domingo, 11 de setembro de 2016

SEGURANÇA ENERGÉTICA DO BRASIL



SEGURANÇA ENERGÉTICA DO BRASIL

Quem se preocupa?

Wladmir Coelho

O controle das áreas com potencial ou produtoras de petróleo constitui uma antiga prática dos oligopólios internacionais. No Brasil, desde o final do século XIX até a criação da Petrobras em 1953, a Standard Oil impediu a exploração petrolífera nacional através da aquisição de extensas áreas com potencial produtivo.

Neste ponto recordamos que até o final da IIª Guerra Mundial os Estados Unidos encontravam-se na posição de maior produtor mundial de petróleo e suas empresas – Standard Oil à frente – controlavam a produção mundial.

Assim ao ocupar áreas com potencial produtivo – sem contar o controle exercido no setor de refino e distribuição - temos a política econômica de uma empresa privada estrangeira a controlar ou influir diretamente na segurança energética nacional.

O controle destas áreas representa não somente uma condição comercial ao modo do laissez-faire. Controlar, regulamentar a exploração petrolífera revela-se um aspecto fundamental à segurança energética nacional.

Estados Unidos e Reino Unido mostram exemplos da necessidade desta regulamentação. Estes estados transformaram em interesses nacionais o controle de áreas produtivas em todo o planeta através de suas empresas mantidas e criadas com elevados subsídios e protegidas internacionalmente através da diplomacia da corrupção e forças militares.

Contrariando o discurso neoliberal a indústria petrolífera não conhece a chamada autonomia em relação ao Estado. Em nossos dias o consumo estatal de petróleo nos Estados Unidos, representado nas forças armadas, constitui um exemplo do uso da guerra como forma de lucro. Guerras pelo controle do petróleo em sua maior parte. As forças armadas estadunidenses encontram-se na 34ª posição entre os maiores consumidores de petróleo do mundo.

Lembre-se: A indústria petrolífera recebe subsídios oficiais, encontra-se protegida militarmente e quando esbarra com uma fronteira fechada utiliza o canhão estatal movido, inclusive, pelo combustível vendido aos exércitos.

No Brasil a dinâmica repete-se por enquanto sem o uso dos canhões bastando para esse fim o discurso falso da incompetência estatal. Em 1957 o jornalista Epitácio Caó escreveu o livro “Eu vi o trust por dentro” no qual relatava o trabalho ideológico realizado através da imprensa, com farta distribuição de dinheiro para propaganda, através de artigos, reportagens, debates favoráveis aos oligopólios internacionais.

Passados 59 anos da denuncia de Epitácio Caó temos, ainda, um mundo movido a petróleo, todavia a existência do mineral em áreas de fácil acesso encontra-se extremamente reduzidas. Em 2015, por exemplo, ocorreram 191 descobertas de novas regiões para exploração contra a média de 430 até 2006. Em 2016 até o mês de julho foram apenas 60 descobertas.

A campanha contra a Petrobras é resultante da estratégia dos oligopólios internacionais do petróleo no sentido de controlar os poucos territórios que ainda permitem novas descobertas.

Estes oligopólios patrocinam o discurso da livre concorrência e competência empresarial nos meios de comunicação encontrando o apoio de ancoras, comentaristas e especialistas que ocultam da população o caráter financiador e protetor do Estado deste setor.


Escondem ainda em seus comentários, de falsa isenção, a política internacional de submissão do Brasil aos interesses da política econômica dos grupos internacionais. A segurança energética do Brasil encontra-se seriamente ameaçada diante da prática de entrega da Petrobras ás necessidades da política econômica do petróleo dos grupos estrangeiros.

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