Escuta Educativa - Programa da Rádio Educare.47 do Instituto de Educação de Minas Gerais

domingo, 23 de agosto de 2026

OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA

 





OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA


Wladmir Coelho

1 – O editorial de O Estado de S. Paulo de hoje (23 de agosto) apresenta, de forma fantasiosa, a crise visível, palpável, do imperialismo estadunidense, que tenta manter, pelos meios de sempre, um poder que não é mais o mesmo.

2 – Temos, no editorial do jornal paulista, uma confusão daquelas, ou melhor, uma tentativa, ao estilo “patriótico” das classes dominantes brasileiras, de confundir a classe média auriverde e mesmo determinados setores progressistas e ditos de esquerda, a partir da personificação da crise na figura do cômico Mr. Trump.

3 – O jornal ignora que, independentemente da condição partidária, os EUA necessitam da continuidade da forma imperial, conquistadora, expansionista, na qual uma ordem econômica impeditiva do desenvolvimento é imposta no sentido de subordinar o mundo – inclusive o Brasil – às necessidades dos tubarões *made in USA*.

4 – Com Mr. Trump ou sem Mr. Trump, vamos ter, sim, guerras contra qualquer um que deseje minimamente fazer valer o seu direito ao desenvolvimento da economia, de suas forças de defesa, de sua educação... ISSO O IMPERIALISMO NÃO PERMITE, POIS SERIA O SEU FIM!

5 – Para terminar, transcrevo um trecho do material do Estadão que mostra como as classes dominantes subordinadas do Brasil desesperam-se ao ver, na crise atual, o risco de perder a forma de garantia de seus lucros fantásticos, acusando Mr. Trump de destruir tudo aquilo que os EUA fizeram para controlar a economia mundial através de “sua rede de alianças e a confiança acumulada durante gerações”. Há, há, há!

6 – Negar a realidade, confundir os ingênuos: eis a prática de sempre. O Estado de S. Paulo tenta apagar a prática sanguinária do IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE, pautada na imposição de governos dóceis, sempre com a conversa da DEFESA DA DEMOCRACIA, do PERIGO COMUNISTA. Agora, encontra entraves, de ordem econômica e militar, no ORIENTE e, como derrotado não tem vez no capitalismo, transforma o fracassado militar da vez no culpado.

7 – Caso acabe hoje o governo de Mr. Trump, ele, sem dúvida, terá cumprido o seu papel de iniciar a ofensiva sanguinolenta do IMPERIALISMO. Quem vier depois pode E VAI SIMPLESMENTE MANTER O CONTEÚDO COM NOVA FORMA, inclusive em condições de afirmar-se como defensor da DEMOCRACIA CONTRA A BARBÁRIE!

domingo, 26 de julho de 2026

O Acordo de Escazú e o Proálcool: crítica histórica ao controle da informação e dos recursos naturais.

 




O Acordo de Escazú e o Proálcool: crítica histórica ao controle da informação e dos recursos naturais.

Wladmir Coelho e Hamilton Pimentel  Lopes

A transição energética ocupa hoje posição central nos debates sobre desenvolvimento, sustentabilidade e política ambiental. Entretanto, compreender esse processo exige também um olhar histórico sobre as políticas públicas e as estratégias adotadas pelos Estados na administração de seus recursos naturais.

Neste artigo, analisamos a experiência brasileira do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) em diálogo com o Acordo de Escazú. Discutimos como o controle da informação, da tecnologia e dos recursos naturais se relaciona com a soberania nacional, o planejamento estatal e a formulação das políticas ambientais.

Mais do que uma comparação entre momentos históricos distintos, o estudo procura demonstrar que muitas das questões atualmente debatidas já estavam presentes em experiências anteriores de desenvolvimento, oferecendo importantes elementos para a reflexão sobre a transição energética contemporânea.

A experiência brasileira do Proálcool ainda oferece lições para o debate atual sobre a transição energética?

Convidamos o leitor a conhecer essa reflexão por meio da leitura do artigo completo CLIQUE AQUI 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Controle da natureza e subordinação econômica: O PROÁLCOOL e as limitações da tecnologia nos países subdesenvolvidos


 

Controle da Natureza e Subordinação Econômica

Controle da natureza e subordinação econômica: O PROÁLCOOL e as limitações da tecnologia nos países subdesenvolvidos 

Wladmir Tadeu Silveira Coelho; Hamilton Pimentel Lopes; Pires Vandeí Antunes Pereira. 

Neste artigo, analisam-se historicamente os aspectos jurídicos, econômicos, políticos e sociais relacionados à implantação do PROÁLCOOL, considerando as limitações dos países subdesenvolvidos na construção de alternativas energéticas que revelem um distanciamento da forma hegemônica amparada na utilização de combustíveis fósseis. Apresentam-se diferentes modelos de desenvolvimento formulados por autores brasileiros e estrangeiros, bem a condição do atraso nacional, o uso da tecnologia como ferramenta de intervenção na soberania nacional e o subimperialismo como característica da política econômica do regime implantado no Brasil em 1964. A metodologia deste artigo fundamenta-se em pesquisa bibliográfica, análise da legislação ambiental e revisão da literatura científica, priorizando-se uma abordagem qualitativa. Assim, a trajetória do PROÁLCOOL e os limites tecnológicos de um país subdesenvolvido demonstram como o contexto de subordinação econômica limita o desenvolvimento econômico e tecnológico. O predomínio dos combustíveis fósseis está associado ao controle tecnológico do setor energético, destacando um modelo produtivo que mantém os países subdesenvolvidos na perspectiva de consumidores de tecnologias e técnicas desenvolvidas pelos países centrais. Portanto, o estudo histórico e jurídico do PROÁLCOOL permitiu entender o conceito de “ordem” estabelecido desde a Aliança para o Progresso e do Clube de Roma para os países subdesenvolvidos, permitindo observar a associação deste ao discurso ambiental em bases conservadoras, no qual ao lado de preocupações como a poluição, preservação da natureza, modernização, controle populacional, acesso de gerações futuras encontraram-se a estruturação dos meios para a ampliação da dependência tecnológica e subordinação econômica e tecnológica. 

PARA LER O ARTIGO COMPLETO LINK AQUI: PARA LER O ARTIGO COMPLETO LINK AQUI

#DireitoAmbiental #TransiçãoEnergética #Proálcool #DesenvolvimentoNacional #EconomiaPolítica #Soberania #Tecnologia #Energia #Planejamento #Brasil #DireitoEconômico


segunda-feira, 16 de março de 2026

PETRÓLEO, PODER E TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: A GEOPOLÍTICA DO ESTREITO DE ORMUZ

 

PETRÓLEO, PODER E TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: A GEOPOLÍTICA DO ESTREITO DE ORMUZ

Wladmir Coelho

O texto analisa a centralidade geopolítica do Estreito de Ormuz na história do capitalismo e no controle internacional do petróleo. A partir de exemplos históricos, demonstra a continuidade do interesse imperial desde o período mercantil português até a estratégia contemporânea dos Estados Unidos. Discute também como o petróleo se tornou base material do desenvolvimento industrial e elemento central do poder econômico global. Em seguida, examina o surgimento do discurso eco-capitalista e sua relação com a subordinação tecnológica dos países subdesenvolvidos. Conclui que a atual transição energética mantém a lógica de reprodução do sistema econômico e da exploração da natureza.

