terça-feira, 22 de abril de 2014

PETRÓLEO E CORRUPÇÃO IV


PETRÓLEO E CORRUPÇÃO IV

A oitava irmã

Wladmir Coelho

No livro “Petróleo: Contratos de risco e dependência” o jornalista Bernardo Kucinski cita uma emblemática frase do ex-ministro das Minas e Energia Shigeaki Ueki publicada nos jornais em 1974: “Temos que transformar a Petrobras na oitava irmã do Petróleo”.

Em plena ditadura o tom ufanista revela um Brasil potência quem sabe um novo império que surge com direito a participação permanente no Conselho de Segurança da ONU e outros balangandãs civicos. Naturalmente, e este detalhe ficava escondido, para ascender à condição de oitava irmã seria necessário uma associação da Petrobras com as outras sete.

E assim fez a ditadura. Os governantes, civis e militares, criaram a primeira quebra do monopólio do petróleo no Brasil instituindo os chamados Contratos de Risco. Através deste expediente os oligopólios, em total desrespeito a lei, ficavam autorizados a explorar o petróleo no Brasil.

Enquanto isso a Petrobras, seguindo os princípios do relatório Link, correria o mundo em busca de áreas com potencial petrolífero associando-se as suas “7 irmãs”. No Brasil a empresa nacional seria responsável por desenvolver os estudos e exploração da plataforma continental.

Mais uma vez o discurso da livre iniciativa surgia para justificar a presença dos oligopólios no Brasil. Na realidade iniciava-se um processo de utilização da Petrobras como ponta de lança do imperialismo aspecto ainda não sepultado.

De forma concreta a abertura da exploração às empresas internacionais não proporcionou grandes descobertas. Devemos, todavia, analisar cautelosamente este resultado e recordar que o sonho de transformar a Petrobras em oitava irmã implica na aceitação das normas estabelecidas em 1928 quando os oligopólios dividiram o mundo de acordo com seus interesses comerciais.

Dentre estas normas, afirma Kurt Rudolf Mirow em seu livro “A ditadura dos Cartéis”, encontra-se o controle da quantidade de petróleo colocado à venda. Uma das  praticas  recorrentes dos oligopólios, para regular a quantidade e preço do petróleo,  constitui em apropriar-se de áreas com potencial produtivo e falsificar a profundidade dos poços alegando em seguida que estes encontram-se secos resguardando a área para explorações futuras.

No Brasil esta prática não era inédita e foi denunciada por Monteiro Lobato em “O escândalo do petróleo e do ferro”. Nesta obra Lobato aponta com clareza a farsa montada pelo engenheiro Fleury da Rocha que adulterou a profundidade de vários poços para alegar a inexistência de petróleo no Brasil.

Vamos somando os fatos. A Petrobras seguiu, durante a ditadura militar, os princípios apresentados no Relatório Link e investiu elevadas somas em pesquisas e exploração na plataforma continental.


Os resultados deste trabalho conhecemos todos, todavia a apropriação dos frutos deste investimento não constitui exclusividade nacional. O delírio da oitava irmã, na realidade, criava as bases para o financiamento dos oligopólios que apoderaram-se de parcela significativa do trabalho.

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