quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cooperação ou entreguismo? A visita do Sr. Joe Biden





Cooperação ou entreguismo?

A visita do Sr. Joe Biden

Wladmir Coelho


Em 1947 o presidente Eurico Dutra enviou ao Congresso Nacional o projeto do Estatuto do Petróleo. A proposta presidencial previa a compra de petroleiros e criação de refinarias nacionais.
A exploração petrolífera, propriamente dita, continuaria liberada às empresas internacionais amparada esta decisão no temor, ou “iminência”, de uma guerra entre os Estados Unidos e União Soviética.  

O general Juarez Távora chegou a elaborar uma tese denominada “Segurança Continental”. Segundo o general o Brasil deveria garantir o abastecimento de petróleo aos Estados Unidos tendo em vista o papel desta nação na defesa do continente contra os soviéticos.

Deste modo defender a exploração petrolífera nacional através de uma empresa estatal, conforme exigiam amplos setores da sociedade brasileira, seria uma grave ameaça à segurança dos Estados Unidos facilitando, por consequência, a dominação do continente por tropas soviéticas.

Passados 66 anos desde a criação da tese do General Távora encontramos a mesma disposição de nossas autoridades em colaborar com a segurança continental.

A visita do vice-presidente estadunidense, Joe Biden, indica a ressurreição da tese da Guerra Fria. Biden, durante as previas do Partido Democrata, apresentou como principal bandeira de sua candidatura à presidência o tema segurança energética.

Derrotado por Obama nas prévias acabou candidato à vice-presidente. No governo preocupa-se diariamente em garantir os meios necessários para diminuir a dependência petrolífera de seu país do Oriente Médio.

A segurança energética dos Estados Unidos pressupõe o controle de todas as áreas com potencial produtivo incluindo o Ártico e América Latina. No primeiro caso o Sr. Joe Biden – em discurso aos formandos da Guarda Costeira pouco antes de viajar ao Brasil – lembrava do compromisso destes militares na ocupação de áreas anteriormente congeladas afirmando: (...) “Os senhores estão preparados para o futuro do Ártico que inclui operações complicadas que nunca foram exercidas pela Guarda Costeira.”

O futuro neste caso significa garantir a segurança e acesso das empresas estadunidenses para a exploração dos recursos minerais incluindo o petróleo. A estratégia para efetivação deste projeto não é novidade. Chegam juntos o canhão e o capital.

No Brasil é retomado o velho discurso da cooperação. Aliás, o tema da visita do vice-presidente dos Estados Unidos é exatamente este. Joe Biden chega ao país para tratar da cooperação energética entre Brasil e EUA.

Podemos entender esta “cooperação” através das palavras do Sr. Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute do Wilson Center a respeito dos objetivos da visita do vice-presidente dos EUA: “A cooperação energética é, provavelmente, um fator chave nessa relação tendo em vista que os Estados Unidos buscam superar a dependência do petróleo do Oriente Médio”.

Pronto. O Brasil segue fornecedor de matéria prima entregando às empresas de sempre – vide resultado dos leilões - o petróleo necessário a segurança energética dos Estados Unidos.


Os entreguistas vibram: Welcome Mr. Biden! 

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