quinta-feira, 19 de setembro de 2019

O PETRÓLEO DO IRÃ E A REFINARIA DOS PRÍNCIPES SAUDITAS. Wladmir Coelho

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*** O PETRÓLEO DO IRÃ E A REFINARIA DOS PRÍNCIPES SAUDITAS


*** A DISPUTA ENTRE ESTADOS UNIDOS E CHINA; UMA GUERRA RESOLVERIA A QUESTÃO?

*** COMO MOBILIZAR O POVO PARA UMA GUERRA MUNDIAL?

*** AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS NO BRASIL; O TRABALHADOR PAGANDO A FARRA DOS ESPECULADORES

*** O PAPEL DA PETROBRAS ESTATIZADA NO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL

POR WLADMIR COELHO

1 – O governo dos Estados Unidos, para variar, apontou em direção ao Irã no episódio do ataque a refinaria dos príncipes árabes cujo resultado, ironicamente, gerou elevados lucros aos fundos de investimentos, produtores de petróleo de xisto sem contar o alívio e promessas aos produtores de milho a matéria prima do etanol estadunidense.

2 – Quando o assunto é petróleo os diferentes governos dos Estados Unidos não pensam duas vezes antes de intervir nos assuntos internos dos países produtores e no caso do Irã esta intromissão é verificada desde 1953 através da operação AJAX.

3 – O governo do Irã, chefiado por Mohammed Mossadegh, foi impedido de comercializar livremente o petróleo através da empresa estatal gerando, em um país dependente deste recurso, uma grave crise econômica devidamente aprofundada por ações da CIA como a organização e financiamento das  manifestações de rua, atentados atribuídos aos comunistas, defesa da família e da religião ameaçadas, notícias falsas de jornais, acusações contra a honestidade do governante.

4 – Como resultado o governo nacionalista foi derrubado enquanto um monarca fantoche foi elevado ao poder e o petróleo entregue aos oligopólios de sempre isso até 1979 quando os religiosos assumiram a liderança do movimento revolucionário derrubando a monarquia entreguista e novamente nacionalizando o petróleo.

5 - Atualmente a tentativa estadunidense de intervir no Irã encontra algumas barreiras adicionais em relação ao golpe de 1953; ironicamente os antigos inimigos internos do “comunista” Mohammed Mossadegh contam com o apoio direto do governo chinês, possuindo este, interesse no fornecimento do petróleo iraniano.

6 – Vejamos alguns aspectos: a China para a continuidade de sua produção depende em 70% do petróleo importado e destes, até recentemente, importava 6% dos Estados Unidos atividade suspensa em função da, por enquanto, guerra comercial.

7 – Adquirido o petróleo, refinado e transformado em combustível e matéria-prima a produção chinesa necessita, óbvio, de escoamento e neste ponto o Irã novamente surge como ponto vital. Somente em infraestrutura de transporte o  governo chinês investiu US$ 120 bi na antiga Pérsia incluindo ferrovias com trens de alta velocidade, rodovias, portos acrescidos, lógico, da exploração de campos petrolíferos antigos e novos.

8 – O investimento em infraestrutura de transporte chinês no Irã implica no acesso à Turquia e desta a Europa e não é sem razão, por exemplo, as constantes reuniões e visitas da Sra. Merkel ao presidente Xí Jinping sem falar dos interesses franceses.

9 – Um investimento de bilhões de dólares implica em garantias de segurança e neste caso confundem-se com aspectos de defesa nacional do Irã e da própria China e certamente este é um dos motivos da não intervenção militar dos EUA.

10 – Até o momento Donald Trump – com relação a possível retaliação em função do ataque a refinaria dos príncipes sauditas – apresenta um jogo de rosnar e latir, pois, tem clareza do preço de uma invasão ou ataques a distância preferindo aprofundar o cerco econômico através das sanções.  

11 – Até quando? a economia estadunidense encontra-se estagnada acrescentando-se ao fato uma movimentação da China, Rússia e Irã no sentido de romper as barreiras comerciais incluindo, no caso dos dois últimos países, os meios para superar as sanções econômicas.

