sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA E SEUS INTERESSES NA SIRIA


A POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA E SEUS 

INTERESSES NA SIRIA

Wladmir Coelho

O Estado, como sabemos, atua diretamente no processo econômico viabilizando recursos financeiros e militares para a concretização, inclusive, dos projetos de abastecimento energético. A política econômica das potências não conhece fronteiras e caso necessário criam guerras e derrubam governos.

Um exemplo: Durante a década de 1990 a empresa estadunidense Noble Energy anunciou a descoberta de grande quantidade de gás a 5170 metros de profundidade no Mar Mediterrâneo.

O campo ficou conhecido como Leviatã e estima-se a existência de 450 bilhões de metros cúbicos de gás e 600 milhões de barris de petróleo. Recentemente a empresa Turcas Petrol – subsidiária da estatal SOCAR do Azerbaijão – apresentou-se disposta a gastar US$ 2,5 bilhões para a construção de um gasoduto para escoar a produção de gás de Leviatã até a Turquia e deste aos países da União Europeia.

Uma empresa do Azerbaijão interessada em construir os meios para exportar o gás do Mediterrâneo para a Europa? Exatamente.

Aos crentes da separação entre interesses de Estado e empresas privadas vamos aos detalhes: A citada Turcas Petrol possui como principal executivo o estadunidense Mattew Bryza ex-embaixador no Azerbaijão. Este país – segundo o site do U.S. Energy Information Administration – é um importante fornecedor de gás para a Europa.

O Azerbaijão integra a área de interesse de abastecimento petrolífero dos russos, chineses, estadunidenses e potências europeias. A disputa pelo controle deste combustível movimenta, inclusive, o polêmico projeto para a criação do gasoduto Nabuco que contornando a Rússia levaria o gás da região diretamente à Europa terminando de vez com a dependência da região do gás russo.

O executivo Bryza também é membro do Conselho da Fundação Jamestown cuja missão – segundo informações retiradas de seu site – consiste em apoiar lideranças políticas nas nações que representam importância para a segurança nacional dos EUA orientando ações locais para a concretização dos interesses deste país.

Vejam o quanto é precária a ideia de espionagem associada exclusivamente aos microfones escondidos nos gabinetes. A Fundação Jamestown financia ações diretas na imprensa destes países e financia acadêmicos, dirigentes de empresas públicas ou privadas além de políticos com discursos pró-EUA.

A efetivação do projeto do gasoduto Leviatã apresenta, entretanto, um problema: Quem controla a produção? Chipre, Líbano, Israel, Palestina e Síria compõem a área com potencial produtivo.
No caso sírio a Rússia apresenta vantagem e assinou recentemente o contrato para iniciar as pesquisas, Israel ofereceu à Noble Energy a condição de operadora do seu pré-sal.

Desta disputa observamos a inexistência de uma separação entre os interesses das empresas privadas e Estados. A elaboração da política energética da União Europeia e Estados Unidos encontram-se, desta forma, como fator principal da elaboração da política econômica do petróleo da Síria, Líbano, Israel, Palestina....

No caso brasileiro estes mesmos princípios foram ignorados no momento da entrega do pré-sal e continua na imprensa, no governo e oposição a prevalência do discurso, ao modo da Fundação Jamestown, da necessidade de entrega do petróleo nacional como forma de garantir um dia o progresso econômico. 

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