segunda-feira, 18 de março de 2019

ESPIONAGEM E CONTROLE DA TECNOLOGIA


ESPIONAGEM E CONTROLE DA 

TECNOLOGIA

Wladmir Coelho

1 – A ESPIONAGEM ESTADUNIDENSE

2 – O ORÇAMENTO SECRETO DAS AGÊNCIAS DE 

ESPIONAGEM

3 – O PODER DE VIGILÂNCIA DO ECHELON

4 – A ESPIONAGEM DA PETROBRAS

5 – ESPIONAGEM E CONTROLE DA TECNOLOGIA 5G

6 –SUBSERVIÊNCIA DO GOVERNO BRASILEIRO AOS 

EUA E ATRASO TECNOLÓGICO



Formada por 16 agências a rede de espionagem oficial dos Estados Unidos, eufemisticamente tratada por comunidade de inteligência, constitui um verdadeiro monstro largamente utilizado nos processos de desestabilização e concretização de golpes de Estado e como sabemos existe uma longa lista de governos nacionalistas em todo o planeta vítimas deste tipo de intervenção.

A espionagem estadunidense, estima-se, controla um orçamento de 80 bilhões de dólares com prestações de contas consideradas secretas aspecto que impede uma real dimensão dos destinos e mesmo a legalidade destes gastos em seu território ou países estrangeiros.

Com relação aos gastos efetivos das agências em 2013 Edward Snowden apresentou documentos nos quais podemos observar um aumento, nos 10 anos anteriores, de 56% dos recursos destinados a CIA (Central Intelligence Agency) e 54% daqueles recebidos pela NSA (National Security Agency).

As duas agências de espionagem atuam, a primeira, em ações de intervenção direta através de golpes de Estado, assessoria e financiamento para criação de organizações disfarçadas em institutos de pesquisas, de defesa da “democracia”, em apoio a educação enquanto a segunda sistematiza dados de massa retirados das ligações telefônicas, e-mail, Facebook e outros meios de comunicação.

Complementam-se, portanto, estas duas agencias e apresentam-se necessariamente dependentes do conhecimento da tecnologia imprescindível a efetivação da comunicação e consequente acesso aos arquivos e aparelhos portadores destes programas.

A concretização da espionagem estadunidense através da comunicação telefônica ou dos diferentes usos da internet encontra no projeto ECHELON dividido este entre os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia cujo alcance, segundo diferentes projeções, possibilita espionar 90% das comunicações mundiais acessando os arquivos de interesse através de palavras-chave.

Neste ponto devemos chamar a atenção a consubstanciação dos interesses do setor industrial privado com aqueles estatais gerando um conceito de segurança nacional no qual implica-se a defesa dos primeiros como parte integrante das condições de defesa do segundo.

Para ilustrar vamos ao caso envolvendo a empresa Airbus, com sede na França, com a McDonnell Douglas (atualmente pertencente a Boeing) sediada nos Estados Unidos relativo a venda de aviões à Arábia Saudita em 1994 envolvendo um contrato de 6 bilhões de dólares.

A empresa europeia, segundo o jornal Financial Times, foi denunciada pela NSA, com utilização das informações da ECHELON, por corromper membros do governo saudita obrigando a empresa a retirar-se do negócio abrindo as portas a vencedora estadunidense.

Este fato nos leva a outro aspecto importante revelando o envolvimento entre empresas estadunidenses do setor petrolífero, o financiamento das campanhas eleitorais naquele país, utilização da espionagem oficial em benefício das empresas privadas e destas o recrutamento de dirigentes para ocupar cargos de grande importância na administração pública do governo dos Estados Unidos.

O caso da Halliburton vai aparecer com destaque principalmente no processo que conduziu George Bush pai à presidência dos Estados Unidos escolhendo este, para o cargo de Secretário da Defesa, Dick Cheney, antigo presidente da empresa em questão.

Ao chefe da defesa estadunidense submete-se outro conjunto de agências de espionagem administradas a partir das Forças Armadas e imaginem a Halliburton, que atua no setor de engenharia para exploração de petróleo, com informações privilegiadas e pronta para atuar, por exemplo, na reconstrução do Iraque após a primeira invasão estadunidense daquele país.

