sexta-feira, 2 de maio de 2014

PETRÓLEO E PODER ECONÔMICO

PETRÓLEO E PODER ECONÔMICO

Wladmir Coelho

O controle efetivo da exploração petrolífera e consequente utilização do poder econômico decorrente desta atividade encontra-se no centro das principais disputas internacionais.

Atualmente a maioria dos países produtores preocupam-se em garantir o controle do bem natural petróleo entregando aos oligopólios – através de diferentes modelos de contratos – a exploração comercial.

Este controle do bem natural, via de regra, é utilizado como propaganda confundindo a população quanto a propriedade ou apropriação dos resultados financeiros. O método é simples: Os governos apoiam-se no discurso nacionalista da propriedade do bem natural ocultando a condição entreguista das políticas econômicas para exploração comercial do petróleo.

Deste modo o poder econômico decorrente da exploração petrolífera dificilmente será utilizado em beneficio da maioria dos países produtores cuja política econômica do petróleo destina-se a prática da exportação.

Devemos ainda observar que os países industrializados possuidores de reservas petrolíferas não seguiram a regra de exportação de petróleo, ao contrário, criaram dificuldades para este tipo de atividade e diante da queda em sua produção passaram a controlar novos territórios com potencial produtivo.

A forma de controle dos territórios com potencial produtivo efetivou-se de diferentes formas passando da guerra à presença de empresas originadas nos países industrializados destacando-se aquelas constituídas nos Estados Unidos e Reino Unido.

Ocupados militarmente ou submetidos ao poder econômico dos oligopólios os países não industrializados, com potencial petrolífero, enfrentam grandes dificuldades para a superação do modelo econômico de base colonial.

Este modelo, amparado na exportação de matéria prima, revela a ausência de soberania tendo em vista a submissão total às necessidades da potência importadora e neste caso verificando-se uma composição entre os interesses da empresa e seu Estado de origem.

Esta consubstanciação entre Estado e oligopólio sustenta as ameaças e conflitos observados em diferentes pontos do Globo. Afinal as potências industriais transformaram-se em maiores consumidores de petróleo e neste aspecto precisamos analisar com atenção o caso da China e Estados Unidos.

Seguindo o exemplo dos Estados Unidos do período pós-guerra a China limitou a exportação de minerais e criou uma rígida regulamentação para o setor energético.

Observaram também que nos Estados Unidos, pioneiro no setor industrial petrolífero, as empresas privadas recebiam e recebem grandes incentivos do Estado. Os chineses, interessados em desenvolver em curto prazo uma indústria de alcance mundial e sem tempo para aplicar as teses liberais, criaram estatais dedicadas à exploração petrolífera nacional.

O investimento no setor petrolífero, desta forma, superou a tradicional criação de uma empresa controlada pelo governo e associação desta aos oligopólios. Os chineses investiram em novas tecnologias e apropriação destas pouco ou nada preocupados com as repercussões das bolsas de valores. Diga-se de passagem, a maior empresa local de petróleo é a CNOOC LIMITED.

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