O “desejo” de substituição dos combustíveis fósseis por fontes com menor grau de emissão de CO₂ representa uma realidade em nossos dias? A resposta está no noticiário mundial e geograficamente localizada no Estreito de Ormuz, uma região tradicionalmente disputada por impérios. Inicialmente, precisamos apresentar uma introdução das relações do chamado Ocidente com o Estreito de Ormuz, que representa – tradicionalmente – um ponto importante para os interesses comerciais e, desde o século XVI, o capitalismo – naquele momento em sua fase mercantil – disputa o seu controle.

Essa condição fica melhor ilustrada quando recordamos que o império português ocupou e construiu, em uma das ilhas da região, uma fortaleza militar, e por lá permaneceu por mais de 100 anos, movido pelo interesse em exercer o monopólio do comércio do Oriente com a Europa. Com o passar do tempo e a evolução do modo de produção capitalista, vamos observar, em meados do século XIX, o império britânico consolidando o controle da região e, no início do século seguinte, Winston Churchill – então Lorde do Almirantado – transformando o domínio da região em questão de segurança nacional.

Curiosamente, os Estados Unidos apresentam, para o grande público do século XXI, o mesmo argumento utilizado – com sucesso – pelo antigo Lorde do Almirantado, revelando a continuidade da prática de transubstanciação do conceito de segurança nacional em meios para garantir o controle do petróleo, independentemente de sua localização geográfica, gerando, desse modo, acordos e legislações nacionais e internacionais, todos oferecendo ao conceito de soberania nacional – para os países subdesenvolvidos, principalmente – uma subordinação aos interesses do imperialismo, cobertos de forma tímida pelo véu do discurso da liberdade de mercado, dos valores ocidentais e outros tantos balangandãs eufemísticos.

E a transição energética? Bom, antes de qualquer aprofundamento quanto à transição energética, devemos recordar que a consolidação do modelo industrial efetivou-se a partir dos combustíveis fósseis, assumindo o petróleo, no século XX, a condição de base da produção, revelando-se como combustível e matéria-prima para todos os setores. Não é preciso aprofundar muito esses aspectos para perceber que o controlador desse recurso – não apenas o proprietário em sua condição natural, mas aquele em condições de processá-lo para as suas múltiplas utilizações – torna-se um poderoso agente controlador do poder econômico do petróleo.

Esse poder econômico foi determinante para o desenvolvimento de toda a tecnologia produtiva, revelando, historicamente, uma metamorfose entre o petróleo e o capitalismo, levantando esta constatação a seguinte questão: é possível uma transição energética sem uma mudança da forma de produção? Qual a transformação a ser iniciada em primeiro lugar?

Desde o final da década de 1960, quando os maiores industriais e banqueiros do planeta, reunidos no Clube de Roma, constataram que os recursos naturais, e notadamente o petróleo, encontravam-se nos países mais atrasados economicamente, o discurso eco-capitalista passou a defender a “racionalização” da exploração ambiental, pautado na ampliação das técnicas decorrentes da tecnologia dos países industrializados, residindo neste ponto um importante fator de subordinação. Em outras palavras, os países subdesenvolvidos foram submetidos à aplicação de soluções de produção – e, por consequência, ambientais – importadas dos países dominantes, impedindo a plena utilização de suas potencialidades naturais, inclusive a utilização de formas alternativas aos combustíveis fósseis.

A chamada transição energética de nossos dias segue esse padrão e, mesmo que se apresente ao lado de termos, a exemplo de sustentabilidade, respeito às tradições locais e outros, encontra-se fundada nos interesses da reprodução de um modelo econômico voltado à maior exploração possível do trabalho e, por consequência, da natureza.

quarta-feira, 4 de março de 2026

PETRÓLEO, HISTÓRIA E SOBERANIA ENERGÉTICA: LIÇÕES DE 1973 PARA O BRASIL DE HOJE

  






PETRÓLEO, HISTÓRIA E SOBERANIA

 ENERGÉTICA: LIÇÕES DE 1973 PARA O

 BRASIL DE HOJE

Wladmir Coelho

A tensão no Estreito de Ormuz revela que o mundo continua profundamente dependente do petróleo. A crise energética de 1973 mostrou como essa dependência pode provocar instabilidade global e pressionar economias nacionais. No Brasil, iniciativas como a criação da PETROBRAS e o PROÁLCOOL buscaram reduzir essa vulnerabilidade. O desafio atual é recuperar o uso estratégico do petróleo e da biomassa como base de uma verdadeira soberania energética.

1 - O fechamento ou as restrições de passagem de navios petroleiros pelo estreito de Ormuz revela um aspecto curioso: AINDA ESTAMOS FORTEMENTE DEPENDENTES DO PETRÓLEO COMO COMBUSTÍVEL E MATÉRIA-PRIMA.

2 - Estes navios transportam aproximadamente 20% do petróleo consumido no planeta e, destes, quase 40% seriam aqueles destinados à China, o chão de fábrica do planeta.

3 - Segundo os dados disponíveis, a China teria uma reserva em condições de suportar os impactos iniciais graças ao desenvolvimento de um programa gigante de armazenamento e diversificação das fontes — neste caso — de energia, notadamente o uso de células fotovoltaicas e biocombustíveis.

4 – HISTÓRIA: Em 1973, o cartel da OPEP restringiu o acesso ao petróleo daqueles países que apoiavam Israel durante a Guerra do Yom Kippur, provocando — para além da elevação dos preços — uma crise sem precedentes quanto ao abastecimento dos diferentes países, incluindo o Brasil.

5 - A PETROBRAS: No caso brasileiro, desde 1953 o país havia decidido romper a dependência externa do petróleo e assumir a exploração, refino e distribuição de combustíveis, ao lado da implantação de uma indústria petroquímica em condições de garantir a segurança energética nacional.

6 – Em 1973, essa iniciativa — iniciada do zero — contava com 20 anos e ainda buscava a sua efetivação, incluindo o desenvolvimento de uma tecnologia — veja bem, TECNOLOGIA e não TÉCNICA — criada a partir das características e necessidades NACIONAIS.

7 - ENERGIA SOLAR E HISTÓRIA: A crise de 1973 acabou por colocar em prática propostas apresentadas desde o início do século XX por autores como Pandiá Calógeras, Manoel Bomfim, Alberto Torres e outros defensores da formação de uma matriz energética a partir dos recursos nacionais, com desenvolvimento de TECNOLOGIA LOCAL.