Este fato não apresenta-se no campo de uma fantasia a Halliburton realmente estabeleceu inúmeros contratos de logística com as Forças Armadas dos Estados Unidos durante a primeira invasão do Iraque e posteriormente atuou na chamada reconstrução do país.

Cheney confirmou seu prestigio junto a oligarquia Bush ao ser indicado vice-presidente agora de George Bush filho cuja relação com o Iraque superou a violência paterna e através da manipulação de dados das agências de espionagem criou a farsa das chamadas armas de destruição em massa sustentando, desta forma, nova invasão daquele país.

Esta mesma Halliburton, devemos recordar, foi contratada, em 2008, para o transporte e guarda de laptops pertencentes a Petrobras contendo informações sigilosas a respeito do campo de Júpiter na camada do pré-sal. Como sabemos os computadores colocados em contêineres pela empresa estadunidense e desapareceram misteriosamente levando junto as informações de grande valor comercial e vital a segurança energética do Brasil.

O fato espionagem também pode ajudar a entender a chamada  guerra comercial entre os Estados Unidos e a China considerando a presença do fato controle tecnológico encontrando associado a este a disputa pela quinta geração do sistema sem fio da internet móvel ou simplesmente 5G.

O acesso da NSA a, pelo menos, 90% das comunicações mundiais implica no apoio direto das empresas do setor aos planos de espionagem. O site Intercept, em 2018, informou a existência de oito instalações da AT&T utilizadas pela NSA para espionagem nas comunicações.

AT&T atua como provedor de internet de alta velocidade a empresas privadas e governos possuindo especial interesse na implantação da chamada tecnologia 5G e espera dominar o mercado de vídeos superando a Netflix. Com acesso a pelo menos 300 milhões de clientes, e seus aparelhos de TV inteligentes, celulares, computadores a AT&T representa sim um importante aliado as ações de espionagem do governo estadunidense.

Para garantir a continuidade e ampliação de sua rede de espionagem mundial necessitam os Estados Unidos da continuidade do controle da tecnologia e por consequência da colaboração das empresas detentoras destas patentes.

A presença da China neste mercado cria dificuldades técnicas e financeiras aos interesses dos Estados Unidos aspecto presente nas recentes restrições impostas à Huawei uma empresa chinesa que desenvolve tecnologia 5G.

O Brasil vai acompanhando esta disputa, lamentavelmente, de forma subserviente aos Estados Unidos considerando a falta de interesse do atual governo em promover o fomento à pesquisa optando este suspender diferentes programas de incentivo fato repetido, por exemplo, em Minas Gerais através das limitações orçamentarias impostas a FAPEMIG.

Os recentes ataques ao sistema elétrico da Venezuela apresentam-se como sinal de alerta, inclusive para o Brasil, em relação aos métodos empregados pela espionagem estadunidense possuindo estas em seus quadros hackers especializados em penetrar programas de gestão empresariais.

Imaginem o quanto estão expostos os programas de controle de hidrelétricas, oleodutos, radares sem falar no sistema bancário nacional quando o tema é utilização de tecnologia de um país somente.

Para entender ainda o papel do Brasil diante desta disputa que envolve espionagem, pesquisa e desenvolvimento tecnológico devemos observar a postura do Sr. Bolsonaro de simples submissão aos interesses dos Estados Unidos.

A este respeito o jornal Valor Econômico do dia 18 de março informou que o tema 5G pode entrar na pauta da conversa entre os Srs. Bolsonaro e Trump temendo “um dos brasileiros que faz parte da comitiva que, diante de um eventual pedido de Trump, Bolsonaro se sinta inseguro sobre o assunto e também se comprometa a vetar sistemas chineses no Brasil”.

O termo “pedido”, neste caso, revela de forma evidente um eufemismo ficando os interesses econômicos brasileiros mais uma vez expostos a loucura ideológica de um grupo que acredita chefiar uma revolução conforme pronunciamento, na matriz, do Sr. Paulo Guedes ao saudar um conhecido astrólogo, cuja influência chega ao ponto de nomear ministros no Brasil, tratando este como “chefe da revolução liberal”.

Vamos ver quantas bananas, este é o único produto digno de proteção oficial no atual governo, o representante do Brasil vai conseguir vender na metrópole em troca de nosso atraso tecnológico e prejuízos comerciais internacionais.




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