o Brasil atua à semelhança do pior da diplomacia norte-americana ao longo da história. CONTINUA EM:http://www.porfiriolivre.com/2009/09/uma-ingerencia-indevida-que-vai-alem-da.html

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