quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Petróleo realiza milagres em Uganda




Petróleo realiza milagres em Uganda

Wladmir Coelho


            Durante uma celebração religiosa o ministro do exterior de Uganda, Sam Kuteesea, reafirmou sua crença na exploração do petróleo nacional considerando o mineral uma benção para o país. Em resposta a fé oficial os religiosos davam  glórias e diziam Aleluia! 
Presente à celebração o Arcebispo de York, o ugandense Dr. John Sentamu, lembrava aos seus compatriotas o compromisso cristão de compartilhar os bens e ali mesmo passou a recrutar ugandenses com habilidade de expulsar demônios. O convite ao exorcismo certamente recebeu interpretações variadas, mas para o povo ugandense quais seriam os demônios associados a indústria do petróleo?
            Uganda foi recentemente abençoada (façamos justiça: Mistificar o poder do petróleo não é exclusividade  do país africano) com a descoberta de petróleo no Lago Albert possuindo a região de 500 km uma quantidade estimada em 800 milhões de barris. O milagre do Lago Albert foi completado através do envio da empresa inglesa Tullow Oil para explorar a maior parte do óleo abençoado.
            A Tullow Oil, aplicando as palavras do arcebispo, tratou de tomar posse das terras em torno do lago abençoado, todavia aproximadamente 600 famílias de pequenos criadores de gado resistiam dividir os seus bens com os ingleses  ignorando, desta forma, as ordens divinas. Este ato de ateísmo levou a utilização do Exército que expulsou homens, mulheres e crianças de suas terras para o  cumprimento da sacralizada palavra do poder econômico. Seriam estes pequenos criadores os demônios?
             As bênçãos associadas ao petróleo em Uganda não param de jorrar recebendo o país – através da Tullow Oil – empresas inglesas e estadunidenses colaborando os africanos, piamente, para a diminuição do desemprego nestes países. Haja espírito cristão!
            A justificativa desta presença estrangeira – justificam muitos – encontra-se na inexistência de mão de obra qualificada para o setor petrolífero em Uganda, vá lá. Entretanto além do setor de exploração petrolífera todo setor de apoio (alimentação, transporte, alojamento, fornecimento de uniformes)  foi entregue aos grupos estrangeiros sobrando aos ugandenses o discurso oficial, muita fé e bala do exército.
            A imprensa internacional noticiou em diferentes momentos a possibilidade de venda da Tullwoil para a chinesa CNOOC aumentando a presença deste último país no continente africano. Caso venha ocorrer esta negociação vamos assistir a primeira grande venda de bênçãos da história e tratando-se a China de país majoritariamente não cristão os teólogos devem promover grandes debates a respeito do tema. 

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