12 – Qual o meio? o rompimento do poder do dólar constitui o primeiro passo e neste sentido cresce a utilização das moedas destes países nas transações comerciais centradas na China, isso não é pouca coisa, devemos ainda acrescentar os ensaios para a criação de meios independentes do poder econômico estadunidense para a compensação dos pagamentos.

13 - Os Estados Unidos realizam em novembro de 2020 eleições presidenciais e uma guerra de grandes proporções justificada por prejuízos aos príncipes árabes não é um tema popular.

14 – Qual seria o motivo para justificar um grande apoio popular à guerra de grandes proporções cujo resultado seria uma nova divisão econômica do planeta? Exemplos não faltam cito dois: Pearl Harbor e 11 de setembro.

15 – Fato: os governantes estadunidenses apontam o dedo contra os iranianos no episódio do ataque com minas ao petroleiro japonês e recentemente o caso da refinaria árabe criando a imagem, para o Irã, de um país terrorista com práticas contra a humanidade e imaginem um atentado de falsa bandeira em pleno território estadunidense. A quem culpariam?

16 – Por enquanto não temos o atentado ou uma guerra com bombas, mas o capital necessita de uma ajudinha estatal urgente para sair da estagnação através da criação de empregos, soldados vivos recebem salários e mortos diminuem o número de desempregados, uma guerra de grandes proporções vai movimentar a indústria farmacêutica, a automobilística e depois a reconstrução com uma população reduzida trabalhando por comida e moradia. A economia nazista funcionou assim.

17 – Os capitalistas vibram com a especulação decorrente do ataque a maior refinaria do mundo e nós trabalhadores estamos pagando a conta considerando o repasse dos custos da reconstrução das instalações industriais dos príncipes árabes e consequente pagamento aos especuladores.

18 – ENQUANTO ISSO NO BRASIL: o governo do Sr. Bolsonaro e seus generais carreiristas e entreguistas optou pela destruição do país antes mesmo de uma guerra entregando ao império o controle, inclusive, do petróleo nacional.

19 – De forma debochada o capitão aposentado realizou, na segunda-feira, um pedido à Petrobras pela manutenção do preço dos combustíveis. Na quinta-feira verificou-se exatamente o contrário. Alguma surpresa? Lógico que não. Temos no reajuste dos valores dos combustíveis no Brasil a cobrança do tributo para pagar o lucro indecente, dos mais ricos, nas bolsas de valores no último dia 16.

20 – Em 1953 Mohammed Mossadegh era derrubado no Irã enquanto no Brasil nascia a Petrobras com a missão de libertar nossa economia da intervenção dos oligopólios petrolíferos garantindo, inclusive, a criação de uma política de preços independente dos interesses dos especuladores de sempre. Em 1954 o presidente responsável pela criação da Petrobras, Getúlio Vargas, sofre uma terrível campanha patrocinada com recursos da CIA cujo resultado todos sabemos.

21 – Recuperar o controle nacional e estatal da Petrobras é fundamental para a economia brasileira. Infelizmente este tema encontra-se apagado, eclipsado por algoritmos moralistas, religiosos. O governo do Sr. Bolsonaro e seus generais entreguistas fazem muito bem este jogo e compensam o aumento da exploração do trabalhador com beijos, insultos e nós embarcamos.

22 – Afinal; diante do processo de redivisão econômica do planeta, da ameaça de uma guerra, do pagamento de tributos aos especuladores, da intensificação do trabalho de quem ainda possui um emprego o que vamos fazer? Vamos continuar feito baratas tontas reproduzindo o discurso moralista ou vamos buscar os meios para a reconstrução econômica do Brasil?

23 – Continuaremos assistindo a entrega do Brasil ou vamos construir um projeto de superação da nossa dependência econômica implicando este em necessária alteração do processo produtivo? Questões presentes, questões para o futuro de uma país.    

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