domingo, 2 de janeiro de 2011

Aumento no valor do petróleo e crise social





Aumento no preço do petróleo 

e crise social


Wladmir Coelho

 

            O ano de 2011 reserva ao mercado do petróleo, segundo diferentes analistas, elevação nos preços e naturalmente ganhos fantásticos para os grandes consórcios petrolíferos internacionais. O aumento do consumo chinês, o inverno rigoroso dos Estados Unidos e Europa, a proibição da comercialização do petróleo iraniano em função do bloqueio comercial somados a corrida por investimentos financeiros lucrativos – entenda-se mercado futuro do petróleo - contribuem para este quadro.

            Fantástica situação para os balanços dos grandes grupos financeiros e petrolíferos em contraste com sérios problemas para a população diante da elevação nos valores dos combustíveis. Aos detentores do capital o importante é possuir papeis com a maior rentabilidade possível em menor tempo pouco importando a elevação dos preços dos alimentos e transporte.  

            Os resultados desta escalada nos preços do petróleo apresentam os seus primeiros resultados negativos verificando-se no Irã o aumento no valor da gasolina – o país exporta petróleo, mas importa fração importante da gasolina consumida – e racionamento do produto. Neste mesmo sentido o governo chinês autorizou aumento de preços nos combustíveis associado ao controle do consumo fato também observado na Bolívia.

            No caso boliviano o governo chegou a editar um decreto, em dezembro de 2010, extinguindo o subsídio ao combustível importado gerando um aumento médio de 80% nos valores da gasolina resultando em aumentos em cascata dos alimentos e transporte terminando, a escalada especulativa, com violentas manifestações populares. Diante desta reação o presidente Evo Morales anulou o decreto que extinguia o subsidio e igualava o preço interno ao mercado internacional.  “Escuto e submeto-me ao povo e seus sábios conselhos” Declarou Morales no momento da assinatura.

            A Bolívia – segundo dados oficiais – gasta por ano 330 milhões de dólares em subvenção ao combustível importado valor preocupante diante da possibilidade de aumento nos preços do petróleo. Ao mesmo tempo o presidente Evo Morales deixa transparecer em seu pronunciamento a existência de dificuldades para a manutenção dos programas sociais. Teríamos deste modo modificações nos valores do gás exportado ao Brasil?

            Do outro lado do mundo, prevendo reações violentas da população, o governo chinês além do reajuste no valor do petróleo ampliou programas de distribuição de alimentos associado ao rigoroso controle do consumo de combustível e dos preços praticados no varejo.

             A gasolina também começa a faltar em outros países asiáticos existindo na imprensa internacional noticias de manifestações violentas resultantes da conseqüente elevação dos preços dos alimentos e transporte.

            Considerando-se este quadro resta o planejamento econômico e conseqüente plano de consumo amparado na auto-suficiência como forma de preservar o Brasil de situações semelhantes, todavia a política econômica do petróleo nacional desenha um quadro idêntico aos países exportadores tornando necessário a retomada do debate relativo ao petróleo brasileiro livre da mistificação oficial com disposição – inclusive – para alterar as legislações vigentes. 

Um comentário:

Maristella Padão disse...

Olá! vim aprender um pouco de política de petróleo.
Comecei um novo blogue sobre diversos temas.
Feliz 2011.

Maristella.

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