8 – SOBERANIA NACIONAL: E qual seria a base deste desenvolvimento? Considerando o ponto de vista político, a defesa da soberania brasileira, a INDEPENDÊNCIA ECONÔMICA, complementando a INDEPENDÊNCIA POLÍTICA de 1822 e, convenhamos, ainda hoje incompleta.

 

9 – PLANEJAMENTO ECONÔMICO: Os autores do início do século XX que citei não defenderam de forma direta o planejamento da economia, mas a leitura, mesmo superficial, das respectivas obras vai indicar a tendência ao estabelecimento deste modelo de economia, aspecto hoje odiado e condenado — por diferentes lateralidades da política — que defendem a fé incondicional nas chamadas LEIS DE MERCADO, mesmo que estas revelem-se — inclusive — contrárias às LEIS DA NATUREZA.

10 – E A ENERGIA SOLAR? A solução brasileira diante da crise do petróleo foi recorrer à BIOMASSA, um presente das LEIS DA NATUREZA aos países tropicais que possuem SOL o ano inteiro e, por isso mesmo, MUITA ENERGIA ACUMULADA ATRAVÉS DA FOTOSSÍNTESE.

11 – O PROÁLCOOL foi a resposta nacional. Sua aplicação, todavia, não conseguiu romper as condições de subordinação econômica e antinacional das classes dominantes brasileiras, que sabotaram TODAS as iniciativas de rompimento da dependência energética desde Calógeras, passando pela PETROBRAS, nascida de um grande movimento popular e criada a partir da decisão corajosa do presidente GETÚLIO VARGAS.

12 – Hoje, lamentavelmente, o conceito de energia solar ficou restrito à utilização de um modelo importado, através das células fotovoltaicas, ignorando as demais potencialidades da biomassa que ultrapassam a simples conversão em combustível para automóveis, alcançando a indústria química e, desta, a fabricação, inclusive, de plásticos.

13 – A PETROBRAS: A importância do petróleo — como estamos observando — não desapareceu, mas infelizmente, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso — e ninguém depois alterou este quadro — o controle efetivo do PODER ECONÔMICO DO PETRÓLEO foi retirado da empresa nacional e encaminhado para Wall Street, onde é cotado em dólares conforme os interesses de fundos mil, que ganham muito, muito mesmo, na guerra e na paz, às custas do trabalho alheio.

14 – Remunerar os ditos investidores internacionais — na verdade, aplicações financeiras destes indivíduos muito, muito ricos — passou a ser o destino do conhecimento acumulado e do trabalho da PETROBRAS.

15 – O PODER ECONÔMICO DO PETRÓLEO: O termo foi amplamente estudado pelo professor Washington Albino e revela, em seu significado, a condição do PETRÓLEO como instrumento financiador da verdadeira revolução ambiental decorrente da ampla e racional utilização da BIOMASSA, condição abandonada ou, quem sabe, desligada para o seu futuro controle a partir das LEIS DO MERCADO.

 

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A AMEAÇA À INTEGRIDADE NACIONAL DIANTE DA POSSIBILIDADE DE UM PROTETORADO DOS EUA NA AMÉRICA DO SUL

 


⚠️ A AMEAÇA À INTEGRIDADE NACIONAL DIANTE DA POSSIBILIDADE DE UM PROTETORADO DOS EUA NA AMÉRICA DO SUL ⚠️

Wladmir Coelho


A defesa da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela por setores que se autodenominam conservadores no Brasil representa, a meu ver, um risco direto à integridade nacional brasileira 🇧🇷. Esse risco decorre da desestabilização de um país fronteiriço ao Brasil, que pode — a qualquer momento — ser transformado em uma espécie de protetorado estadunidense, reafirmando a lógica expansionista daquele país ⚠️.

O expansionismo dos Estados Unidos está presente na gênese de sua formação nacional, marcada pela anexação de territórios por diferentes meios — da compra à conquista militar. Exemplos históricos disso são a Flórida e a Louisiana, antes sob controle do Império Espanhol, bem como territórios tomados do México, como o Texas e a Califórnia 📜🌎.
Em sua forma contemporânea, esse expansionismo se manifesta na intenção de controle direto sobre a América, encontrando expressão recente na intervenção na Venezuela, cuja base econômica é evidente 💰🛢️.
A possibilidade de ampliação das fronteiras de influência dos Estados Unidos, por meio da transformação — ou tentativa de transformação — de um país limítrofe ao Brasil em protetorado, deveria, no mínimo, acionar um alerta estratégico no radar militar brasileiro 🚨🪖. Isso se torna ainda mais sensível diante do aumento potencial das ameaças ao controle efetivo da região amazônica 🌳, área que abriga um vasto e estratégico potencial energético, quer de origem fóssil, quer a partir da biomassa — aspecto ainda pouco debatido com a sociedade, mas que aponta para possibilidades reais de autossuficiência energética, inclusive para o Brasil ⚡🌱.
Nesse sentido, a postura brasileira deve ser analisada sob a ótica da defesa da soberania venezuelana, não como um gesto ideológico, mas como um elemento central de SEGURANÇA NACIONAL e, consequentemente, de defesa da INTEGRIDADE TERRITORIAL do próprio Brasil .



domingo, 18 de janeiro de 2026

ENERGIA SOLAR, FOTOSSÍNTESE E CONSCIÊNCIA NACIONAL

 🌱⚡ ENERGIA SOLAR, FOTOSSÍNTESE 

E CONSCIÊNCIA NACIONAL ⚡🌱

WLADMIR COELHO

1 – O Estado de Minas de hoje traz a exultação pública de um deputado estadual a respeito dos bilhões que serão investidos em ENERGIA SOLAR no Estado.

2 – Primeiro, é preciso observar o seguinte: para o deputado – e, de resto, a maioria de seus pares e ímpares – o termo ENERGIA SOLAR ficou reduzido à simples importação de tecnologia e à consequente aplicação das técnicas relativas ao modelo fotovoltaico, predominantemente vinculado ao SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL (SIN), gerando riscos à estabilidade e à integridade deste.

3 – Ignoram, estes senhores e senhoras, que as soluções para a superação da dependência fóssil decorrem da FOTOSSÍNTESE e que, dessa ignorância, se perdem as possibilidades NACIONAIS.

4 – O fato não é novo e, desde o início do século passado, PANDIÁ CALÓGERAS alertava para a necessidade da superação da simples importação de tecnologia, apontando um mapa detalhado dos nossos potenciais, incluindo a biomassa.

5 – No final do século 20, BAUTISTA VIDAL – o pai do PROÁLCOOL – provou que era possível e necessário criar uma tecnologia nacional para o setor energético do país, superando a simples incorporação de modelos importados que simplesmente amarram o nosso desenvolvimento.

6 – Neste contexto, não podemos deixar de incluir ÁLVARO VIEIRA PINTO e sua preocupação em apresentar uma teoria para a construção de uma CONSCIÊNCIA NACIONAL. Sim, vivemos em uma nação – diversa, plural – todavia UMA NAÇÃO, AINDA ASSIM!

