📚🧠🔥 EDUCAÇÃO, PODER E DOMINAÇÃO: UMA CONVERSA NECESSÁRIA 🌎⚖️💣
por Wladmir Coelho
A educação foi definida — em termos gerais — por Álvaro Vieira Pinto como uma forma de reprodução dos interesses de uma sociedade. Ao recordar a amplitude do processo educacional — veja bem, processo — o autor destaca seu caráter permanente, não restrito à escolarização, mas presente também no trabalho, no cinema, na televisão, na família, na religião e em múltiplas outras dimensões da vida social.
Por isso mesmo, quando tratamos do tema educação, precisamos, inicialmente, compreender a forma de organização de uma sociedade em sua dimensão histórica, bem como as suas contradições. Não há educação neutra, assim como não há processo formativo dissociado das relações de poder que estruturam a vida social.
É nesse ponto que chegamos aos recentes acontecimentos observados na Venezuela, quando uma potência estrangeira simplesmente decide dominar um país mais fraco em termos econômicos e militares, sequestrar o seu presidente e julgá-lo a partir de acusações vazias. Paralelamente, essa mesma potência divulga como resultado dessa ação militar o controle do setor petrolífero. Vejamos: antes da invasão e do golpe, as empresas estadunidenses não estavam proibidas de atuar na Venezuela e já operavam no país, como é o caso da Chevron, que exportou mais de 140 mil barris de petróleo por dia no ano passado.
Os motivos do uso da força militar e do sequestro presidencial, como é fácil observar, encontravam-se na intenção de assumir o controle da produção petrolífera e direcionar sua venda conforme interesses próprios — com destaque para o mercado chinês — ampliando, assim, o poder de manipulação dos preços dessa preciosa commodity. A Venezuela, como sabemos, possui a maior reserva provada de petróleo do planeta.
Voltemos à educação. Ao longo dos últimos três séculos, recebemos doses cavalares de uma história idealizada dos Estados Unidos. Consumimos literatura, filmes e músicas que exaltam um mítico povo portador de uma suposta missão divina de civilizar os “selvagens” da América. América, eis o problema.
Para a classe dominante estadunidense, o termo América não se limita à denominação de um continente, mas expressa uma forma específica de organização econômica, política e social, construída a partir de suas condições históricas e interpretada por seus membros como determinada por Deus. Essa visão se resume na conhecida lenda do Destino Manifesto.
Trata-se de uma lenda que parcela considerável da população estadunidense considera verdadeira, difundida por todo o continente por meio da indústria cultural e constantemente presente no discurso de dominação, quase sempre precedido por expressões cínicas como “apoio ao desenvolvimento econômico”, “liberdade” e “democracia”.
O Destino Manifesto impulsionou, após a independência dos Estados Unidos, o expansionismo rumo ao Oeste, com a apropriação de territórios coloniais da Espanha — uma monarquia católica e, portanto, duplamente atrasada segundo essa narrativa —, a declaração de guerra contra os povos indígenas sob o pretexto de uma missão civilizatória e a imposição de guerras de conquista contra o México.
Reproduzir os interesses de uma sociedade — neste caso — significa, necessariamente, convencer os demais povos do continente de sua inferioridade em todos os sentidos e controlar, a ferro e fogo, as formas de entendimento da realidade. O resultado é, no máximo, um entendimento ingênuo, segundo o qual todo o nosso atraso seria fruto de uma índole malvada e corrupta, justificando, assim, uma permanente intervenção educacional dos Estados Unidos, que se atribuem a tal missão divina.
Nesse contexto, torna-se mais compreensível a confusão de muitos diante da defesa da soberania de um país. Qualquer tentativa, ainda que mínima, de controle da economia para estruturar um projeto de desenvolvimento nacional é imediatamente atacada, tachada de autoritária ou comunista. Seguem-se sanções econômicas e, quando estas não funcionam, os chamados “mísseis da democracia” estão sempre à disposição.

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