segunda-feira, 14 de agosto de 2017

PROJETO DE NAÇÃO DOS RICOS: Implantar logo uma ditadura e entregar-se ao imperialismo



PROJETO DE NAÇÃO DOS RICOS:
Implantar logo uma ditadura e entregar-se ao imperialismo

Wladmir Coelho

Espantosa essa revelação do jornal Valor: 85 dos maiores empresários brasileiros revelam-se pouco participativos nas decisões políticas nacionais.

O nível do distanciamento entre os grandes empresários e a política, segundo o jornal, assume um grau horripilante considerando, por exemplo, a declaração do dirigente do grupo Suzano, revelando este a inexistência, no meio empresarial, de um projeto político para o Brasil.  

A pesquisa foi apresentada durante um convescote dos mais ricos dos brasileiros que ouviram, dentre outros, Pedro Parente e Albert Fishlow.

Parente defendeu a participação direta dos grandes empresários na política:  “A solução [da crise] terá que vir a partir da política ou de uma participação mais efetiva das associações. O importante é o protagonismo."

Ora, ora; então o Parente defensor do livre mercado e do distanciamento da política da direção da Petrobras e difusor da crença da não intervenção do Estado na economia faz discurso aos mais ricos propondo a entrega do governo aos empresários como forma de melhor gerir a economia!

E qual seria a fórmula política para organização da economia? Sim, para horror dos chamados libertários que pululam nas redes sociais os mais ricos do Brasil procuram um modelo de Estado para melhor atender aos interesses de sua classe.

Sim! Os mais ricos do Brasil colocam seus interesses como projeto para o país e para aprofundar ou criar um modelo contratam, além do entreguista da Petrobras, o professor emérito da Universidade de Columbia Albert Fishlow.

O professor Fishlow possui longa experiência na assessoria de projetos econômicos para o Brasil. No período inicial da ditadura militar contribuiu na elaboração de um planejamento econômico, cuja base política, buscava barrar uma alegada e paranoica influência soviética na América Latina.
Influência soviética, vamos esclarecendo, significava varrer do Brasil qualquer menção ao rompimento com o modelo colonial.

Como? O método é simples e sua condição primeira implica em ignorar os aspectos históricos do atraso econômico brasileiro, notadamente, a condição econômica colonial. Segue-se, ao fato, a aplicação do modelo liberal clássico de abertura ao capital internacional e deste a inevitável concentração de renda.

O próprio Fishlow observou essa falha e para espanto dos militares apontou a concentração de renda como principal efeito colateral do chamado milagre econômico que ele mesmo havia ajudado a conceber.

E qual foi a fórmula de superação da concentração de renda no Brasil?

Ignorando o endividamento externo e a remessa de lucros resolveu-se mirar no controle populacional e na reforma educacional a fórmula para superar a injustiça social.

Decorrem deste pensamento a campanha de esterilização em massa denunciada por Darcy Ribeiro somado ao acordo MEC-USAID e todos aqueles horrores patrocinados na reforma educacional da ditadura cujo objetivo encontrava-se na formação escolar da mão de obra “capacitada” ou alienação total dos estudantes através da exclusão da base de ensino as disciplina consideradas inúteis: História, Filosofia e Sociologia. Ainda bem que isso é passado!

Vejam só: Os mais ricos do Brasil convidaram para auxilia-los na construção de um projeto nacional especialistas em colonização ou elementos cuja experiência e prática constitui em trabalhar com governos autoritários e destes construir formas de adaptar a economia nacional às necessidades do capital imperial.

O convescote dos mais ricos revelou algo: o discurso da economia livre da intervenção estatal ficou enterrado. Ninguém no meio dos poderosos nacionais tem a ilusão da separação entre política, economia e Estado.


A questão, para os poderosos, está na forma de garantir a continuidade do modelo econômico de base colonial e estão dispostos a tudo, inclusive, dispensando os intermediários e assumirem de vez o governo. Não temos, neste caso, um fato inédito.   


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