quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

UMA GUERRA DE DISCURSOS E GENTILEZAS





* UMA GUERRA DE DISCURSOS E GENTILEZAS

* OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA OU LÁ VEM O SEU CHINA NA PONTA DO PÉ

* A GUERRA AGORA É DIFERENTE

Por Wladmir Coelho 

1 – O discurso oficial permanece distante do mundo real interessando, geralmente, a narrativa da vitória como forma de garantir a dose diária de alucinógenos aos eleitores do governante de plantão bastando para este fim algumas postagens no WhatsApp ficando o resto por conta dos algoritmos e suas bolhas de alienação.

2 – O assassinato do general Soleimani, a histeria da 3ª Guerra Mundial, a vingança gentil com lançamento de mais de 20 misseis que não provocam sequer uma baixa nas tropas estadunidense e pouco ou nenhum dano material causam as bases militares atingidas facilitam a dose diária de alucinação e reduzem os fatos a condição de “livre” interpretação com ambos os envolvidos proclamando-se vitoriosos.

3 – Enquanto isso o mundo continua girando e pouco ou nada foi debatido a respeito dos interesses econômicos envolvidos preferindo o sistema hegemônico de comunicação classificar este ou aquele como terrorista ou pedófilo e assassino de crianças de 7 anos sem a necessária comprovação e os alienados passivamente reproduzindo a farsa.

4 – O CAPITAL ESTADUNIDENSE GANHOU MUITO - O sr. Donald Trump, sem dúvidas, apresentou como resultado de sua iniciativa em desrespeitar a soberania iraquiana um aumento fantástico (considerando a alta do petróleo e das ações da petrolíferas) nos lucros dos fundos de investimentos sem falar dos ganhos oferecidos aos oligopólios petrolíferos facilitando, internamente, a arrecadação de fundos para sua campanha eleitoral.

5 – Novamente acudiu, o sr. Trump, os produtores estadunidenses de petróleo de xisto responsáveis pela autossuficiência energética dos Estados Unidos uma ilusão propagandística quando verificada a real penúria das empresas do setor com custos e danos ao meio ambiente elevados.

6 – Neste ponto temos o necessário debate a respeito do controle das áreas produtoras de petróleo não somente relacionado ao abastecimento estadunidense, mas como instrumento de limitação aos planos chineses de expansão de seu poder industrial e consequente influência comercial.

7 – Com relação ao controle da produção petrolífera o Irã e o Iraque possuem, respectivamente, a 3ª e a 4ª maiores reservas petrolíferas do mundo – a maior reserva provada pertence a Venezuela – encontrando-se a China como principal comprador dos persas adquirindo até 70% da produção iraniana atuando, os chineses, também ao sul do Iraque explorando o petróleo da região.

8 – O Iraque possui com os chineses uma aproximação comercial que movimenta, anualmente, US$ 30 bilhões resultado da condição de principal fornecedor de petróleo à China existindo ainda o aprofundamento destas relações em função dos acordos de reconstrução e infraestrutura decorrentes da Nova Rota da Seda.

9 – TRUMP QUER SAIR DO IRAQUE?  O sr. Trump afirma e a imprensa domesticada pelo imperialismo repete: para sairmos do Iraque temos como condição o recebimento dos bilhões de dólares gastos na base aérea, contudo a realidade revela outros motivos como podemos ver a seguir.

10 – LIG LIG LIG LÉ - Em setembro de 2019 o governo iraquiano assinou com a china um acordo ampliando os investimentos daquele país no setor de infraestrutura sempre financiados através da venda de petróleo ampliados, em função do acordo, em 100 mil barris ao dia a partir de outubro.

11 – Estes investimentos somam-se aos verificados no Irã e envolvem financiamento de indústrias petroquímicas e obras de infraestrutura como ferrovias, rodovias, oleodutos, comunicação resultantes do conjunto de obras de concretização da Nova Rota da Seda ligando  Urumqi (a capital da província de Xinjiang, oeste da China) a Teerã, e conectando o Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Turquemenistão ao longo do caminho e depois via Turquia para a Europa.  

12 – A VINGANÇA GENTIL – Os Estados Unidos possuem uma estrutura militar reconhecidamente poderosa, mas controlar efetivamente um país exige a presença física de soldados e estrutura de defesa gerando gastos elevados sem retorno imediato a não ser aqueles destinados à indústria da guerra incluindo armamentos e mercenários.

13 – Aos iranianos não interessa a destruição da infraestrutura ainda não refeita completamente da guerra de 10 anos contra o Iraque sem falar nos problemas sociais internos aprofundados em função do cerco dos Estados Unidos através das sanções comerciais.

14 – A GUERRA AGORA É OUTRA – A tática do sr. Trump não segue a linha dos “falcões” do Pentágono e prefere explorar exatamente o fator econômico através do cerco cruel e patrocino dos movimentos contrários aos governos não submissos através das famosas oposições “democráticas” sempre associadas a proposta de “modernização” entendidas estas como privatizações e abertura sem limites do mercado nacional. Exemplos temos não somente no Oriente Médio, mas espalhados em todo o planeta.

15 – Este método de intervenção do imperialismo estadunidense não constitui propriamente uma novidade recebendo do sr. Trump predileção a ponto deste não ter iniciado uma guerra do tipo convencional ao contrário de todos os governantes de seu país desde o final da 2ª Guerra Mundial.

16 – A guerra convencional acabou?  a resposta evidente é NÃO, contudo o poderio militar dos Estados Unidos encontrou uma barreira diante da reestruturação militar da Rússia e da política de alianças comerciais da China e seu modelo amparado no “socialismo de mercado” um tema complexo, mas seus resultados revelam-se diariamente através da ampliação de seu  poder econômico.      

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