domingo, 6 de fevereiro de 2011

EUA envia lobista do petróleo para negociar transição no Egito




Lobista do petróleo 
negocia transição no Egito

Wladmir Coelho

            O presidente Obama enviou ao Egito o conhecido lobista da indústria petrolífera, ex- vice-presidente da American International Group (AIG), Frank Wisner Jr., para negociar a transição da ditadura a democracia. O presidente Obama deve ter levado em consideração, além do fator de proximidade do negociador escolhido com a indústria energética e intima relação com o mercado financeiro considerando-se o papel da AIG como principal seguradora dos antigos “títulos tóxicos” da crise imobiliária, a tradição da família Wisner em negociar a “transição para a democracia” em países produtores de petróleo.
            Frank Wisner (pai) foi o administrador da Operação Ajax que resultou na queda do governo Mossadegh no Irã em 1953. Wisner pai controlou os recursos financeiros do golpe plantando mentiras na imprensa, subornando militares e religiosos. O crime de Mohammad Mossadegh contra a democracia foi nacionalizar a produção petrolífera iraniana controlada desde o inicio do século XX por uma empresa inglesa a British Petroleum (BP). Após o golpe elaborado nos porões da CIA a transição para a democracia levou ao poder um monarca, Mohammad Reza Pahlavi, que governou até a revolução islâmica.
            Pahlavi, seguindo o entendimento de democracia para os EUA, tratou de anular a legislação nacionalista de Mossadegh, mas em nome da livre concorrência não permitiu o monopólio da BP autorizando a presença de empresas dos EUA em território iraniano.
            Frank Wisner Jr., seguindo os passos do pai, foi funcionário do governo dos EUA durante 36 anos atuando como embaixador em diferentes países e ao aposentar-se nos anos 90 assumiu a condição de conselheiro da Enron, naquele momento, Enron Petróleo e Gás. A partir de 1999 Wisner Jr. assumiu também a condição de Conselheiro Administrativo da EOG Resources oil and gas, empresa desmembrada da Enron, possuindo esta subsidiarias em diferentes pontos do planeta incluindo o Egito.
            Antes de assumir a condição de conselheiro da Enron Wisner Jr. ficou conhecido por ampliar os negócios deste antigo conglomerado nos países onde atuou como embaixador destacando-se o contrato para administração de usinas na Índia avaliado em 2 bilhões de dólares. No Egito sua presença rendeu, além dos ganhos culturais e aprofundamento dos estudos em história antiga, a condição de lobista do país do Nilo e das pirâmides, devidamente registrado, junto ao governo dos EUA.
            Também foi o Escritório de Wisner Jr. o responsável por oferecer consultoria ao governo do ditador Mubarak durante as privatizações das empresas siderúrgicas e preciosos conselhos durante a elaboração do novo marco regulatório daquele país quando a empresa petrolífera estatal tornou-se responsável por comercializar o óleo entregue em pagamento graças ao moderno e avançado contrato de partilha da produção. No Egito a empresa oficial atua nos blocos na condição de operadora.
            Os negócios de Wisner Jr. no Egito também incluem sua participação no Conselho Administrativo do Commercial International Bank instituição egípcia voltada para o financiamento e administração das grandes fortunas locais. Adivinhem uma família egípcia com grandes interesses nos serviços do Commercial International Bank.
            A revolta no Egito iniciou-se entre a população jovem, pobre e desempregada aspecto revelador da falência do modelo neoliberal.  As elites econômicas assustadas tentam encontrar uma saída honrosa para o seu protetor Mubarak traduzida em manutenção de seus privilégios e recebem dos EUA, como negociador da transição política, um protetor e profundo conhecedor de seus interesses financeiros, aliás, os mesmos do enviado estadunidense.
            Para tranqüilizar seus clientes internos e externos Wisner Jr. foi logo afirmando ao desembarcar no Egito que a transição ordenada não significa a saída de Mubarak do governo. Naturalmente não implicando esta declaração a manutenção do poder nas mãos do ditador. A crise nas ruas enfraqueceu Mubarak e poderia levar junto o modelo econômico.
            A solução dos donos do poder foi a manutenção de Mubarak no palácio associada à elevação do homem de confiança dos EUA e antigo chefe do serviço secreto, Omar Suleiman, a condição de vice-presidente e responsável por negociar com os membros da oposição as reformas políticas e manutenção da ordem. Principalmente a ordem econômica.
            Imediatamente Suleiman ganhou a imagem de homem sério e lúcido na imprensa internacional algo semelhante ao ministério “ético” do presidente Collor no Brasil responsável por uma transição responsável por manter os interesses do capital financeiro.
            A rebelião dos jovens pobres e desempregados do Egito seria encerrada, dependendo dos EUA e elite local, considerando-se um acordo para promoção de reformas incluindo a liberdade de imprensa, anistia e realização de eleições livres. Naturalmente o próximo governo, seguindo este cenário, deverá comprometer-se para a manutenção do modelo econômico talvez amenizado a partir da introdução de políticas compensatórias para a população mais pobre. Esta seria a solução ideal para os interesses geopolíticos dos EUA na região norte da África e Oriente Médio. Mubarak assim poderia curtir sua aposentadoria e seu filho retomaria sua função de banqueiro na Inglaterra. Ficariam os anéis e os dedos. 


Um comentário:

Wallace Tarenta disse...

Estados Unidos; Sempre querendo arrancar a última goda dos mais necessitados... Povo burro! Espero que o povo egípcio faça uma revolta contra a intervenção dos EUA também! A revolta civil no Egito é um problema do Egito! Assim como os problemas no Iraque eram somente do Iraque, mas os EUA resolveram se meter e pioraram a situação.

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