terça-feira, 5 de abril de 2011

HSBC: Petróleo dura até 2050


HSBC: Petróleo dura até 2050

Wladmir Coelho

O Banco britânico HSBC apresentou um relatório apontando para 2050 o pico da produção mundial de petróleo. Apenas para deixar claro; pico da produção não significa o fim do mineral, mas a queda na produção ou inviabilidade econômica desta.
 Também é importante esclarecer que a previsão do banco britânico não implica em verdade absoluta existindo diferentes cálculos para o chamado pico da produção variando em até 50 anos além do tempo previsto no relatório em questão.
O relatório do maior banco europeu, entretanto, aumenta a preocupação quanto a possibilidade de elevação no preço do petróleo agora não somente associado a instabilidade política, mas a sua escassez.
Estabilidade política significa violência contra o povo
No aspecto relativo a “estabilidade” política verificam-se as chantagens dos governantes árabes que anunciam a possibilidade do barril atingir a soma de 200 a 300 dólares, segundo declarações do ex-ministro do petróleo saudita Sheikh Zaki Yamani, caso semelhantes aos verificados no Egito e Tunísia ocorram em terras sauditas.
Estes anúncios alarmistas acabam por justificar a restituição da ordem ou a manutenção da “estabilidade” política através dos métodos autoritários não parecendo uma tarefa difícil para os oligopólios interessados em controlar o petróleo mundial. Atualmente os exemplos multiplicam-se bastando olhar para o Egito e verificar a simples substituição do ditador de plantão pelo colegiado de generais que assumiu o poder proibindo, inclusive, o direito de greve e manifestação pública mandando para a casa ou cadeia os antigos revoltosos. Enquanto isso no Bahrain, Iêmen e Arábia Saudita a “estabilidade” política balança, mas não cai graças ao assassinato em praça pública dos revoltosos. Muitos empunhando a bandeira nacionalista do “petróleo árabe para os árabes”.
Ao mesmo tempo os mísseis humanitários da OTAN/EUA destroem e matam na Líbia retirando qualquer possibilidade de solução interna do conflito reconhecendo os países da União Européia e Estados Unidos um governo dito rebelde chefiado por dois títeres das empresas petrolíferas. O primeiro destes bonecos, General Abdel Fattah Younis, até outro dia era o ministro do interior do governo que ele agora percebeu corrupto e autoritário acompanhado pelo coronel Khalifa Haften que nos últimos 25 anos viveu em Viena, no estado da Virginia, à custa da CIA preparando um grupo de mercenários intitulado “exército nacional da Líbia”.
O resultado prático verifica-se a partir da imediata negociação do “governo rebelde” com empresas petrolíferas ávidas pela continuidade e aprofundamento da privatização do setor iniciada por Kadhafi. Diga-se de passagem, o general Fattah representa diretamente os interesses da Itália, antiga metrópole da Líbia, preocupada em ampliar a presença de sua petrolífera a ENI em terras líbias.
O antigo ministro do interior, agora rebelde, foi o responsável pela elaboração do acordo assinado com a Itália em 2008 no qual trocou o favorecimento da ENI por um pedido de desculpas ao governo da Líbia pelo “passado” imperial dos italianos. O general Fattah concordou ainda, na mesma época, em receber e prender, na Líbia, os imigrantes africanos presos tentando entrar ilegalmente na Europa através da Itália.
Os ingleses, através da British Petroleum (BP), também correm para ampliar a sua presença na Líbia e também negociam com os “rebeldes”. Em 2007 conseguiram, a partir da abertura econômica neo-liberal promovida por Kadhafi, concessões para exploração do Golfo de Sidra. Neste caso trata-se da exploração de novos campos em águas profundas (5576 metros). Os franceses seguem o mesmo caminho e aumentam a sua influência transformando seus aviões em força área dos “rebeldes”.
Os novos campos já tem dono
            O relatório do HSBC que serviu para iniciar este texto revela também que “a segurança energética é a principal preocupação dos governos nos anos vindouros” e para este fim, acrescento, a prática será o controle não somente dos campos em produção, mas das áreas com potencial produtivo.
A junção do poder econômico, através do controle de empresas petrolíferas e capital financeiro, com a força militar tem garantido esta “segurança energética” desde o século XIX aos Estados Unidos e potências européias.
            Todavia a corrida torna-se acelerada em nossos dias considerando-se que o pico da produção previsto pelo HSBC engloba os campos ainda não explorados existindo previsões pessimistas nos Estados Unidos nas quais entre 2012 e 2015 teríamos uma queda na produção petrolífera mundial associada ao crescimento do consumo mundial.
            Vamos somando a preocupação com os campos explorados às noticias vinculadas através do Wilileaks revelando a fraude do governo árabe que elevou os números de suas reservas e sua atual incapacidade de aumentar a produção.  
Na América Latina o Brasil submete-se ao jogo dos grandes consumidores abrindo mão de sua segurança energética para tornar-se um fornecedor para os Estados Unidos conforme acertado na última visita de Obama. Estabilidade política, agora entendemos, significa submissão aos interesses dos grandes consumidores de petróleo.  

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