7 – O Brasil – agora volto a BAUTISTA VIDAL – é privilegiado em termos de ENERGIA SOLAR e não pode permanecer reduzido a entender esse fantástico potencial como importação e imitação tecnológica; é preciso criar, mas antes entender como, PLANEJAR e, neste ponto, entra em cena outro grande estudioso do BRASIL: WASHINGTON ALBINO.

8 – Precisamos recorrer aos clássicos nacionais para fugir do oba-oba eleitoreiro, demagógico e dependente.



terça-feira, 6 de janeiro de 2026

ENTRE A DIGNIDADE NACIONAL E A SUBMISSÃO

 ENTRE A DIGNIDADE NACIONAL E A SUBMISSÃO

Wladmir Coelho

1 - Ontem, durante uma manifestação na Praça Sete de Setembro, em Belo Horizonte, contra o ato terrorista praticado pelos EUA na Venezuela, um reduzido grupo de provocadores, reivindicando-se como conservadores, apresentou-se acompanhado de um indivíduo que dizia ser venezuelano. Este, por sua vez, afirmava, em coro com eles, o seu apoio ao ato de guerra estadunidense contra o que seria o seu país.

2 -Particularmente, jamais reivindiquei a condição de “conservador”; contudo, diante da atitude insana daquela gente, quase que automaticamente recordei de um antigo militar apresentado por muitos como tal. Refiro-me ao Marechal Mário Travassos e a um pequeno artigo que escrevi há alguns anos.
3 - Vou inserir abaixo um trecho do artigo e mostrar as diferenças entre um homem lúcido e aqueles rebaixados entreguistas, partidários do retorno do Brasil e da América Latina à condição colonial.
"Em 1931 escrevia o então capitão Mário Travassos em seu livro Projeção Continental do Brasil: “A influência mundial dos Estados Unidos é hoje realidade que não se discute. (...) É servidão contra a qual inutilmente se debatem os que contra ela se revoltam.” Travassos revela neste ponto o inequívoco movimento do imperialismo estadunidense em direção a América do Sul prevendo como porta de entrada as bacias do Orinoco – a partir da Venezuela – e do Magdalena na Colômbia.
O motivo do interesse imperialista na região, descreve Travassos, encontra-se na “importância avassaladoramente crescente do avião e do automóvel, sem dúvida nenhuma cabem a borracha e ao petróleo as referencias que devem balizar as influências poltitico-econômicas yankees no território sul-americano.
Decorridos 88 anos da primeira publicação da obra aqui citada verificamos a Colômbia transformada, a pretexto do combate ao tráfico de drogas, em gigantesca base militar estadunidense enquanto a Venezuela é pressionada, através da ameaça de ocupação militar, a rever o processo de nacionalização petrolífera efetivada durante o governo do coronel Hugo Chaves.
Travassos, inicialmente, revela em sua constatação a respeito do expansionismo estadunidense uma frase, cujo teor, pode conduzir ao conformismo afirmando a inutilidade do combate da servidão ao império. Entretanto sua obra vai apresentar uma grande preocupação com o papel do Brasil diante do imperialismo estadunidense e deste, quais seriam os principais problemas a superar como forma de garantir a integridade territorial brasileira, a soberania, somados estes ao fato projeção ou liderança da América do Sul. "
O texto completo está aqui: https://revistaeletronicaoabrj.emnuvens.com.br/revista/article/view/566?fbclid=IwY2xjawPJzm5leHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEefZW-E065zrL92c7WkBV0WxgVvROFXZ5lQw1ghLf_lrhpUCY9QM7VKo4Aieo_aem_5u16eoIAqtJkavD8HbVeRQ

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

EDUCAÇÃO, PODER E DOMINAÇÃO: UMA CONVERSA NECESSÁRIA


 


📚🧠🔥 EDUCAÇÃO, PODER E DOMINAÇÃO: UMA CONVERSA NECESSÁRIA 🌎⚖️💣


por Wladmir Coelho

A educação foi definida — em termos gerais — por Álvaro Vieira Pinto como uma forma de reprodução dos interesses de uma sociedade. Ao recordar a amplitude do processo educacional — veja bem, processo — o autor destaca seu caráter permanente, não restrito à escolarização, mas presente também no trabalho, no cinema, na televisão, na família, na religião e em múltiplas outras dimensões da vida social.

Por isso mesmo, quando tratamos do tema educação, precisamos, inicialmente, compreender a forma de organização de uma sociedade em sua dimensão histórica, bem como as suas contradições. Não há educação neutra, assim como não há processo formativo dissociado das relações de poder que estruturam a vida social.

É nesse ponto que chegamos aos recentes acontecimentos observados na Venezuela, quando uma potência estrangeira simplesmente decide dominar um país mais fraco em termos econômicos e militares, sequestrar o seu presidente e julgá-lo a partir de acusações vazias. Paralelamente, essa mesma potência divulga como resultado dessa ação militar o controle do setor petrolífero. Vejamos: antes da invasão e do golpe, as empresas estadunidenses não estavam proibidas de atuar na Venezuela e já operavam no país, como é o caso da Chevron, que exportou mais de 140 mil barris de petróleo por dia no ano passado.

Os motivos do uso da força militar e do sequestro presidencial, como é fácil observar, encontravam-se na intenção de assumir o controle da produção petrolífera e direcionar sua venda conforme interesses próprios — com destaque para o mercado chinês — ampliando, assim, o poder de manipulação dos preços dessa preciosa commodity. A Venezuela, como sabemos, possui a maior reserva provada de petróleo do planeta.

Voltemos à educação. Ao longo dos últimos três séculos, recebemos doses cavalares de uma história idealizada dos Estados Unidos. Consumimos literatura, filmes e músicas que exaltam um mítico povo portador de uma suposta missão divina de civilizar os “selvagens” da América. América, eis o problema.

Para a classe dominante estadunidense, o termo América não se limita à denominação de um continente, mas expressa uma forma específica de organização econômica, política e social, construída a partir de suas condições históricas e interpretada por seus membros como determinada por Deus. Essa visão se resume na conhecida lenda do Destino Manifesto.

Trata-se de uma lenda que parcela considerável da população estadunidense considera verdadeira, difundida por todo o continente por meio da indústria cultural e constantemente presente no discurso de dominação, quase sempre precedido por expressões cínicas como “apoio ao desenvolvimento econômico”, “liberdade” e “democracia”.

O Destino Manifesto impulsionou, após a independência dos Estados Unidos, o expansionismo rumo ao Oeste, com a apropriação de territórios coloniais da Espanha — uma monarquia católica e, portanto, duplamente atrasada segundo essa narrativa —, a declaração de guerra contra os povos indígenas sob o pretexto de uma missão civilizatória e a imposição de guerras de conquista contra o México.

