segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Magnata do petróleo é condenado na Rússia




Magnata do petróleo é condenado na Rússia
Wladmir Coelho

            Eventualmente observamos o surgimento de empresários jovens, enriquecidos da noite para o dia, apontados nas capas de revistas como modelos de sucesso. Mikhail Khodorkovsky nascido em 1964 aos 39 anos atingia esta condição ao assumir o controle da petrolífera Yukos tornando-se o homem mais rico da Rússia e 16º do mundo.  Durante o período soviético Khodorkovsky ocupou a posição de vice presidente da Liga Comunista e deste cargo construiu uma rede de boas relações com membros do governo soviético.
            Estas relações, durante o colapso da União Soviética, renderam ao talentoso empresário autorizações para a criação de empresas de importação e exportação ampliadas para o controle, em 1989 do banco Menatep possuindo esta instituição a condição de administradora dos fundos de diferentes órgãos governamentais incluindo os recursos dirigidos às vitimas do acidente nuclear de Chernobyl. Até aqui nenhuma novidade um empresário utiliza-se de contatos e influências junto ao governo apodera-se de recursos públicos utilizando estes em seu beneficio.
            Assumir o controle da indústria petrolífera russa foi o próximo passo e graças à troca de empréstimos ao governo por ações das antigas estatais chegou ao controle da petrolífera Yukos, naturalmente defendendo a modernização econômica através do clichê liberal de abertura do mercado e livre concorrência. Abertura do mercado – quem sabe- todavia livre concorrência o jovem empresário não permitiu associando-se ao grupo Sibnett controlando, desta forma, uma reserva com 19 bilhões de barris de petróleo.
            Para administrar o poderoso grupo petrolífero foi criado o Fundo Khodorkovsk tendo este um quadro muito interessante de conselheiros incluindo o ex-Secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger, Arthur Hartman (ex embaixador dos EUA na antiga União Soviética) e, representando os banqueiros ingleses, Lord Jacob Rothschild tendo este humildemente aceitado a condição de segundo substituto de Khodorkovsky na gestão dos recursos conforme é possível apurar nos estatutos do Fundo.
            Temos neste ponto a tradicional associação entre petróleo banqueiros ingleses e estadunidenses dominando parcela considerável do petróleo mundial ficando o milionário Khodorkovsk em sua condição de principal elemento para a garantia de fornecimento de combustível aos EUA em caso de aprofundamento de uma crise no Oriente Médio provocada naquele ano de 2003, por incrível coincidência, graças à invasão estadunidense do Iraque com apoio fanático da Inglaterra.
            Khodorkovsky atualmente cumpre pena na Rússia condenado por fraudes fiscais incluindo o desvio de petróleo vendido as subsidiárias por metade do valor de mercado e depois exportado por preços superiores. No último dia 26 de dezembro foi considerado culpado de outros crimes do mesmo nível e deverá – segundo especulações – permanecer preso até 2017. Pesam a respeito do fato acusações contra o governo russo – entenda-se Vladimir Putin – que seria parte interessada na prisão de Khodorkovsky em função do apoio deste a partidos de oposição ao atual primeiro ministro. Todavia este episódio acrescenta mais um capítulo aos terríveis métodos de controle do petróleo caracterizado por ausência total de escrúpulos. 

Um comentário:

AF Sturt Silva disse...

Estamos reproduzindo seu artigo no DL
saudações!

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