segunda-feira, 26 de novembro de 2018

BOLSONARISMO E O MEDO DA HISTÓRIA

SIMÓN BOLÍVAR


BOLSONARISMO 

E O MEDO DA

 HISTÓRIA


Wladmir Coelho

Na região metropolitana de Belo Horizonte conhecemos bem os efeitos da mineração: a destruição do meio ambiente, a expulsão de comunidades inteiras (com uso da violência) para ampliação das áreas de exploração, a dependência colonial de um produto do extrativismo e consequente atraso econômico diretamente associado a submissão aos poderosos grupos multinacionais.

Fica ampliado este quadro ao recordamos os terríveis acontecimentos de Mariana após o rompimento criminoso da barragem de rejeitos da Samarco, uma joint-venture entre a antiga empresa brasileira Vale do Rio Doce com a multinacional BHP Billiton, uma espécie de resumo das práticas de exploração mineral ao modo colonial.

Deste passamos ao petróleo outro setor extrativista entregue aos interesses imperialistas em nosso país desde o final do século XIX quando registram-se os primeiros ataques as iniciativas nacionais para a sua exploração e início de uma indústria petrolífera voltada à produção de lubrificantes e derivados para iluminação.

O controle do setor mineral brasileiro, ou melhor, as diferentes tentativas para o controle nacional deste seguimento básico da economia resultaram da organização de diferentes setores sociais amparados estes na plena consciência do necessário afastamento do modelo econômico de base colonial estando este necessariamente associado ao rompimento com a estrutura imperialista notadamente aquela dos Estados Unidos.

Vejamos aqui o quanto é necessário a abordagem histórica observando a negativa desta como forma de simples aceitação da manutenção do quadro de submissão aos interesses imperialistas constituindo esta a prática adotada em nossos dias através das declarações dos indivíduos associados ao bolsonarismo.

O exemplo do senhor Ricardo Vélez Rodríguez, indicado para o cargo de ministro da educação, revela o quanto o tema imperialismo e a supressão ideológica deste constitui o interesse dos setores antinacionais.

Vamos recordar aqui: O Ministério da Educação é o responsável não somente por gerir as escolas de educação básica, mas todo um sistema incluindo universidades no Brasil e neste sentido temos declarações contundentes do futuro ministro relativas as possíveis formas de controle ideológico incluindo a criminalização de professores.

A prática da negação da História como forma de manutenção do modelo econômico e submissão encontraremos em recente texto do futuro ministro da educação intitulado “30 anos da CF-1988, o avanço do retrocesso”. Neste texto ficam transparentes a prática destacando as deturpações de pensadores como Raimundo Faoro passando por Getúlio Vargas atingindo o conceito de Terceiro Mundo e assassinando a obra de Vladimir Lênin além de mentir a respeito de John Atkinson.

Neste último autor, o futuro ministro da educação, revela todo o ódio a qualquer tentativa de rompimento com o modelo imperialista classificando Atkinson como marxista simplesmente por ser citado em obra clássica de Vladimir Lênin. Atkinson, como sabemos, foi um autor burguês cuja análise do tema em pauta apresentava um caráter reformista e não revolucionário conforme verificamos em Lênin.

Vamos entender: Os estudos de Atkinson influenciaram, em determinada medida, as ações nacionalistas de setores importantes inclusive das oligarquias brasileiras e notaremos reflexos em Pandiá Calógeras, Simões Filho, Arthur Bernardes, Getúlio Vargas e outros representantes nacionalistas não marxistas.

Bernardes, por exemplo, possui inúmeros discursos condenando o imperialismo, contudo  não vamos verificar, deste antigo presidente, uma única linha em defesa da socialização dos meios de produção ou controle do setor industrial através de cooperativas de trabalhadores.

O mesmo aspecto vamos notar a respeito do presidente Getúlio Vargas outro merecedor de ataques raivosos do futuro ministro cujo interesse está exatamente em criar meios efetivos para retirar da História a sua condição de ciência transformando esta em meio de legitimação dos interesses imperialistas.

Os bolsonaristas, o texto de autoria do senhor Rodríguez ilustra com clareza, pretendem romper com o modelo econômico proposto a partir da Constituição de 1988 simplesmente por este apresentar os meios necessários a superação do modelo econômico de base colonial e consequente necessidade de rompimento com o imperialismo notadamente aquele dos Estados Unidos.

O futuro governo Bolsonaro organiza-se ideologicamente no sentido da submissão ao imperialismo estadunidense através da adoção de um modelo não democrático bastando para este fim observar as declarações do presidente, o vice, o chanceler, o ministro da educação e do chefe da economia de entrega o senhor Paulo Guedes.

O ataque a Constituição de 1988 representa o claro interesse em romper com a democracia e todos os meios ou tentativas de ampliação da representação popular e a ampliação desta dos parlamentos aos conselhos, às conferências, aos colegiados.


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