Reproduzir os interesses de uma sociedade — neste caso — significa, necessariamente, convencer os demais povos do continente de sua inferioridade em todos os sentidos e controlar, a ferro e fogo, as formas de entendimento da realidade. O resultado é, no máximo, um entendimento ingênuo, segundo o qual todo o nosso atraso seria fruto de uma índole malvada e corrupta, justificando, assim, uma permanente intervenção educacional dos Estados Unidos, que se atribuem a tal missão divina.

Nesse contexto, torna-se mais compreensível a confusão de muitos diante da defesa da soberania de um país. Qualquer tentativa, ainda que mínima, de controle da economia para estruturar um projeto de desenvolvimento nacional é imediatamente atacada, tachada de autoritária ou comunista. Seguem-se sanções econômicas e, quando estas não funcionam, os chamados “mísseis da democracia” estão sempre à disposição.

domingo, 21 de dezembro de 2025

 

Novo artigo publicado: 

História do Direito, Estado Dependente e Natureza Subordinada no Brasil

Acaba de ser publicado o artigo “História do Direito: O Estado Dependente e a Natureza Subordinada (1500–1930)”, em coautoria com Lyssandro Norton Siqueira.

O trabalho analisa a formação do Estado e do direito no Brasil, articulando capitalismo colonial, estrutura econômica e exploração da natureza. Ao percorrer o período de 1500 a 1930, o texto examina como a consolidação do Estado brasileiro esteve associada a um modelo econômico dependente e à utilização intensiva dos recursos naturais, elementos que se projetam ao longo do tempo.

A pesquisa evidencia que essas dinâmicas históricas foram fundamentais para a organização das instituições estatais e jurídicas, oferecendo subsídios para a compreensão das relações entre Estado, economia e natureza na história brasileira.

📄 Texto completo:
🔗 https://site.conpedi.org.br/publicacoes/6h25op4f/y079g02z/gV7v0QW3LwufZ3R2.pdf

💬 Como essas heranças históricas continuam presentes no ordenamento jurídico brasileiro?

#HistóriaDoDireito #DireitoEAmbiente #EstadoDependente #PesquisaJurídica







quinta-feira, 25 de abril de 2024

A LUTA ATÉ O ÚLTIMO UCRANIANO E OS LUCROS DA INDÚSTRIA DA GUERRA


 

 - GUERRA E INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA

 - A LUTA ATÉ O ÚLTIMO UCRANIANO E OS LUCROS DA INDÚSTRIA DA GUERRA

Por Wladmir Coelho

1 - Democratas e republicanos aprovaram um pacote de gastos de US$ 95 bilhões para as diferentes guerras de interesse o império e destes, US$ 61 bilhões, foram direcionados a Ucrânia.  A classe dominante do país europeu segue com firme determinação a ordem imperial de lutar “até o último ucraniano” e vibra com a publicidade francesa que promete o envio de tropas para a frente de batalha. Promete, note bem.

2 – Voltando aos bilhões dos Estados Unidos: no último dia 23 o Senado aprovou um robusto pacote financeiro destinado aos conflitos – quentes e frios - envolvendo Israel, Taiwan e Ucrânia. A maior parte destes recursos, como observamos, destinam-se aos ucranianos.

3 – Em tempos de arcabouços e discursos economicistas destinados a tapear os ingênuos com anúncios do caos, do fim do mundo caso o Estado venha a gastar para estimular a indústria, a economia observamos, lá  na sede do império, a vibrante corrente prá frente dos jornalões com os gastos de guerra.  

4 – Os investimentos do Estado estadunidense na guerra da Ucrânia – segundo o site  Breaking Defense representante da vibrante indústria da morte – jamais saíram do país e foram gastos na compra de material bélico produzido em casa mesmo.

5 – Washington Post, Time e afins acumulam matérias revelando os setores beneficiados e citam a cadeia produtiva das bombas e misseis abrangendo 70 cidades em 30 estados incluindo o republicano Texas e a Califórnia dos democratas. Locupletam todos!

domingo, 2 de abril de 2023

REFORMA DO ENSINO MÉDIO E IDEOLOGIA RESPOSTA AO ARTIGO DO ECONOMISTA DOUTOR CLÁUDIO DE MOURA CASTRO


 

REFORMA DO ENSINO MÉDIO E IDEOLOGIA

RESPOSTA AO ARTIGO DO ECONOMISTA

DOUTOR CLÁUDIO DE MOURA CASTRO

 

POR WLADMIR COELHO

1 – Em artigo publicado no jornal Estado de São Paulo domingo, 2 de abril, o economista doutor Cláudio de Moura Castro apresenta com nitidez os elementos ideológicos presentes na chamada “reforma do ensino médio”.  

2 – O doutor Moura Castro, para confundir os ingênuos, inicia o artigo descendo a borduna nos ministros da educação nomeados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro um expediente comum em nossos dias e amplamente utilizado por aqueles interessados em manter e ampliar o projeto ideológico representado no antigo mandatário sem os carimbos amplamente conhecidos.

3 – Na mesma edição o jornal paulista, em seu editorial, apresenta um conceito peculiar de democracia no qual o Congresso ao aprovar uma lei – e no caso do editorial em questão tratava-se daquela da autonomia do Banco Central – esta jamais pode ser contestada e no caso em questão não precisamos de muito esforço para perceber os interesses dos banqueiros elevados a condição sacrossanta e desta a famosa condição de fim – no sentido de término – da história.

4 – O fim da história – em termos práticos – significa o seguinte: as leis implantadas pelos interesses do capital são permanentes e não podem ser tocadas, pois representam a verdade absoluta. Eis o conceito de democracia do Estado de São Paulo.

5 – Voltando ao doutor economista Moura Castro vamos observar o seu horror e desprezo ao conceito de democracia como prática participativa  – um exercício perfeitamente possível e previsto em diferentes pontos da Constituição de 1988 – reduzidos pelo economista em questão a condição de  “assembleísmo” e uma delas – segundo o douto autor em análise -  “pariu o Plano Nacional de Educação (PNE)” completando a respeito da Conferência Nacional na qual foi aprovado o PNE: “o caos mais memorável que presenciei em minha vida.”

6 – E o que seria o “caos” na Conferência Nacional de Educação? Primeiro a existência de “milhares de sugestões disparatadas” e depois a falta de referência “as palavras eficiência e qualidade”. Observe: o conceito de democracia do Estadão - e por consequência do economista Moura Castro - não admitem divergências de ideias e menos ainda a construção de um projeto educacional brasileiro a partir dos interesses nacionais, de um consenso efetivado a partir dos trabalhadores e estudantes.

7 – Para o economista Moura Castro o PNE carregava ainda o “perigo” presente na nas “ideias do italiano Gramsci. Nos anos 20, esse filósofo esquerdista se atrapalhou com a lei e foi parar na cadeia. Lá, escreveu sobre educação, com propostas ambiciosas e revolucionárias.” Afirma o economista.

