sábado, 3 de agosto de 2019

INICIAÇÃO CIENTÍFICA E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO; O PAPEL DA ESCOLA NO PROCESSO EMANCIPATÓRIO NACIONAL Wladmir Coelho




INICIAÇÃO CIENTÍFICA E

 DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO;

O PAPEL DA ESCOLA NO PROCESSO

 EMANCIPATÓRIO NACIONAL


Wladmir Coelho

O controle da produção científica e tecnológica revela-se em nossos dias a base da disputa entre potências econômicas restando aos países periféricos o simples acompanhamento e consequente consumo das chamadas novas tecnologias.

A dependência tecnológica, deste modo, apresenta-se como um grande obstáculo ao desenvolvimento econômico aprofundando a distância entre ricos e pobres desde o acesso aos medicamentos, às condições de transporte, comunicação e emprego.

Diariamente os meios de comunicação divulgam informações envolvendo a disputa pelo controle tecnológico nos diferentes setores da economia constituindo este fato em disputas que beiram o conflito militar encontrando-se este setor, inclusive, no centro da produção cientifica mundial.

No caso brasileiro a superação destas dificuldades encontra no discurso da valorização da educação a sua fórmula comum, contudo a palavra de forma isolada não consegue materializar os meios necessários existindo a necessidade da criação de políticas educacionais entendidas como parte integrante do planejamento econômico.
 
Neste sentido a Constituição de 1988 elevou a educação básica a condição de direito social determinando ainda a sua vinculação ao mundo do trabalho e a prática social criando, desta forma, os instrumentos necessários a formação de nossos jovens associada ao processo de transformação econômica nacional.

Desta forma o desenvolvimento de uma formação cientifica básica passa a exigir a superação das metodologias educacionais apoiadas no discurso da ciência para aquela voltada à associação entre a teoria e a prática valorizando a intervenção no meio social apresentando como objetivo, ainda segundo a Constituição de 1988, a “promoção humanística, científica e tecnológica do país.”

A restrição ao discurso da ciência nas escolas, em detrimento a sua associação a prática cientifica, guarda ainda elementos da busca de uma mítica neutralidade de suas ações impossibilitando a intervenção na realidade a partir da orientação escolar resultando na formação pautada na simples aceitação e quando muito na adequação das vidas dos estudantes as condições sociais dadas.

Vejamos neste ponto a necessária superação das formas tradicionais observadas nas antigas feiras de ciências com maquetes dos grandes rios e seus afluentes para um estudo amplo envolvendo, além da maquete, a forma de exploração econômica predominante naquelas águas com seus benefícios e perigos ou uma análise das áreas de risco urbanas superando a simples narrativa do desmoronamento iminente distanciada de um estudo das políticas de ocupação e uso do solo.

A iniciação científica, como observamos, possui como característica a mobilização social reservando a escola a condição de educadora não somente de seus estudantes ampliando esta função à comunidade na qual encontra-se inserida. Para ilustrar esta aplicação imagine os estudantes do ensino médio participando diretamente da elaboração e aplicação, junto as prefeituras, dos projetos de preservação do patrimônio público ou contribuindo na criação de meios para o uso racional da água e energia com o apoio das empresas públicas do setor.

Temos neste ponto a vinculação da educação ao mundo do trabalho, fato determinado em nossa Constituição, ampliando o conceito de trabalho para além da formação técnica e profissional associando a escola a ação criativa e prática apresentando em sua base a democratização da produção científica.

Esta democratização, naturalmente, inclui não apenas a aplicação escolar de novas tecnologias, mas a sua reelaboração somada ao acesso aos centros de criação estimulando ainda a formação continuada de nossos professores através de programas de formação em diferentes níveis associados a progressões e promoções em sua carreira.

Temos no fato iniciação científica, como é possível observar, aspectos notáveis em relação ao processo de ensino/aprendizagem, contudo devemos atentar para a sua condição supra escolar envolvendo desde a formação de professores, a mobilização dos diferentes agentes públicos, o setor produtivo somados a necessária política econômica voltada ao desenvolvimento nacional. 

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