sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

E AGORA MINAS?



E AGORA MINAS?

Wladmir Coelho

O crime da Vale em Brumadinho representa mais um capítulo do processo de recolonização do Brasil também chamado, de forma eufemista, de modernização, abertura econômica, flexibilização.

A lama criminosa colocou os brasileiros de Minas, abruptamente, diante de uma realidade terrível ocultada através das promessas de progresso, geração de empregos anunciadas em lindos vídeos, belíssimos seminários e coloridas revistas feitos por gente descolada nos quais um mundo de proteção à vida, a natureza, a educação era construído. Tudo mentira!

Na realidade aplicava-se, e ainda é assim, um método através do qual um mundo paralelo de papel, tinta, seminários e vídeos melosos é criado para ocultar as gigantescas máquinas que arrancam as montanhas e as depositam, como observou Drummond, no Maior Trem do Mundo ou as entubam em minerodutos remetendo para um ponto qualquer do planeta em continuidade ao processo iniciado em 22 de abril de 1500.

E pensar em Tiradentes, lá no século XVIII, denunciando a mesma situação e encontrando a morte iniciando, com  seu nome, a lista dos trabalhadores de Brumadinho representando estes o sintoma terrível da dependência de Minas e do Brasil de um modelo econômico atrasado submetido aos caprichos de uma empresa comandada por interesses estrangeiros, do risco friamente calculado, do lucro acima da vida. Maria, a louca, está viva e suas sentenças terríveis ainda pesam.

Privatizem tudo! Bradam os governantes cínicos, os militares entreguistas, a imprensa vendida, os políticos comprados, os alienados da classe média, os fanáticos. Horror! Bradam os mesmos diante do crime de Brumadinho. Farsa geral. Canalhice plena.

Diante do crime os governantes revelam sua submissão ao império do capital; vou mudar a direção da Vale! vociferava o general interino cujo rugir transformou-se em delicado miado em subserviência aos interesses dos acionistas da empresa assassina.

Enquanto isso o governador do Estado sobe e desce do helicóptero, marcha com soldados de um exército estrangeiro, mas até o presente momento não revelou qual o seu plano para superar o aprofundamento da catástrofe econômica.

Aliás, apresentou sim. Trata-se da adesão ao plano federal no qual aprofunda-se a política de entrega do Estado aos interesses do capital estrangeiro com a privatização da CEMIG e COPASA e revelou-se ainda interessado em criar os meios para reduzir os salários e demitir funcionários efetivos.

Estado mínimo! Este mantra conduziu a privatização da Vale e vai levando a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal. Perde o Brasil os elementos para elaboração de uma política econômica emancipatória perdem os trabalhadores a vida.

A submissão aos interesses do capital internacional está matando o povo brasileiro precisamos romper com este modelo ou seremos todos soterrados pela lama tóxica das barragens do entreguismo.

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