8 – Existindo alguma dúvida a respeito do peculiar conceito de democracia do Estadão e do douto economista devemos observar o culto a ordem estabelecida e desta constatação perguntar: qual era a ordem estabelecida na Itália que resultou na prisão do filósofo esquerdista em função de “trapalhadas” com a lei? Ora, a resposta é simples: a Itália naquele momento histórico encontrava-se submetida a ditadura fascista de Benito Mussolini. Isso qualquer estudante sabe, trata-se de parte dos temas presentes nas antigas e suprimidas aulas de História em função da dita reforma defendida pelo economista Moura Castro.  

9 – Mussolini considerou Gramsci perigoso da mesma forma o doutor Moura Castro e sabem o motivo? Eis a resposta retirada do artigo em análise: “Suas preocupações [as do Gramsci] com as diferenças entre a educação dos pobres e a dos ricos eram e são legitimas. Mas, para ele, a cura seria oferecer exatamente a mesma educação para todos, indo da prática aos píncaros da abstração. O modelo ficou conhecido como ‘politecnia’. Mas essa proposta é fantasiosa.”

10 – A partir das observações do ponto anterior vou destacar duas questões: a primeira o discurso do ‘marxismo cultural’ – o autor em questão não cita o termo, mas apresenta o seu significado - como fantasma presente no Plano Nacional de Educação e deste a contaminar toda prática escolar em nosso país somado as variações do tipo mamadeira erótica, ‘ideologia de gênero’ e todo o delírio amplamente divulgado. A segunda está na confissão dos interesses ocultos na dita reforma do ensino médio confirmando as denuncias realizadas por professores e estudantes, ou seja, a criação de uma escola inferior para os filhos dos trabalhadores e outra para os futuros gerentes. Aquelas escolas para as classes dominantes não vou anotar neste texto por razões obvias: esta parcela da juventude não estuda no Brasil.

10 – Em termos gerais podemos afirmar que o doutor Moura Castro não enxerga educação de qualidade para todos, mas privilégios de classe traduzindo eficiência como sinônimo de criação dos meios para reduzir os estudantes das classes populares a simples condição de produto de reposição mercadológica futura. Desconhece o economista o necessário acesso ao conhecimento acumulado pela humanidade ou dos fundamentos, criação de meios para o melhor desenvolvimento da juventude. Para ele pensar, criticar, entender não é função da escola para o povo.

11 - Deve ser por isso que em seu artigo escreve a respeito da antiga organização do ensino médio nacional: “Tinha de estudar também Química quem gostava de Literatura. E entediar-se como Filosofia quem queria ser físico.” Que respondam a restritiva ideia de formação do douto economista os exemplos de Carl Sagan, Einstein, Bohr e outros físicos e filósofos que felizmente não passaram pela estreita visão de educação do douto economista.  No Brasil recordo o exemplo do zoólogo Paulo Vanzolini, que matriculado hoje no ensino médio, não teria a formação escolar em literatura e quem sabe não desenvolveria – ao lado do cientista – a condição de compositor musical.

12 – Aos poucos vamos observando como a dita reforma do ensino médio representa os interesses ideológicos da classe dominante, dos banqueiros e seus institutos e fundações transformando os professores em meros transmissores do conteúdo apresentado em suas apostilas reduzindo o processo ensino aprendizagem a condição de simples adequação ao mundo sem história da permanente submissão. Ainda não encontrei, entre os defensores da revogação da dita reforma do ensino médio, um defensor da estagnação do modelo educacional e como foi possível observar esta posição pertence aos ditos reformadores.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

DO OTIMISMO AO PÂNICO: O HUMOR DOS CAPITALISTAS QUANTO A GUERRA NA UCRÂNIA SEGUNDO O FINANCIAL TIMES


 

DO OTIMISMO AO PÂNICO: O HUMOR DOS CAPITALISTAS QUANTO A GUERRA NA UCRÂNIA SEGUNDO O FINANCIAL TIMES 

Por Wladmir Coelho

1 – O jornalista Gideon Rachman do insuspeito Financial Times de Londres, nos momentos que antecederam a visita de mr. Biden a Ucrânia, escreveu o seguinte: “chega um ponto em muitas guerras no qual os lados em conflito se perguntam no que se meteram.” O texto segue revelando o pânico de Vladimir Putin diante de reveses militares em setembro do ano passado em função de uma bem sucedida reação ucraniana e pesadas baixas do lado russo.

2 – Segundo Rachman o quadro agora seria o inverso apresentando os membros da OTAN em público um otimismo desmedido enquanto no particular levantam dúvidas a respeito das condições para um eventual acordo de paz em condições favoráveis à Ucrânia. Sem acordo o prolongamento do conflito dificultaria as possibilidades de continuidade do apoio militar e financeiro dos países da OTAN.

3 – O jornalista do Financial Times entende que a guerra segue negativa para os russos em termos militares ressaltando, no entanto o desempenho favorável para economia apesar das “pesadas sanções”.  Rachman revela que a previsão de contração econômica da Rússia de 20% ou mais não passou de 4% existindo a expectativa de crescimento “no próximo ano.”

4 – O mesmo não é possível afirmar em relação à economia da Ucrânia hoje dependente dos empréstimos (ajuda?) dos Estados Unidos criando a necessidade de uma rápida vitória de Kiev. Existe, do lado da OTAN/EUA, a esperança das forças ucranianas empurrarem os russos para a Criméia forçando uma negociação, contudo Rachman recorda os “pequenos avanços” do exército da Rússia e acrescenta a falta de munição e equipamentos como aviões de combate para o lado ucraniano. O prolongamento da guerra, segundo o Financial Times, não é favorável aos militares ucranianos.

5 – Aqui um parêntese: os jornais noticiaram a ocorrência de protestos, em Washington, contra a destinação de bilhões de dólares à indústria armamentista para manutenção da guerra na Ucrânia. A viagem de mr. Biden a Kiev ocorreu um dia após as manifestações em Washington.

6 – Voltando ao Financial Times: como sabemos o jornal é o porta-vos do capitalismo inglês e ao publicar uma reportagem repleta de insinuações quanto a real situação militar e econômica da Ucrânia revela a preocupação dos donos do dinheiro quanto ao possível calote, afinal são bilhões de euros e dólares financiando armas, munições, aviões de todos os tipos sem esquecer do pagamento dos soldos dos militares ucranianos. O prolongamento do conflito resulta ainda em frustrações para o setor das empreiteiras, das empresas associadas a estrutura de comunicação, de energia todos ávidos por contratos com o Estado altamente vantajosos. Continuará a existir o Estado ucraniano? Perguntam os capitalistas do imperialismo.

7 – A realidade segue revelando um quadro desesperador para o povo ucraniano no qual uma eventual paz será seguida de grave crise econômica e repressão ditatorial ao estilo fascista uma forma clássica para atender aos interesses do imperialismo.  


