segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A TENTATIVA DE CALOTE DA BRITISH PETROLEUM



A TENTATIVA DE CALOTE DA BRITISH PETROLEUM

Wladmir Coelho


Segundo dados do EIA (U.S. Energy Information) a British Petroleum (BP)  apresentou na última década um lucro de 154 bilhões de dólares. Estes números, via de regra, servem para inflar os argumentos dos fundamentalistas neoliberais que reforçam o dogma da eficiência do setor privado enquanto o Estado mostra-se incompetente.

Esta alegada eficiência, na realidade, funciona como eufemismo à prática da busca do maior lucro possível não importando os meios incluindo, neste caso, a utilização de material de baixa qualidade.
No caso da  BP  o episódio das explosões em 2010, no Golfo do México, que resultaram no vazamento de pelo menos 4 milhões de barris de petróleo revelaram o quanto esta alegada eficiência não passa de uma peça de publicidade ideológica.

Para cortar custos a BP e suas associadas – destacando-se a Halliburton – utilizaram material incompatível com a natureza da exploração em águas profundas. O resultado desta economia foi a morte de 11 trabalhadores seguido por uma tragédia ambiental e múltiplas falências de pequenas empresas de pesca, hotéis e restaurantes.

O descaso da Halliburton com a segurança, diga-se de passagem, é conhecida amplamente no Brasil quando desapareceu de seu contêiner, em 2008, um computador portátil da Petrobras contendo informações sigilosas.

No caso do Golfo do México a irresponsabilidade da Halliburton e BP ficou evidente aceitando as empresas a condição de culpada em pelo menos 14 acusações. Realizou-se desta forma um acordo judicial esperando a empresa – com base em números manipulados – desembolsar um valor aproximado de 8 bilhões de dólares.

O custo das indenizações, todavia, apresenta-se maior e não para de crescer tendo em vista a apresentação de novos danos ao meio ambiente e trabalhadores que atuaram no processo de limpeza das águas.
Somamos ao fato as investigações que apontam para a possibilidade de continuidade do vazamento considerando-se a abertura de novas fendas nas proximidades do poço lacrado.

O inferno astral da empresa; A BP tentou recentemente suspender o acordo judicial, mas foi derrotada e obrigada a efetivar pagamentos que aproximam-se de 9 bilhões de dólares. A justiça também condenou um antigo funcionário cuja função durante a tragédia era adulterar informações relativas ao volume de óleo despejado no mar.

Nenhum comentário:

Arquivo do blog