terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Petróleo ensina lições de concentração e monopólio ao setor do álcool e açúcar



PETRÓLEO ENSINA LIÇÕES DE CONCENTRAÇÃO E MONOPÓLIO AO SETOR DO ÁLCOOL E AÇÚCAR 


Wladmir Coelho

            A concentração no setor petrolífero não relaciona-se somente as tradicionais empresas exploradoras envolvendo ainda as prestadoras de serviços e equipamentos. Neste caso devemos observar com atenção a tendência monopolizadora da General Eletric com conseqüências diretas para o Brasil.
            O mais recente ato de concentração da empresa estadunidense foi a compra do setor de energia da britânica  John Wood Group (WG.L) por US$2,8 bilhões.
            A WG.L atua no Brasil e agora passa a ser controlada através da GE empresa devidamente registrada em nosso território e por isso considerada “brasileira” e, desta forma, apta a integrar o elevado “conteúdo nacional” para exploração do pré-sal.
            Outra empresa “nacional” a Shell também amplia a sua presença em nossa terra, no petróleo apresenta-se em segundo lugar perdendo somente para a Petrobrás, desta vez no setor do álcool. A corporação anglo-holandesa anunciou  uma fusão, preferindo podemos escrever joint venture, criando a marca Raízen apagando de vez a COSAN uma das maiores produtoras e, naturalmente, exportadora de etanol do nosso continente.
            Recentemente o grupo Astra, outra gigante internacional do setor energético, anunciou sua intenção de atuar no mercado nacional de produção e exportação do etanol garantindo de imediato os tanques da antiga refinaria de Manguinhos (RJ) para armazenamento do combustível originado da cana-de-açúcar. 
            A concentração internacional no setor do álcool e açúcar deve ser encarada com preocupação existindo uma intima relação com a elevação dos preços deste último. No último final de semana iraquianos saíram às ruas protestando, dentre outros motivos, contra a falta do açúcar na cesta básica distribuída pelo governo. A resposta oficial para a falta do produto foram as constantes altas no preço do produto que recupera, graças a concentração de sua produção, a antiga condição de especiaria.
            Diante deste quadro considero no mínimo estranho o oba oba diante desta fusão Shell-COSAN aspecto que inibe a livre iniciativa e coloca o Brasil na condição de refém das políticas econômicas de uma corporação internacional privada. Temos neste ponto mais uma prova da insegurança energética nacional. 

Um comentário:

Aimberê disse...

A insegurança energética do Brasil, pela excessiva concentração em empresas transnacionais me parece muito grande e isso é muito perigoso.
Aimberê Freitas

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