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

BANCO CENTRAL INDEPENDENTE É DEPENDENTE TOTAL DOS BANQUEIROS

 





BANCO CENTRAL INDEPENDENTE É DEPENDENTE

TOTAL DOS BANQUEIROS

 

Por Wladmir Coelho

1 – O jornal Valor Econômico desta segunda-feira, 13 de fevereiro, apresenta alguns destaques diretamente relacionados aos interesses dos banqueiros e fundos de investimentos e destes a política de juros do Banco Central independente. Vejamos: “após Americanas ‘efeito dominó’ preocupa mercado”. Esta afirmativa mereceu a primeira página, mas no interior do Valor vamos encontrar outras duas: “economia fraca pressiona números do 4º trimestre” e “dona da Ortopé entra em recuperação judicial.” Esta última revelando problemas no setor industrial dos calçados diretamente relacionado as grandes redes de varejo.

2 – No material relativo ao “efeito dominó” das Americanas a reportagem do Valor realiza comparações do caso com as redes Marisa, Ricardo Eletro somados as livrarias Cultura e Saraiva. A mesma reportagem apresenta – com ar de mistério – a intenção de “duas empresas ligadas ao comércio digital, da última leva de abertura de capital, em 2021” solicitarem recuperação extrajudicial.

3 – Para entender melhor o material em questão temos a Marisa tentando renegociar a dívida de R$ 300 milhões, a Cultura falida enquanto a Saraiva permanece em recuperação judicial. A Ricardo Eletro, por sua vez, conseguiu reverter a falência retornando ao status  de recuperação judicial. Neste caso devemos recordar a condição provisória da reversão aguardando, os interessados, o julgamento. O caso das Americanas é amplamente conhecido e não vou aprofundar neste parágrafo, contudo chamo a atenção para os fatos corrupção e roubalheira tradicionalmente atribuídos ao Estado e agora verificados como prática comum no setor privado.   

4 -  Como elo de ligação entre as empresas citadas o Valor cita a dependência destas dos empréstimos bancários para a famosa “alavancagem” que diante da elevação dos juros – regulamentados – os comentaristas preferem o termo regulado - pelo Banco Central independente -  provocaram um aumento nas despesas financeiras de 176% entre 2021 e 2022.

5 – Desta forma não há taxa de lucro que aguente e dá-lhe reestruturação das empresas com demissões, fechamento de lojas e falsificação de balanços. Este expediente, em termos práticos, visa salvar a dinâmica dos tempos de crise do capitalismo através do chamado capital fictício registrado como real nos livros de contabilidade proporcionando lucros aos especuladores de Wall Street através do pagamento de dividendos – sem lucro contábil isso não existe.

6 - Os juros elevados surgem, inclusive, para transformar  o Estado em fiador de um sistema econômico amparado na farsa através do  recurso dos títulos da dívida controlados pelos banqueiros através de seu sindicato denominado Banco Central. Desta forma eventuais quebradeiras encontram nos cofres públicos um alívio para os banqueiros mantendo segura a taxa de lucro. O dinheiro do povo em vez de encontrar sua realização nas escolas, saúde, transporte ou financiar a produção acaba servindo para sustentar um modelo injusto voltado aos interesses dos grandes senhores do capital ampliando as perdas internacionais.    

7 - Em resumo; para garantir os lucros estratosféricos os bancos exigem, além das garantias das empresas, o Estado como fiador de uma cadeia de exploração envolvendo as frases sagradas diariamente repetidas pelos famosos comentaristas econômicos: “ajuste fiscal”, “corte de gastos”, “teto de gastos”.

8 – O curioso é observar os bancos a assumirem publicamente a condição de elementos do atraso econômico. Vejamos um detalhe importante observado na matéria do mesmo Valor: “economia fraca pressiona números do 4º trimestre.” Neste ponto temos o banco multinacional Santander – aquele que cresceu com apoio direto da ditatura fascista do generalíssimo Franco – prevendo queda nos lucros das empresas sob sua cobertura de “14,3% na comparação anual, pressionadas pela alta nos juros [grifos nossos] e desaceleração econômica no Brasil durante os três meses finais do ano.” Os três maiores bancos privados no Brasil – o Santander é o 3º - viram seus ganhos reduzirem em 7,3% resultando em lucro de apenas R$ 64,3 bilhões em 2022. Saibam todos: o rotativo do cartão de crédito, os juros estratosféricos cobrados nos empréstimos utilizados para cobrir os salários insuficientes, os empréstimos consignados transformam o nosso povo em parcela escravizada dos banqueiros. Temos ainda os famosos cortes de gastos públicos como forma de garantir o Estado como fiador das elevadas taxas de juros conforme explicamos anteriormente.  

8 – Por fim a indústria da moda e calçados simbolizados no caso Ortopé. Esta empresa simplesmente fraudou operações com o setor das grandes varejistas como Riachuelo e C&A e Rener criando duplicatas frias para, conforme o Valor, “operar antecipação de recebíveis com notas fiscais dessas operações inexistentes.” A Ortopé, igualzinho as Americanas, presta conta aos famosos fundos de investimentos e estes precisam apresentar aos associados lucros em todos os investimentos e pagar elevados dividendos constituindo um elemento importante para o famoso capital fictício necessitado, este, de um ponto de apoio real, verdadeiro. A Ortopé faz parte do setor industrial e sua recuperação judicial revela um aumento dos problemas econômicos e aqui voltamos ao ponto inicial, ou seja, o efeito dominó previsto na manchete do Valor, embora amenizado ao longo da reportagem.

9 – O debate a respeito do controle da política financeira, econômica, como podemos observar, vai além do discurso tecnocrático da existência de um Banco Central independente elevado na imprensa comercial à condição de  divindade e passa necessariamente pela superação do Estado como espécie de fiador de um sistema apoiado na fantasia contábil e das práticas de corrupção no setor privado. Ao Estado, notadamente em um país dependente da exportação de comodities como o Brasil, é necessário o controle dos setores econômicos estratégicos – petróleo, energia, mineração – caso exista interesse na superação de um modelo atrasado. 





quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

O FRIO E A FRIEZA DO IMPERIALISMO

 



O FRIO E A FRIEZA DO IMPERIALISMO 


Por Wladmir Coelho

A imagem que vai ilustrando este texto mostra a realidade da cidade de Buffalo, no Estado de Nova York, tradicionalmente afetada por tempestades de neve. Das 60 mortes oficialmente declaradas por congelamento 30 foram registradas lá e este número ainda é provisório diante da falta de recursos - humanos e financeiros - para atender as residências sem energia elétrica, aquecimento, alimentação. Vejamos como o imperialismo trata seu próprio povo:

1- Os jornais brasileiros até noticiam as mortes por congelamento de pessoas do povo - trabalhadores - nos Estados Unidos. Ocultam essas notícias um detalhe importante: na maior economia do mundo não há serviços de resgate, socorro em condições de atender situações como as tradicionais e previsíveis tempestades de neve prevalecendo a máxima liberal do "cada um por si", uma espécie de "projeto de vida" à moda da "reforma do ensino médio" escrito em inglês lá e traduzido aqui nas fundações, institutos da grana.

2 - Curiosamente o Estado imperialista estadunidense apresenta condições de bombardear, matar, promover a derrubada e instituir governos - utilizando a mais moderna técnica - em QUALQUER PONTO DO PLANETA contando com GIGANTESCO ORÇAMENTO DE GUERRA, sem falar no poder econômico estatal que faz do Pentágono o MAIOR EMPREGADOR DO MUNDO!

3 -  Incrível, mas rigorosamente verdadeiro: o país das liberdades comerciais não apresenta a estrutura necessária para retirar da neve seus trabalhadores que morrem congelados pedindo socorro pelo 911 número que a indústria cultural divulga nas séries como modelo de assistência.

4 -  Mr. Biden liberou – emprestou aos ucranianos -  bilhões para a guerra por procuração da OTAN/EUA, entope os cofres dos tubarões do setor de armas, aumenta os lucros de sua indústria petrolífera criando barreiras comerciais e por consequência a elevação dos preços do petróleo... lógico o setor dos bancos ganhando nas transações, assumindo o controle das empresas....

5 - Voltando a imprensa auriverde: o tema Estado "mínimo", privatização, teto de gastos ė tratado de forma dogmática elegendo sacerdotes e sacerdotisas genericamente chamados de "técnicos". Estes, na verdade, não passam de agentes do imperialismo defensores de um modelo que mata o povo por toda parte.


terça-feira, 6 de dezembro de 2022

SETE EM DEZ AUTÔNOMOS PREFERIRIAM TRABALHAR COM CARTEIRA ASSINADA


 


* A CLASSE MÉDIA SOPRANDO CHIFRE DE BOI

* OS COMENTARISTAS ECONÔMICOS E SUAS NOTÍCIAS FALSAS

* DOPANDO A JUVENTUDE NAS ESCOLAS COM “PROJETO DE VIDA”

* O TRABALHADOR PAGA O PATO

 

Por Wladmir Coelho

 

1 – O discurso da uberização iludiu – e ainda ilude – os ingênuos e foi habilmente utilizado para justificar as ditas reformas trabalhistas prometendo os seus idealizadores um mundo de maravilhas a partir do sepultamento da CLT, acusada na imprensa “livre” e “defensora da democracia”, de entulho do paternalismo getulista. A classe média colonizada, herdeira direta do udenismo lacerdista e entreguista, tratou de papaguear a conversa fiada dos comentaristas econômicos a serviço do capital e debruçada na janela acreditou que a banda tocava pra ela.

2 – As promessas de tempos fantásticos dos comentaristas econômicos, com aquelas caras de azia crônica misturada com tédio incurável, não passavam de notícias falsas (“fake news” como preferem os liberais colonizados) verificando-se em pouco tempo – apesar do oba-oba das reformas - uma quebradeira geral atribuída de forma hipócrita ao vírus e não ao aumento da exploração do trabalhador.

3 – O dono da padaria, do restaurante o franqueado do chocolate continuam ingenuamente acreditando no discurso do mercado acima de tudo e muitos até investem seu capitalzinho em açõezinhas ignorando as lições de Geografia, ou seja, os grandes fundos de investimentos estão localizados em Wall Street e seus controladores recebem em dólares e além disso não compram pão, bombom, roupa ou almoçam na esquina aqui do bairro. Este consumo cabe ao trabalhador nacional, maioria da população, integrante do chamado mercado interno.

4 – A verdade é a seguinte: a classe média caiu no conto do vigário da liberdade total do mercado e contribuiu para o aprofundamento da dependência do Brasil e alucinada passou a soprar chifre de boi nas ruas acreditando que estava em Austin defendendo a redução do país a condição de exportador de minério, petróleo e soja destruindo a outra parte do “populismo” getulista, a saber, o projeto de industrialização e emancipação nacional. OBSERVAÇÃO: A pequena burguesia de nosso amado torrão sofre de colonialismo congênito aprofundado numa educação baseada na lenda do “destino manifesto” crendo, por isso mesmo, na criação de uma potência a partir da soma de atos individuais desprovidos de relações. Não conhecem a história dos Estados Unidos, desconhecem a do Brasil e defendem uma fantasia, uma alucinação.

5 – A classe média vibra com as notícias de privatização da Petrobras, da eletricidade, da água, da saúde, da educação acreditando que participa da festa ignorando o abismo no qual atira-se dopada pela ideologia do “destino manifesto”, do você pode, o Estado atrapalha somado a defesa da dependência econômica escondida na demência verde-amarelista ou entreguismo fantasiado de patriotismo.

6 – Enquanto isso nas escolas do povo – não confundir com escola popular -  a ideologia do individualismo ganha forma através do chamado “projeto de vida” um modo de transferir aos filhos dos trabalhadores a responsabilidade pela tragédia econômica criada a partir dos interesses na manutenção ou aumento das taxas de lucro, da exportação de empregos via redução da economia nacional em exportadora de produtos primários fato que não assusta os fundamentalistas religiosos e moralistas de plantão, os verde-amarelistas e menos ainda o objeto engalanado do fetiche destes.

7 – O trabalhador é o grande prejudicado pela política econômica fundada na ideologia do entreguismo, da destruição dos meios necessários a superação do atraso econômico tornando-se vítima de um modelo cínico que apresenta como solução o individualismo debochadamente vendido como empreendedorismo amparado no discurso canalha do “fim do emprego”.  


segunda-feira, 31 de outubro de 2022

O DISCURSO DO PRESIDENTE ELEITO E AS COMMODITIES

 



O DISCURSO DO PRESIDENTE ELEITO E AS COMMODITIES

Wladmir Coelho

Um aspecto pouco explorado pela imprensa “livre” (que tenta a todo custo retirar do povo a vitória e repassá-la a senadora Simone Tebet) foi a referência do presidente eleito ao fato superação da condição brasileira  de exportador de commodities. Este ponto é muito importante e vou destacar destas commodities o PETRÓLEO e o MINÉRIO DE FERRO ambos estratégicos.

Um e outro carregam a condição de matéria-prima e por isso mesmo guardam em si a base de um trabalho futuro. Tradicionalmente o Brasil – como qualquer outro exportador de commodities – realiza os trabalhos primários, ou seja, a extração recebendo, por isso mesmo, o valor relativo a este tipo de atividade.

A imprensa “livre” sempre bate na tecla da geração de empregos e renda como justificativa para o aprofundamento desta atividade. Este fato é mentira? Não. Realmente as atividades primárias geram empregos e renda, mas SOMENTE O NECESSÁRIO PARA ESTE FIM. Emprego em maior escala vamos observar nos países que importam a matéria-prima transformada em aço, ferro, diferentes tipos de combustíveis, produtos químicos diversos necessários a todo tipo de indústria. EM SUMA: EXPORTAR MATÉRIA-PRIMA (COMMODITIES) SIGNIFICA EXPORTAR EMPREGOS QUE SERIAM DOS TRABALHADORES BRASILEIROS.


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